As mulheres da prata de Kelvin: como skatista buscou forças durante a final

Após duas quedas, brasileiro traçou estratégia para manobra da medalha olímpica com auxílio da esposa Ana Paula Negrão e da colega e também skatista Pâmela Rosa

Kelvin Hoefler conquistou a primeira medalha do Brasil em Tóquio
foto: Jonne Roriz/COB

Kelvin Hoefler conquistou a primeira medalha do Brasil em Tóquio

Quando caiu duas vezes seguidas na pista da Ariake Urban Sports Arena, Kelvin Hoefler temeu que o excelente início na decisão do skate street fosse por água abaixo. Em meio à tensão, a estratégia para acalmar os nervos para as manobras finais e conquistar a medalha de prata - o primeiro pódio brasileiro na Olimpíada de Tóquio - passou pelos conselhos de duas mulheres.

Fotos da prova de Kelvin Hoefler, primeiro medalhista do Brasil em Tóquio


Durante a prova, realizada sob forte calor na capital japonesa, o paulista de 28 anos teve como companheira Ana Paula Negrão. Nos EUA, Kelvin chegou a morar de aluguel na cozinha da fotógrafa, que, tempos depois, viraria sua esposa. Desta vez, o apoio foi virtual. Do outro lado do mundo, a mulher mandava energias ao skatista e o ajudou a se concentrar nas manobras que lhe garantiram o pódio na estreia da modalidade nos Jogos Olímpicos. 

"Liguei para ela, a gente chorou junto. Liguei durante a competição o tempo todo. Ela é a minha técnica, minha coach, meu braço direito, esquerdo, perna, tudo... Ela me ajuda sempre e fala: 'Kelvin, você é o melhor, você vai fazer uma manobra que sabe, descendo o corrimão. Você é o cara que mais sabe dar essa manobra'. Então, quando vou para a manobra, fico com isso na cabeça.Acredito que sem ela eu não teria acertado", relatou o medalhista.


Mais perto estava Pâmela Rosa, skatista brasileira que também briga por medalha nos Jogos de Tóquio. "Ela sabe da técnica do skate. Sem ela comigo, eu não teria essa medalha. Essas duas pessoas me ajudaram extremamente", contou Kelvin. "As mina 'é' foda. Elas sabem o que está acontecendo", agradeceu.

As orientações técnicas das duas foram decisivas na mudança de estratégia do brasileiro durante a decisão. Kelvin entende que poderia ter levado o ouro não fosse o vento, que desestabilizou o skate na segunda e na terceira manobras. Em meio ao nervosismo e o medo de ficar fora do pódio, o skatista ouviu os conselhos, mudou o movimento executado e, na última tentativa, cravou um 9.34 para conseguir a tão sonhada medalha.

"Elas falaram: 'Kelvin, você precisa de uma vela naquele lugar'. Elas prestam atenção nos detalhes, sabe? Aí eu falo: 'Ah, f***-se, que vela o quê? Que 'mané' água? F***-se o sol. Água? Para quê água? Regra? Para quê regra? Sou skatista' (risos). Elas colocam a gente no 'cabresto' falando para passar a vela, tomar água", contou. "Eu falei que estava muito vento. Elas falaram: 'Troca a manobra, faz uma outra e passa a vela em tal lugar'. As duas me falaram isso. As duas são f***".

Fotos da premiação do medalhista olímpico Kelvin Hoefler


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