Valdir Barbosa abre o jogo sobre compra casada de Arrascaeta e Latorre pelo Cruzeiro

Dirigente participou de negociação que gerou ações para o clube na Fifa

09/07/2019 06:30 / atualizado em 08/07/2019 23:00
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Latorre custou R$ 18,5 milhões ao Cruzeiro, mas jamais atuou pela equipe principal
foto: Gustavo Aleixo/Cruzeiro

Latorre custou R$ 18,5 milhões ao Cruzeiro, mas jamais atuou pela equipe principal

Criticada pelo vice-presidente de futebol Itair Machado, a compra casada de 50% dos direitos econômicos do meia Arrascaeta e do atacante Gonzalo Latorre pelo Cruzeiro teve participação de Valdir Barbosa. Em janeiro de 2015, o atual diretor de comunicação ocupava a função de gerente de futebol e foi enviado ao Uruguai para se reunir com o empresário Daniel Fonseca e dirigentes do Defensor e do Atenas, respectivos donos dos direitos econômicos dos jogadores.

Em entrevista ao programa Arena 98, da Rádio 98 FM, Valdir Barbosa comentou as declarações de Itair Machado e explicou o modelo do negócio. Segundo ele, foi uma forma de “complementar” a aquisição de Arrascaeta, valorizado pela ótima participação na Libertadores de 2014 pelo Defensor (semifinalista) e pretendido por clubes como Internacional e Galatasaray-TUR. Valdir ressaltou ainda que o presidente Gilvan de Pinho Tavares autorizou o pagamento de 4 milhões de euros pelo camisa 10 (R$ 12 milhões) e US$ 3,4 milhões (R$ 9 milhões) pelo então desconhecido atacante.

O Itair criticou a negociação e não me citou. É claro que eu fui o intermediário dessa negociação, porque eu que fui ao Uruguai. Tudo que foi feito, foi aprovado e assinado pelo presidente Gilvan. As mesmas pessoas que participaram da venda do Arrascaeta - advogado, agente - agora recentemente, foram as pessoas que estavam no ato da compra. Então, o que acontece, aquilo ali não foi uma compra do Latorre. Seria uma estupidez, aquilo tinha que ir para a guilhotina se alguém tivesse feito. Pagar praticamente a diferença de 200 mil dólares no Latorre para o Arrascaeta seria uma loucura. Isso aí é um troço que… um jogador que tinha tido uma pequena passagem pela Seleção Uruguaia Sub-20 e o outro que já era profissional e sabendo que daria certo. Como deu certo, porque foi a maior venda do Cruzeiro até agora em todos os tempos. Aquilo ali foi uma forma de complementar a compra do Arrascaeta. Envolvia luvas e uma série de coisas. E aquele valor, que não seria pago no Brasil, como você vai pagar lá fora? Você tinha que criar uma fórmula para fazer esse pagamento. E criou-se a fórmula de pagar como se fosse a compra do Latorre. Como o Cruzeiro não pagou, o negócio estourou dessa forma, foi para a Fifa e virou 18 milhões”.

Por Arrascaeta, o Cruzeiro obteve empréstimo de 2 milhões de euros (R$ 6 milhões) com Pedro Lourenço, proprietário da rede Supermercados BH, e dividiu a outra metade em 29 parcelas de 70 mil euros (R$ 210 mil). Houve atraso em 15 prestações.

Em relação a Latorre, oficialmente anunciado apenas em julho de 2015, ficou definido o pagamento em cinco parcelas anuais: a primeira de US$ 600 mil (dez/2015), e as quatro restantes de US$ 700 mil (dez/2016, dez/2017, dez/2018 e dez/2019).

O clube celeste foi acionado na Fifa pelas duas agremiações uruguaias. Enquanto o Defensor cobrava 1,151 milhão de euros, o Atenas pleiteava a totalidade do valor. O “caso Latorre” ficou mais grave em função dos juros e da variação cambial do dólar. No fim das contas, a diretoria cruzeirense não encontrou outra saída e acertou, em maio de 2019, o pagamento de R$ 18,5 milhões por um atacante que jamais atuou pela equipe principal.

Valdir Barbosa admitiu não poder reclamar das constantes críticas que sofre pela negociação, porém se apegou à história de Arrascaeta pelo Cruzeiro para olhar o lado bom da história. O uruguaio foi decisivo em três títulos recentes - dois da Copa do Brasil, em 2017 e 2018, e um do Campeonato Mineiro, em 2018 - e se tornou o maior artilheiro estrangeiro da Raposa, com 50 gols em 188 jogos.

Eu recebi muitas críticas e entendo que não posso reclamar, pois infelizmente estava lá nesse dia. Só que que tudo foi aprovado pelo presidente. O presidente queria que o Arrascaeta viesse, então foi uma coisa mais ou menos casada. Pronto. Mesmo que fale assim: ‘mas foi muito dinheiro’. Foi, mas é porque deixou acumular, foi pagando juros, teve correção, aí virou essa quantia toda. Mesmo assim, o Arrascaeta deu muito lucro ao Cruzeiro”.

Por fim, o diretor justificou a negociação casada à tentativa de reduzir impostos da operação financeira. “Era questão de fazer uma transação onde, legalmente, os impostos seriam diminuídos. Seriam menores. Por isso o pagamento é feito lá. É uma compra, transformou-se em uma compra para que os efeitos fiscais fossem menores”.

Em janeiro de 2019, o Cruzeiro negociou com o Flamengo sua participação nos direitos econômicos de Arrascaeta (50%, em parceria com o Supermercados BH) por 13 milhões de euros (R$ 55,25 milhões). O rubro-negro quitou 7 milhões no ato da compra e 3 milhões em junho. A última fatia, também de 3 milhões de euros, será debitada da conta bancária flamenguista em dezembro.

Já Latorre, hoje aos 23 anos, ainda é atleta do Cruzeiro, com o qual tem contrato até 31 de dezembro deste ano. No primeiro semestre de 2017, ele defendeu a Sambenedettese, da Série C1 da Itália, e teve poucos minutos em campo. Recentemente, o vice de futebol Itair Machado declarou que o atacante recusou se transferir para Remo e Fortaleza.

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