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Gestão de Wagner elevou despesas do Cruzeiro para mais de R$ 1,18 bilhão em 2018/2019

Segundo relatório da Kroll, gastos de Pires de Sá cresceram 53% em comparação ao biênio anterior, na administração de Gilvan de Pinho Tavares

postado em 28/08/2020 17:00 / atualizado em 28/08/2020 17:15

(Foto: Cruzeiro/Divulgação)
A gestão do ex-presidente Wagner Pires de Sá no Cruzeiro se comprometeu ao gasto de R$ 1.180.676.437,00 no biênio 2018/2019, segundo os balancetes analisados pela Kroll, multinacional especializada em investigações corporativas. No documento ao qual o Superesportes teve acesso foi constatado um aumento de 53% em comparação ao mandato de Gilvan de Pinho Tavares, que fechou a despesa de 2016/2017 em R$ 770.097.107,00.

Conforme a Kroll, os salários no regime da CLT cresceram 50%, passando de R$ 156.581.352,00, em 2016/2017, para R$ 234.380.814, em 2018/2019. O clube "inflacionou" outras 18 categorias, como direito de imagem, 161%; juros de mora e multas, 144%; liberação de atletas, 307%; e serviços de pessoa Jurídica, 67%. As cifras destrinchadas no decorrer da matéria representam 80% dos gastos totais da instituição.

A Kroll apurou que foram admitidos pelo menos 566 funcionários no Cruzeiro de 2018 a 2019, 58% a mais que os 358 contratados nos dois anos anteriores. Além disso, a administração de Wagner Pires desligou 358 pessoas do quadro de colaboradores, ante 181 na “era Gilvan”. A conduta elevou despesas referentes à folha de pagamento, como 13º salário, férias, FGTS e INSS.

Outro ponto destacado pela investigação foi a contratação de 25 funcionários para assumir cargos de gerência, diretoria e assessoria, com salários que totalizavam aproximadamente R$ 450 mil mensais - mais de R$ 5,8 milhões ao ano. Atualmente, apenas nove desses profissionais seguem na instituição, com vencimentos somados em R$ 100 mil.

O documento também apresentou aumento de 70% em valores de serviços prestados por pessoa física: R$ 1.425.705,00, em 2016 e 2017, para R$ 2.426.440,00, de 2018 a 2019. Quatro dessas contratações foram para assessorar Wagner Pires: Ronaldo de Assis Carvalho, R$ 119.997,00; William Batista Peixoto, R$ 24.000,00; Alonso Miranda da Silva, R$ 16.000,00; e Vitório Galinari, R$ 12.600,00. Todos eles são conselheiros do clube.

Despesas do Cruzeiro em 19 categorias


Salários -  aumento de 50%

2016/2017: R$ 156.581.352,00
2018/2019: R$ 234.380.814,00

Juros de mora e multas - aumento de 144%

2016/2017: R$ 54.332.733,00
2018/2019: R$ 132.814.836,00

Liberação de atletas - aumento de 307%

2016/2017: R$ 27.564.454,00
2018/2019: R$ 112.141.914,00

Gratificações/premiações - aumento de 103%

2016/2017: R$ 26.105.217,00
2018/2019: R$ 52.909.945,00

Uso de imagem - aumento de 11%

2016/2017: R$ 42.852.079,00
2018/2019: R$ 47.604.158,00

Serviço de terceiros - Pessoa Jurídica - aumento de 68%

2016/2017: R$ 22.391.350,00
2018/2019: R$ 37.727.396,00

Juros/Empréstimos - aumento de 49%

2016/2017: R$ 23.828.558,00
2018/2019: R$ 35.480.769,00

Direitos econômicos (Brasil) - aumento de 80%

2016/2017: R$ 19.079.973,00
2018/2019: R$ 34.285.911,00

Direito de imagem - aumento de 161%

2016/2017: R$ 12.769.304,00
2018/2019: R$ 33.373.978,00

Provisão de férias - aumento de 40%

2016/2017: R$ 23.497.924,00
2018/2019: R$ 32.865.324,00

Custo de formação de atletas - redução de 40%

2016/2017: R$ 38.454.405,00
2018/2019: R$ 23.116.198,00

INSS sobre receitas de TV, publicidade, patrocínio e royalties - aumento de 8%

2016/2017: R$ 18.651.124,00
2018/2019: R$ 20.160.507,00

Despesas com jogos - aumento de 30%

2016/2017: R$ 12.272.615,00
2018/2019: R$ 15.908.616,00

Parceria de direitos econômicos

2016/2017: R$ 0,00
2018/2019: R$ 15.745.085,00

INSS - aumento de 39%

2016/2017: R$ 10.682.381,00
2018/2019: R$ 14.816.063,00

Direito de arena - redução de 7%

2016/2017: R$ 15.561.165,00
2018/2019: R$ 14.524.730,00

Média anual de R$ 590 milhões


Os números analisados pela Kroll ressaltam que o Cruzeiro teve, com Wagner Pires de Sá, gasto médio anual de R$ 590.338.219,00. Como comparação, as receitas líquidas do clube foram fechadas em R$ 329.118.994,00, em 2018 (valor recorde), e R$ 280.799.767,00, em 2019.

O Flamengo, time com maior potencial financeiro do futebol brasileiro, gastou R$ 851 milhões em 2019 (custo operacional e despesas administrativas/financeiras), mas, em compensação, obteve receita líquida de R$ 914 milhões e encerrou a temporada com superávit de R$ 63 milhões.

Déficit de R$ 394 milhões


No segundo (e último) ano da gestão de Wagner Pires de Sá, o Cruzeiro registrou um déficit de R$ 394 milhões, o pior da história de um clube de futebol. O balanço auditado pela Moore foi aprovado com ressalvas pelo Conselho Deliberativo em reunião na última segunda-feira. A dívida total é de R$ 803 milhões. Caso a previsão de déficit de R$ 143 milhões se confirme em 2020, a Raposa elevará o passivo para R$ 946 milhões em 2021, ano do centenário de fundação da instituição.

Ex-dirigentes indiciados


Em 11 de agosto, a Polícia Civil deu detalhes das investigações contra Wagner Pires de Sá, o ex-vice de futebol Itair Machado, o ex-diretor Sérgio Nonato (Serginho), três empresários de futebol - Carlinhos Sabiá, João Sérgio e Wagner Cruz - e um do ramo de equipamento de proteção individual (EPI), Cristiano Richard dos Santos Machado.

Foi constatado um desvio de mais de R$ 10 milhões dos cofres do clube, com direito a pagamento de um apartamento de luxo no bairro Belvedere, na Região Centro-Sul de BH, onde mora Itair Machado. Os acusados podem responder pelos crimes de pelos crimes de apropriação indébita, falsidade ideológica, associação criminosa e lavagem de dinheiro.

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