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Conselho aprova, e Cruzeiro pegará empréstimo de R$300 milhões com fundo internacional

Proposta do presidente Wagner Pires de Sá teve aprovação quase absoluta

postado em 11/02/2019 21:05 / atualizado em 12/02/2019 09:56

Vinnicius Silva/Cruzeiro
O otimismo da diretoria do Cruzeiro se confirmou na noite desta segunda-feira, na Sede Social do Cruzeiro, no Barro Preto, em Belo Horizonte. Por maioria absoluta dos votos, o Conselho Deliberativo do clube aprovou a proposta de um empréstimo de R$300 milhões a ser contraído com um fundo internacional de investimento. A reunião extraordinária foi convocada a pedido do presidente Wagner Pires de Sá e teve participação de 316 conselheiros. Houve apenas dois votos contrários à operação.

Alguns conselheiros deixaram a reunião antes mesmo da votação.

Durante a assembleia, o presidente Wagner Pires de Sá e o diretor financeiro Flávio Pena apresentaram detalhes do 'plano de viabilidade' pretendido pela diretoria. Em dado momento, a mesa diretora do Conselho Deliberativo pediu que os conselheiros contrários ao empréstimo se levantassem. Apenas dois presentes discordaram do empréstimo milionáro.

O ex-presidente Gilvan de Pinho Tavares, que anteriormente havia se declarado ser contrário à captação dos recursos com o fundo, não se opôs à negociação.



Com a proposta aprovada, a diretoria do Cruzeiro passará a tomar as medidas para, de fato, viabilizar a operação financeira com o fundo internacional, que não teve o nome revelado por cláusula de confidencialidade. A intenção é usar os R$ 300 milhões para quitar dívidas urgentes e passar a ter como credor apenas a instituição estrangeira.

As prioridades são dívidas com clubes, ex-parceiros e agentes por contratações e comissões não pagas. Algumas geraram ações na Fifa. Também estão entre as urgências débitos com instituições financeiras e fornecedores. Estima-se que o valor total do passivo gire em torno de R$ 470 milhões, incluindo impostos já renegociados com o Governo Federal.

“Fizemos a reunião exatamente para que eles nos dessem o voto de confiança que nós pedimos, porque, na verdade, a reorganização da dívida do clube é de responsabilidade do poder executivo, mas nos primamos pela transparência. Nós convocamos todos os conselheiros e explicamos exatamente qual é o conceito que nós temos de administração. A partir de agora vamos fazer tudo com transparência, os conselheiros vão saber de tudo que nós fizermos”, disse Wagner Pires de Sá.

Como o Superesportes adiantou no dia 8 de fevereiro, o acordo de empréstimo terá carência de um ano e meio a partir da assinatura do contrato. O pagamento será feito em sete parcelas semestrais. Os juros anuais serão de aproximadamente 9%.

“Vamos trocar dívidas que nós temos internamente com taxas de juros altíssimas, que chegam numa média de 2% ao mês, por uma de 0,68% (ao mês). Então, foi uma grande vitória, e graças a Deus nós tivemos a aprovação unânime do Conselho. Na verdade, teve dois votos contra. Bom isso, pois toda unanimidade é burra”, acrescentou Wagner Pires de Sá.

Vice-presidente do Conselho Deliberativo, José Dalai Rocha comemorou o 'passo importante' dado na noite desta segunda-feira. “Surpreendentemente, a reunião que se pronunciava bastante tumultuada transcorreu na maior tranquilidade”, disse. “Hoje demos um passo para concretizar o negócio. Não está assinado ainda. É um passo para assinar. Precisava desse respaldo do Conselho Deliberativo, com essa unanimidade toda, para dar força para decisão da diretoria”, complementou.



Reunião preliminar de esclarecimentos

Na manhã desta segunda-feira, a diretoria financeira do Cruzeiro se reuniu com integrantes da mesa diretora do Conselho Deliberativo para detalhar as condições do empréstimo. Dalai Rocha atribuiu a aprovação do 'plano de viabilidade' à transparência das informações.

Prestações podem ‘extrapolar’ mandato de Wagner Pires

A proposta de pagar o empréstimo em até cinco anos (um ano e meio de carência e três anos e meio de prestações semestrais) pode extrapolar um possível segundo mandato de Wagner Pires de Sá. Caso seja reeleito no pleito de outubro de 2020, o atual presidente ficaria no cargo até dezembro de 2023. Já as prestações poderiam chegar até mesmo a 2024, a depender da assinatura do contrato com o fundo internacional. Veja abaixo uma simulação:

Fevereiro de 2019 – aprovação no Conselho Deliberativo

Março de 2019 – assinatura do contrato

Setembro de 2020 – fim do período de carência e pagamento da primeira parcela semestral

Março de 2021 – segunda parcela semestral

Setembro de 2021 – terceira parcela semestral

Março de 2022 – quarta parcela semestral

Setembro de 2022 – quinta parcela semestral

Março de 2023 – sexta parcela semestral

Setembro de 2023 – sétima parcela semestral

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