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Bar de BH vira reduto da NBA e reúne atletas e apaixonados por basquete

Campeão da temporada 2021/22 da NBA poderá ser conhecido nesta quinta-feira (16); decisão é entre Golden State Warrios e Boston Celtics

16/06/2022 12:20 / atualizado em 16/06/2022 14:18
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Bar de BH vira reduto da NBA e reúne atletas e apaixonados por basquete
foto: Marcos Vieira/EM/D.A Press

Bar de BH vira reduto da NBA e reúne atletas e apaixonados por basquete


 
O campeão da temporada 2021/22 da NBA poderá ser conhecido quinta-feira (16), no sexto jogo da série final, que está em 3 a 2 a favor do Golden State Warriors, contra o Boston Celtics. A partida acontece às 22h, no TD Garden, em Boston, Massachuchets. O Warriors ficará com o título, que seria o sétimo da história, se vencer a partida. O Celtics, que sonha com o 18º título, precisa vencer para forçar o sétimo jogo, marcado para domingo, no Chase Center, em São Francisco, Califórnia, casa do Warriors.
 

NBA House - Jogo 1

 
 
Os aficionados pelo basquete têm em Belo Horizonte um local para acompanhar o grande jogo. Um grupo de ex-jogadores e alguns atletas atuais, acompanham todos os jogos, num bar, o Kiwi, na Savassi, local que se transformou na "casa da NBA em BH".

O bar é de propriedade de um ex-jogador e ex-treinador, Espiga, que era armador enquanto atleta. Ele é carioca, tendo começado a carreira no time da Universidade Gama Filho, do Rio, sua terra natal, quando tinha sete anos. Quando esta equipe encerrou as atividades, foi jogar no Vasco, onde permaneceu por 10 anos, passando depois pelo Suzano-SP, Mogi-SP, Tijuca-RJ, Corinthians-RS, Jequiá-RJ, Vasco, Fluminense, Unitri, Minas e Joinville.

Já como treinador, dirigiu o Basquete Cearense, tendo sido campeão brasileiro na temporada 2014/15, Joinville e Minas. E foi a passagem pela equipe mineira que o levou a se apaixonar por Belo Horizonte. "Eu conheci minha mulher, a Cláudia, quando estava no Corinthians-RS. Meu filho, Pedro, que hoje tem 17 anos, e estuda e joga nos EUA, na Houston High School, nasceu aqui. Eu queria viver aqui."

Espiga teve a ideia de montar o bar. "Fiz tudo junto com minha mulher, que é muito boa nessa área. Aí, resolvi convidar o pessoal do basquete para assistirmos os jogos juntos. E não é que deu certo, pois o bar se tornou referência para assistir basquete."

Atleta olímpico


São muitos os ex-atletas a frequentar o espaço para acompanhar os jogos. Um deles, um ex-jogador de Olimpíada, Luiz Gustavo Viana Lage, que disputou, com a Seleção Brasileira os Jogos Olímpicos de Moscou'1980.

"Gosto muito de vir aqui, pois a gente encontra os amigos, ex-companheiros de time e adversários. Hoje somos todos amigos. O que aconteceu dentro de quadra, ficou dentro de quadra. Hoje, a gente além de acompanhar os jogos, relembramos nossas histórias, dos tempos em que jogávamos", diz Luiz Gustavo, que em Minas Gerais defendeu Minas e Ginástico, indo depois para o Corinthians-SP.

Para ele, o que acontece no bar, o reencontro, é a comprovação de pontos importantes do esporte. "Primeiro, confirma que o esporte segue na vida de todos, onde se vê a importância da formação, tanto na carreira esportiva, quanto na profissional e na vida social. Quem pratica esporte tem amigos, tem grupo de amigos. É como tocar um instrumento, pois você é sempre lembrado para estar no acontecimento."
 
Bar de BH vira reduto da NBA e reúne atletas e apaixonados por basquete
foto: Marcos Vieira/EM/D.A Press

Bar de BH vira reduto da NBA e reúne atletas e apaixonados por basquete

 

"Em segundo lugar, praticar e viver esporte é mais barato que qualquer tratamento psiquiátrico, é altamente terapêutico. É distração pura. E aqui a gente ainda bate papo, ri muito, se diverte, além de acompanhar o jogo. Só temos interesse na amizade", diz Luiz Gustavo.

Ele diz que a televisão hoje dá possibilidades ao jovem jogador, que na sua época, não tinha. "A gente não via jogos. Conhecia a NBA só de ouvir falar. Quando ficava sabendo que alguém ia aos EUA, pedia para trazer poster de jogadores famosos. Eu tenho, até hoje, posters de Wilt Chamberlain, Kareem Abdul-Jabbar, Doctor J. Essa era a referência que a gente tinha."

Hoje, segundo ele, os atletas, ainda jovens, podem assistir, acompanhar e tentar imitar, copiar uma jogada que viram num jogo. "Assim se aprende a jogar", diz.

Luiz Gustavo conta que quando era pequeno, seu pai, o ex-prefeito Rui Lage, lhe dizia que se ele quisesse jogar basquete teria de ir para Franca. "Acabei, aos 18 anos, indo para a Universidade de Portland. Lá conheci outro mundo. A gente treinava, para cada jogo, sobre a forma de jogar do adversário. No Brasil não se fazia isso. Do outro lado da quadra, os cinco imitavam a maneira de jogar do próximo adversário. Isso só veio a acontecer no Brasil anos depois."

O basquete em primeiro lugar


Esse é também o comentário de Humberto Gontijo, de 73 anos, ex-ala e hoje arquiteto, mas que joga pelada de basquete duas ou três vezes por semana, no Ginástico. "A gente mal sabia o que era a NBA. Quando muito via numa revista ou num jornal, mas não tinha ideia."

Assim como Luiz Gustavo, Felipe Ferreira, de 39 anos, festeja o encontro para as finais da NBA. "É uma oportunidade de juntar quem gosta de basquete. É um lugar que chamaria de extraordinário, com cerveja boa, comida boa e falamos de basquete."

Fred Marques, de 32 anos, lembra de uma situação que os amantes do basquete vivenciaram antes do novo bar. "O cara, o dono do bar, nos chamou e disse que iria passar NBA e que gostaria que a gente fosse ver lá. Juntamos um grupo e fomos. No início do último quarto, ele nos colocou para fora e fechou o bar dizendo: "Deu meia-noite, a gente fecha. É normal. E nós tivemos de ir embora, sem ver o final do jogo. Isso não acontece aqui."

Entre os veteranos, existem também jovens talentos, como o ala/pivô Thomas Ávila, do Olympico Club. "Olha, achei isso aqui muito legal. Eu vim com meu pai e depois com meus amigos. Acho sensacional poder ver os jogos aqui, com ex-jogadores."

O hoje advogado Guilherme Zardo, que era ala, diz que o point do basquete era o que faltava em BH. "Aqui é o bar do basqueteiro. Podemos dizer que é um lugar onde se reúnem todas as tribos, pois aqui estão ex-jogadores do Ginástico, Minas, Olympico e Mackenzie. O basquete de BH está aqui." 

Nesta quinta-feira (16), eles estarão juntos novamente, para acompanhar o jogo seis da melhor de sete. Não existe, no grupo, preferência, nem por Warriors e nem por Celtics, pelo menos que se possa perceber. As vibrações e comemorações acontecem a cada jogada espetacular. E uma certeza, a de que qualquer que seja o resultado, será bastante comemorado.

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