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CAMPEONATO BRASILEIRO

Cronistas esportivos se queixam de 'ação abusiva' da CBF em protocolo de Sport x Ceará

Em vídeo, presidente da ACDP, André Luiz Cabral aponta para abuso em protocolo da CBF; FPF emitirá relatório apresentando as queixas

postado em 09/08/2020 18:05 / atualizado em 10/08/2020 18:44

(Foto: Anderson Stevens/Sport)
O jogo entre Sport e Ceará, que marcou a estreia das duas equipes na Série A do Campeonato Brasileiro, também chamou a atenção pelo que aconteceu fora dos gramados. Isso porque membros da crônica esportiva pernambucana que trabalharam na cobertura do jogo relataram abusos por parte dos profissionais da CBF, para seguir o protocolo de ações contra a Covid-19.

Entre os pontos abordados, os cronistas se queixam sobre o veto do uso dos elevadores da Ilha do Retiro, mas sobretudo uma vigilância intensa sobre o uso da máscara, que os impedia de ingerir alimentos ou até beber água durante a partida. Ainda nos relatos, ameaças de registros fotográficos sob pena de suspensão da atividade nos jogos seguintes.

As queixas foram expostas em vídeo pelo presidente da Associação dos Cronistas Desportivos de Pernambuco (ACDP), André Luiz Cabral. Em solidariedade aos colegas de trabalho, André orienta para que profissionais que se sintam constrangidos ou coagidos de exercer o trabalho prestem queixa em casos do tipo.

"Esse comportamento de abuso da Confederação Brasileira de Futebol também deve ter ocorrido em outros locais, já que tivemos jogos das três divisões do nosso futebol. Os cronistas presentes na Ilha do Retiro foram constrangidos, coagidos por alguns trogloditas que vieram indicados pela CBF, sob a ameaça de punição do cronista esportivo se fosse flagrado em algum momento sem o uso da mascara", apontou.

"A imprensa esportiva do Brasil sabe que é necessário utilizar a máscara, mas recebi relatos de companheiros que tiveram até medo de consumir o lanche e ser flagrado e fotografado pelos trogloditas da CBF desde a chegada, onde a imprensa foi obrigada a subir pelas escadas com os elevadores funcionando", prosseguiu.

André Luiz ainda atenta para o fato de que a CBF não tem competência sobre a punição ou veto de participação dos cronistas nos jogos. "É importante lembrar às autoridades constituídas que a ACDP tem uma ação judicial, justamente impedindo esse tipo de atitude. Não pode existir o cronista de primeira, segunda ou terceira categoria, e não pode ser punido o cronista por nenhuma entidade desportiva. A CBF não pune nem jogador. Quem pune é o STJD", destacou, antes de orientar.

"Então, vai um alerta para todo o Brasil e todos os companheiros. É importante que o cronista reaja. Não pode aceitar esse abuso de exercer a profissão coagido. E se sentir de alguma forma, mesmo que a delegacia do torcedor e o juizado especial não estejam funcionando, sugiro que ao sair do estádio, procure a delegacia de plantão mais próxima e preste queixa de constrangimento, que está sendo impedido de exercer o seu trabalho", completou.
 
 

FPF vai endossar queixas

Em resposta ao posicionamento do presidente da ACDP, o presidente da Federação Pernambucana de Futebol, Evandro Carvalho, também revelou que os protocolos determinados pela entidade foram ignorados pela CBF, no que aponta como atitude exagerada.

"De fato, tivemos também os nossos problemas. Tínhamos montado com o Sport um protocolo para que Sport e Ceará ficassem nos camarotes e nas tribunas de honra, mas todo o nosso protocolo foi desfeito pela CBF. Eu não sabia. A CBF, junto com a Secretaria Nacional de Esportes e o Ministério da Saúde, estabeleceu um protocolo bem diverso do nosso. Fomos pegos de surpresa pela rigidez, na minha avaliação, exagerada", destacou Evandro.
 
Segundo o presidente da FPF, ao final da rodada, será realizada uma avaliação sobre o protocolo adotado pela CBF, onde serão apresentadas queixas dos clubes e das respectivas federações. "Acredito que você consegue flexibilizar algumas coisas sem qualquer dificuldade, como a gente tinha programado, mas foi o primeiro jogo. Vamos esperar o dia passar para na segunda-feira fazer uma avaliação, e uma das coisas que vamos pontuar é isso, que podemos corrigir essas distorções",
completou. 

CBF dá resposta 

A CBF se posicionou em nota sobre os fatos reclamados pela ACDP e FPF. Confira abaixo na íntegra:
 
A CBF vem estudando há mais de cinco meses os dados e medidas de segurança da Organização Mundial de Saúde (OMS), Ministério da Saúde e secretarias estaduais de Saúde. As informações foram debatidas, checadas e divulgadas junto a todos os clubes e federações envolvidos nas competições organizadas pela Confederação. Esse trabalho deu origem ao protocolo especial para o retorno do futebol durante a pandemia de coronavírus, que, neste momento, já vitimou mais de 100 mil pessoas no Brasil. Os supervisores de imprensa têm atuado na orientação e fiscalização de alguns pontos. O uso obrigatório de máscara e a não aglomeração de pessoas em ambientes como elevador são atitudes fundamentais na luta contra a Covid-19. A insistência de alguns profissionais de imprensa no desrespeito a essas medidas gera uma cobrança mais contundente e necessária neste contexto. Cada detalhe é revelante para a manutenção da saúde e a preservação das vidas.