Ex-Cruzeiro, Fabrício lembra 6 a 1 e explica 'pé no freio': 'Caberiam oito'

Ex-jogador lembrou a emoção da maior goleada da Raposa sobre o Atlético

29/10/2021 12:26 / atualizado em 29/10/2021 12:55
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Fabrício foi capitão e autor de um dos gols da goleada histórica do Cruzeiro diante do Atlético, em 2011
foto: Renato Weil / Cruzeiro

Fabrício foi capitão e autor de um dos gols da goleada histórica do Cruzeiro diante do Atlético, em 2011


O ex-volante Fabrício lembrou a emoção que sentiu após a goleada do  Cruzeiro   sobre o  Atlético , por 6 a 1, na Arena do Jacaré, no dia 4 de dezembro de 2011, na última rodada do Campeonato Brasileiro. Com o resultado, a Raposa se livrou do rebaixamento na Série A daquele ano. Em entrevista ao canal  Camisa de Força , o ex-atleta celeste disse que o time poderia ter vencido por até 8 a 1, mas acabou 'colocando o pé no freio' no segundo tempo.

Fabrício disse que chegou a perder o sono por causa da preocupação com o risco de queda para a Série B, mas buscou confiança no retrospecto positivo do Cruzeiro contra o maior rival. Naquele momento, o time celeste nunca havia sido rebaixado, marca negativa alcançada em 2019, na gestão de  Wagner Pires de Sá, Itair Machado e Sérgio Nonato .

"Eu estava tão pilhado que eu me lembro de poucos momentos daquela semana. Lembro uma primeira conversa no início da semana, que todo mundo se reuniu para falar que só restava um jogo, a gente poderia ter garantido antes, mas ficou para a última rodada. E eu me lembro que eu pedi a palavra, estava muito confiante, porque eu vivi esta confiança de ir jogar com o Atlético e saber que ia ganhar, entendeu? A gente ia ganhar, meu irmão, não tinha jeito. Eu vivi isso durante quatro anos", disse Fabrício. 

"Eu cheguei e falei: 'é contra os caras, vamos relaxar, fazer o trabalho na semana, eu tenho certeza que vai dar certo, porque é sempre assim, a gente vai e ganha dos caras'. Mas depois, na semana, caramba, bicho, era pouco sono, preocupação, a gente saiu fora um pouco, mas era difícil não ficar pensando naquilo, uma noite antes foi insuportável, dei uns cochilos, e deve ter sido assim com todos os jogadores", acrescentou. 
O ex-volante jogou no Cruzeiro de 2009 a 2011, sendo tricampeão mineiro (2008, 2009 e 2011). Ele relembra o apoio da torcida. "O Cruzeiro nunca tinha caído na história, e aí a gente com palestra, psicólogo. E, no dia, foi muito bacana a torcida na Toca, fiz questão de ir sem fone, gostava de ouvir a torcida. E a Arena do Jacaré era propícia para aquilo. Só que tinha um lado ruim: só torcida nossa e o time caindo? A gente ia apanhar, a gente sabe como é, ia ficar feio pra caramba". 

A goleada sobre o Atlético foi o último jogo de Fabrício com a camisa do Cruzeiro. A Raposa não teve dificuldade e venceu o Galo por 6 a 1, com gols de Roger, aos oito minutos, Leandro Guerreiro, aos 28', Anselmo Ramon, aos 33', e Fabrício aos 45 minutos do primeiro tempo; Wellington Paulista, aos 11, e Everton, aos 45 minutos do segundo tempo, fecharam o placar. Réver descontou para o Atlético.

"A gente foi da Toca até lá escoltado pela torcida, a gente sentiu aquela energia positiva. É emocionante toda vez que eu me lembro da situação, sabia que poderia ser meu último jogo, mas deu tudo certo, dedicação total, galera toda foi incrível, fiz o quarto gol no final do primeiro tempo, e a gente chegou ao vestiário. Teve um repórter que veio me entrevistar e perguntou se já havia ganhado. Falei 'calma aí, foco'. Mas eu cheguei ao vestiário e já estava muito emotivo também, muito emocionado, tentando foco total, não falei nada. E a gente voltou e deu tudo certo, eu até achei que caberia mais, a galera deu pisada no freio, eu queria era mais. Na hora que fez o seis, eu disse 'vamos, vamos', e a galera deu uma pisada no freio", disse. 

Fabrício acredita que o Cruzeiro poderia ter vencido por 8 a 1 se não tivesse reduzido a intensidade do jogo. "Caberiam uns oito, mas está bom. Quando acabou o jogo, acabaram as minhas forças. É incrível quando a gente acredita que o ser humano tem uma capacidade de colocar o limite à prova, naquele dia corri muito, dedicação total, tendão de aquiles zoado no nível máximo, tomando corticoide para jogar, valeu tudo a pena. Na hora que acabou o jogo, o peso que saiu das minhas costas, desabei em choro, não conseguia fazer nada".

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