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Por dívida, Minas Arena rompe contrato de fidelidade com o Cruzeiro; clube diz que vínculo segue em vigência

Concessionária afirma que desde o dia 3 de maio está negociando com o clube por jogo; diretoria do clube rebate versão da Minas Arena

Thiago Madureira
Mineirão é casa do Cruzeiro; clube manda todos os jogos no estádio - Foto: Ramon Lisboa/EM/D.A Press

Em nota, a Minas Arena informa que rompeu o contrato de fidelidade com o Cruzeiro. Segundo a concessionária, o clube foi notificado diversas vezes de dívidas, que chegam a R$ 26 milhões. Diante da insistência da Raposa em não quitar os débitos, o contrato foi rescindido. A informação foi antecipada pelo site Globoesporte.

“A Minas Arena e o Cruzeiro firmaram, em 2013, um contrato de fidelidade para que o clube mandasse suas partidas oficiais no Mineirão até o final de 2037. Devido ao inadimplemento do clube desde o segundo semestre de 2013, e após inúmeras notificações e tentativas de soluções amigáveis para a questão, a Minas Arena notificou mais uma vez o clube, em abril/2019, para a quitação de todo o seu débito, o que não ocorreu. Portanto, conforme consta do próprio contrato, o mesmo foi rescindido”, disse a concessionária.

Em contato com o Superesportes, a Minas Arena disse que desde o dia 3 de maio está negociando com o clube por jogo. “A negociação das condições de jogo já está sendo realizadas previamente à realização das partidas desde o dia 03/05/2019. Importante ressaltar que não é intenção das Minas Arena impedir que o clube realize partidas no estádio, desde que aconteçam acordos específicos para os jogos”, frisou a gestora, em nota.

Com o término do contrato, o Cruzeiro perdeu benefícios.
“Em função do contrato de fidelidade, havia vantagens que nenhuma outra agremiação possui no Mineirão, como recebimento de 1/3 da renda com estacionamento e bares, uso gratuito de 100 vagas no estacionamento, inserções de ações institucionais nos telões, áreas para mascote e parceiros, comodato de loja no complexo, proibição que a Minas Arena comercialize os ingressos da concessionária por preços inferiores ao correspondente ao valor do ingresso mais caro do anel superior, além de pagar somente 70% das despesas operacionais das partidas. A Minas Arena arca com os 30% restantes. Porém, nas negociações jogo a jogo, a Minas Arena tem mantido esses percentuais, desde que o pagamento do clube seja feito antecipadamente”, frisou a Minas Arena.

Relação desgastada


Em abril, o diretor comercial da Minas Arena, Samuel Lloyd, disse ao Superesportes que a relação entre a concessionária e Cruzeiro estava chegando a um limite. Ao todo, o clube deve cerca de R$ 26 milhões à Minas Arena.

“Ao longo desses anos, o Cruzeiro deixou de pagar os custos dos jogos. Lembrando que o Cruzeiro não paga aluguel, ele paga os custos dos profissionais envolvidos na operação. Tem sete anos que o Cruzeiro deixou de pagar, e a gente vem notificando o clube. Já deve ter mais de uma centena de notificações. Essa é mais uma notificação. Foi enviada em 3 de abril e pede ao clube que se posicione em relação à dívida total de R$ 26 milhões. Entre 2013 e 2015, são R$ 12 milhões em dívidas. Em 2016 e 2017, R$ 12,4 milhões. Na nova gestão do Wagner e do Itair já soma R$ 1.865.934.79”, disse o diretor comercial da Minas Arena.

“Isso significa que, de 2013 a 2019, a Minas Arena desembolsou R$ 26.372.000 de custos do Cruzeiro. O Cruzeiro paga quando joga no Independência, o Atlético paga isso quando joga aqui, o Villa paga.
A gente chegou ao limite, e o clube está em uma posição cômoda, com um estádio cinco estrelas, com excelente operação, estrutura, o Cruzeiro vende os ingressos e leva a receita, deixando esse passivo para trás. Chegamos a um limite, mas, apesar disso, a gente faz questão que o Cruzeiro continue jogando aqui”, completou.

Versão do Cruzeiro


O Cruzeiro informou que as bases do contrato estão sendo cumpridas, com o mesmo seguindo em vigência. O clube ainda destacou que trata a dívida do clube com a concessionária na Justiça.

"O Cruzeiro entende que o contrato de fidelidade com a Minas Arena segue em vigência e está discutindo de boa fé os eventuais valores pendentes desde a administração anterior na esfera judicial".

A tendência é que o rompimento da Minas Arena com o clube também seja tratado na Justiça. O vínculo está em vigor desde 2013, quando o Cruzeiro fechou acordo com a concessionária para mandar os seus jogos oficiais no Mineirão durante 25 anos.

O Cruzeiro discorda do valor da dívida total de R$ 26 milhões. Segundo o clube, o débito é de aproximadamente R$ 18 milhões. A diretoria celeste, desde junho de 2016, tem depositado 25% da renda líquida das partidas em uma conta judicial. A quantia acumulada está na casa de R$ 10 milhões.

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