Apontado pela Secretaria de Estado Extraordinária da Copa do Mundo (Secopa) como um dos estádios mais adiantados entre as 12 cidades-sede que receberão a Copa das Confederações’2013 e o Mundial de 2014, o Mineirão é alvo de nova polêmica envolvendo a data de entrega das arenas modernizadas de Belo Horizonte.
Relatório da Fifa, revelado ontem por um jornal paulista, considera crítica a situação das obras brasileiras e aponta apenas o Castelão, em Fortaleza, com o cronograma dentro do prazo. De acordo com o documento, datado de 1º de maio e com 83 páginas, a entidade constatou risco de atraso em alguma proporção em pelo menos cinco arenas, incluindo o Gigante da Pampulha. No levantamento, o Mineirão aparece com 41% dos trabalhos concluídos e com perspectiva de ficar pronto somente em 28 de fevereiro. A Secopa sustenta que o Magalhães Pinto alcançou 58% da execução e mantém a data de entrega para 21 de dezembro. A Fifa retruca: “Recursos foram colocados para acelerar as obras, mas a performance não cresceu”, aponta a análise, com um suposto agravante: o fato de a arena mineira não ter atendido exigências oficiais.
A avaliação do cenário brasileiro na contagem regressiva para a Copa das Confederações’2013 é ainda pior: haveria atrasos em três das quatro sedes já anunciadas para a competição, que servirá de teste para a Copa’2014. A Fifa teria reclamado da burocracia e do excesso de politização dos processos no Brasil, mas elogiou a disposição do governo em acelerar as obras, o que implica aumento dos custos.
No boletim mais recente divulgado pela Secopa há indicação de que 30% da arquibancada inferior e 80% do acabamento dos bares e banheiros do Mineirão foram instalados. O próximo passo na modernização do espaço, inaugurado em 1965, é a montagem da estrutura metálica de cobertura da área para o público. De acordo com o governo, até o fim de maio a esplanada estará pronta.
CONFIANÇA Contestando as informações do relatório, a Secopa divulgou ontem nota oficial afirmando que mantém a “confiança inabalável” de que a obra do Estádio Governador Magalhães Pinto será concluída até 21 de dezembro. Na avaliação da secretaria, o consórcio Minas Arena – responsável pela execução dos trabalhos e pela futura administração – vem mantendo o cronograma em dia. A Secopa declara ainda desconhecer os dados da entidade maior do futebol. O secretário de Estado extraordinário da Copa do Mundo, Sérgio Barroso, manteve o discurso otimista. “O Mineirão estará pronto sem atrasos e será um dos melhores estádios do Brasil”, previu. Na construção da Arena Independência, porém, houve 10 adiamentos e 28 meses de atraso.
Outro órgão ligado aos preparativos do Mundial, o Comitê Organizador Local (COL) declarou, também em comunicado, que o documento é um subsídio para o acompanhamento de técnicos especializados em estádios e pode ser mal interpretado se lido fora de contexto. “Em trabalhos de construção, mudanças acontecem diariamente e podem ser influenciadas por fatores externos como chuvas ou greves. O documento é atualizado mensalmente, em razão de vários fatores que influenciam e afetam a construção. É impossível tirar conclusões tendo por base apenas um relatório, sem avaliar a situação por inteiro”, contesta o comitê.
Já o ministro do Esporte, Aldo Rebelo, minimizou o levantamento, que tachou de “desatualizado”, além de ter desqualificado os autores do estudo – o consultor especial da Fifa Charles Botta e a empresa Arena, contratada pelo Comitê Organizador Local (COL). “Não é um relatório da direção da Fifa, mas de um consultor. A tradição na área de consultoria é sempre botar um defeito, um problema, porque senão ele não tem como prosseguir o seu trabalho”, disse. Ele descartou a hipótese de troca de cidades-sede para a Copa das Confederações ou a Copa do Mundo.