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CRUZEIRO

Após eliminação, Mano defende estilo e lembra campanhas frustradas do Cruzeiro na Libertadores: 'É difícil ganhar'

Time celeste foi derrotado pelo River Plate nos pênaltis por 4 a 2

Rafael Arruda
Mano Menezes à frente do Cruzeiro diante do River - Foto: Juarez Rodrigues/EM/D.A. Press
O Cruzeiro fez jogo parelho contra o River Plate na noite desta terça-feira, no Mineirão, pela partida de volta das oitavas de final da Copa Libertadores. No primeiro tempo, o atacante Pedro Rocha teve grande oportunidade para balançar a rede, porém chutou no travessão após passe de Thiago Neves. Na etapa complementar, não houve chances claras de gol, embora o time celeste tenha trocado passes em várias ocasiões em frente à área adversária. Com o empate por 0 a 0, o embate foi para os pênaltis. E o River levou a melhor, vencendo a disputa por 4 a 2. Armani defendeu as cobranças de Henrique e David, enquanto Montiel, De la Cruz, Martínez e Borré balançaram a rede para os argentinos. Depois do duelo, o técnico Mano Menezes fez um balanço a respeito da eliminação celeste em Belo Horizonte.



“Ser eliminado sempre é ruim, a derrota sempre é ruim. Mas há derrotas e derrotas.
Quando cruzamos com River Plate, sabíamos que tipo de disputa que teríamos pela frente e o grau de dificuldade do enfrentamento. Valeu para nós e para eles pelo histórico de Cruzeiro x River. Quando jogamos a primeira partida, tinha o pensamento de trazer a possibilidade para decidir em casa. Sofremos, mas empatamos. Quando vimos para cá, sabíamos que o jogo seria tão difícil. Nós falamos sobre a série que eles estão tendo na Libertadores com esse grupo. Sabíamos que seria difícil derrotá-los. Começamos mal a partida, erramos muito, e não se pode errar contra time de qualidade. Tivemos dificuldades num primeiro momento, mas, depois da primeira conclusão clara, que foi o chute de Pedro Rocha no travessão, melhoramos”, comentou o treinador.

No primeiro tempo, o Cruzeiro atuou com o meio-campo em linha, com Lucas Romero e Marquinhos Gabriel nas extremidades, e Henrique e Ariel Cabral centralizados. A escolha se deu por causa da impossibilidade de Robinho jogar por mais de meia hora. O camisa 19 entrou aos 15min do segundo tempo na vaga de Cabral e melhorou a troca de passes no ataque. Só que a Raposa não conseguiu transformar essa evolução ofensiva em chutes à meta do River.



“Tivemos dificuldades na escolha da formação ideal, porque Robinho tinha capacidade para atuar por 30 minutos. A escolha foi pela formação que terminou lá.
Com 15 minutos, fizemos a primeira alteração, tiramos Ariel Cabral e colocamos Robinho. Depois colocamos Fred para ter presença física maior. Foram oito oportunidades nossas contra cinco do River. Não foi por falta de esforço, mas é porque o jogo é grande. Nosso adversário sempre jogou ofensivamente e não conseguiu fazer gol no Cruzeiro. O Cruzeiro conseguiu se portar bem em 180 minutos, perdemos hoje da mesma maneira que ganhamos em outras oportunidades nas penalidades. Mas lutamos muito”.

Tratado como dúvida às vésperas do duelo por causa de incômodo na panturrilha direita, Thiago Neves jogou os 90 minutos contra o River. Mano Menezes afirmou que manteve o camisa 10 em tempo integral porque confiava na capacidade dele em fazer gols decisivos, como ocorreu na campanha do bicampeonato consecutivo da Copa do Brasil, em 2017 e 2018.

“Já imaginava que iam aparecer os primeiros aproveitadores. É bem comum que apareçam nessa hora. Em momento algum o Cruzeiro deixou de acreditar na classificação.
Lutamos até os 90 minutos para fazer o gol. O Thiago ficou porque é importante para fazer gol em qualquer lance, e não só para bater pênalti. Tanto que nem bateu”.

Questionado sobre o perfil de montar elencos para sofrerem poucos gols, o treinador ressaltou que profissionais anteriores com estilos diferentes não conseguiram ganhar a Copa Libertadores pelo Cruzeiro por se tratar de competição difícil de ser conquistada.



“A derrota pode ser dura e triste, mas não podemos enganar o torcedor. Não se trata de estilo. O Cruzeiro já jogou depois do bicampeonato de 1997 onze edições como essa. Passaram oito treinadores diferentes. E você, que é bem informado, deve saber quem são. Levir, Luxemburgo, Paulo Cesar Gusmão, Adilson Batista, Cuca, Marcelo Oliveira com o time bicampeão brasileiro e depois chegou em mim. Todos com estilo diferente de armar os times e ninguém conseguiu ganhar. Por que? Por que é difícil ganhar. Às vezes o Cruzeiro conseguia vantagem fora de casa e não conseguia ganhar. Ninguém pode dizer que o Cruzeiro não lutou até o fim para não fazer gol”.

Por fim, Mano reiterou a confiança em Thiago Neves. “Há limitações, mas se alguém deveria ficar em campo até o fim, por tudo que viveu, era o Thiago Neves. Ele não ficou para bater pênalti. Deixamos ele porque acreditamos que uma bola poderia ser decidida por ele. Ninguém pensava em pênalti naquele momento”.

Eliminado da Libertadores, o Cruzeiro agora se preocupa com o Campeonato Brasileiro, no qual ocupa o 16º lugar, com 10 pontos em 12 rodadas, e a Copa do Brasil, em que é semifinalista e terá pela frente o Internacional.

Pela Série A, o Cruzeiro fará clássico contra o Atlético no domingo, às 19h, no Independência. Já na Copa do Brasil, pegará o Internacional pelo duelo de ida na próxima quarta, 7 de agosto, às 21h30, no Mineirão.
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