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Cruzeiro convive com risco de perder possíveis fontes de receita na Justiça

Jogadores que poderiam render dinheiro ao clube em negociações optaram por tentar a rescisão indireta por causa dos atrasos salariais

postado em 23/01/2021 07:00 / atualizado em 23/01/2021 07:45

(Foto: Bruno Haddad/Cruzeiro)
Com a permanência assegurada na Série B, o Cruzeiro cumprirá tabela nos jogos contra Náutico, às 16h deste domingo, no Independência, e Paraná, às 21h30 de sexta-feira, no estádio Durival Britto, em Curitiba. Ao mesmo tempo em que prepara o planejamento de 2021, ainda sem ter certeza quanto à permanência do técnico Luiz Felipe Scolari, a diretoria tenta encontrar soluções em curto prazo para colocar em dia os salários do departamento de futebol e dos colaboradores do setor administrativo.

Uma das principais fontes de receitas do clube em 2020 foi a negociação de direitos econômicos de atletas. O balancete de janeiro a setembro contabilizou R$18 milhões em vendas, 22% da arrecadação total de R$82 milhões. Isso mostra que os jovens formados na Raposa continuam visados no mercado da bola, apesar da má campanha do time na Série B - 13º, com 47 pontos em 36 rodadas.

Mas o que poderia ser enxergado como respiro financeiro virou problema em cenários específicos. O volante Jadsom Silva e o atacante Zé Eduardo não se conformaram com os salários atrasados e acionaram a Justiça. Eles não conseguiram a liminar de rescisão indireta do contrato de trabalho, porém estão sem clima para retornar à Toca.

A situação de Zé Eduardo é curiosa. No primeiro semestre, o jogador disputou o Campeonato Mineiro pelo Villa Nova. Depois, seguiu para o América-RN, também por empréstimo. Com nove gols em 11 jogos por esses clubes, foi requisitado pela diretoria celeste, que repassou 10% dos direitos econômicos ao clube potiguar como compensação pela liberação antecipada.

Zé Eduardo, contudo, não conquistou espaço nos treinamentos. Embora tenha sido relacionado para alguns compromissos, só esteve em campo por 20 minutos, no empate por 0 a 0 com o Oeste, pela 15ª rodada, na Arena Barueri, na Grande São Paulo. O técnico Ney Franco acabou demitido, e o substituto, Luiz Felipe Scolari, não deu oportunidade ao jovem de 21 anos.

O América-RN, então, mostrou-se interessado em contar novamente com Zé Eduardo, mas o Cruzeiro só o cederia novamente mediante duas condições: livrar-se do pagamento da maior parte dos salários e ter de volta os 10% de taxa de vitrine. O Dragão não aceitou.

(Foto: Gustavo Aleixo/Cruzeiro)

Sem perspectivas de ser utilizado na Toca, Zé Eduardo tentou forçar a saída para o América-RN e acabou colocado para treinar separado do grupo principal. Depois de quase três meses, decidiu recorrer à Justiça. Seu processo tem valor superior a R$2 milhões.

No caso de Jadsom Silva, a ação corre em sigilo. Contudo, antes de tomar a medida drástica, o volante foi sondado pelo Ludogorets, maior clube da Bulgária na atualidade, que se dispôs a pagar 700 mil dólares - R$3,8 milhões - por 50% dos direitos. O Cruzeiro, segundo apurou a reportagem, pediu cerca de R$13 milhões. Os europeus recuaram.

Em julho, o Athletico-PR já havia tentado, sem sucesso, contratar Jadsom com uma oferta de R$3 milhões por 30% do “passe”. Antes do litígio judicial, o meio-campista de 19 anos jogou 41 partidas pela Raposa na temporada 2020.

Em janeiro, quando era administrado pelo conselho gestor, o clube também lidou com debandada no elenco por causa de salários atrasados. Jogadores como o goleiro Rafael, o zagueiro Fabrício Bruno, o volante Éderson e os atacantes David e Fred buscaram os seus direitos na Justiça.

Felipão


Em meio aos desafios de gestão, cuja principal preocupação é a dívida superior a R$1 bilhão, o Cruzeiro pode ter que correr atrás de um novo treinador para 2021, pois Felipão voltou a colocar em xeque a continuidade em Belo Horizonte. Em entrevista ao canal de televisão WinSports, da Colômbia, ele se mostrou aberto a analisar convites de outras instituições.

“Vou pensar numa situação se saio ou se fico, dependendo de uma ou outra situação de convite, porque o primeiro trabalho, o trabalho que foi idealizado por mim e pelo Cruzeiro, foi que, nesses três meses, saíssemos da dificuldade maior, para uma dificuldade média e aí tanto o Cruzeiro como eu seguiríamos suas vidas”.

Scolari tem contrato com o Cruzeiro até dezembro de 2022. Se decidir sair, não terá de pagar indenização. Contudo, em uma eventual demissão sem justa causa, o clube precisará arcar com multa de R$10 milhões, de acordo com o portal UOL. Na Série B, o treinador dirigiu o time em 20 partidas: nove vitórias, sete empates e quatro derrotas (aproveitamento de 56,66%).

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