Após adeus ao Cruzeiro, Sobis quer 'beber tranquilo' e cortar EUA de moto

Jogador também ressaltou o desejo de aproveitar a família, se reunir com os amigos e tomar cerveja no bar sem ser xingado

24/11/2021 18:25 / atualizado em 24/11/2021 20:47
compartilhe
Rafael Sobis cortará os Estados Unidos de moto pela Rota 66
foto: Quinho/Estado de Minas

Rafael Sobis cortará os Estados Unidos de moto pela Rota 66



Rafael Sobis é um jogador que foge do padrão dos "boleiros". Em vez de pagode e sertanejo, prefere ouvir rock. Em entrevistas, tem o perfil "sem papas na língua" e costuma falar o que pensa. Com personalidade forte, o atacante de 36 anos, que se despede do futebol depois de 18 temporadas, precisou ser convencido pelo Cruzeiro a entrar em campo pela última vez, às 20h desta quinta-feira, contra o Náutico, no Mineirão, pela 38ª rodada da Série B. A mobilização dos torcedores nas redes sociais pesou. E o estádio terá 60 mil pessoas em um jogo que servirá apenas para cumprir tabela no campeonato.



Ao dar a derradeira entrevista coletiva como jogador profissional, nesta quarta-feira, Sobis agradeceu aos cruzeirenses por todo o carinho e lembrou também que será a última partida do volante Ariel Cabral pelo clube. O argentino de 34 anos atingirá a marca histórica de 200 jogos e dará sequência à carreira em 2022 possivelmente fora do Brasil.

"Olhando para trás, uma carreira maravilhosa. No Cruzeiro, que é um gigante, sei lá se poderia ter algo melhor. Ainda não estou pensando muito (no estádio lotado), pois estou tão na correria com esse jogo, trazendo familiares, que não estou tendo muito tempo para pensar. Mas, claro, estou a par das notícias e não tenho palavras para agradecer ao torcedor que estará vendo meu último jogo na carreira e o último jogo do Ariel, que é o estrangeiro que mais vestiu a camisa do clube. São várias sensações: de agradecimento e de olhar para trás e ver que fiz o correto. É desfrutar amanhã".



Na opinião de Rafael Sobis, a presença de 60 mil espectadores no Mineirão pode ser o divisor de águas para um 2022 de melhores resultados no Cruzeiro, que disputará a Série B pelo terceiro ano consecutivo. Depois dos fracassos de 2020 (11º lugar, com 49 pontos) e 2021 (no momento 13º, com 47), a esperança é que a sorte vire no ano que vem, e o camisa 7 bicampeão da Copa do Brasil de 2017 e 2018 esteja comemorando o acesso nas arquibancadas do Mineirão.

"O que tinha que ficar para trás, ficou. Que esse jogo seja o marco de uma nova era. O torcedor, nesse jogo que não vale nada teoricamente, lota o estádio numa loucura por ingressos. Isso mostra a grandeza do clube. Espero que no ano que vem eu esteja nas arquibancadas vendo o jogo do acesso ou comemorando o acesso. Do ano que vem, não passa. O que tinha para ser errado, já foi errado. As coisas agora vão melhorar".

Contra o Náutico, Sobis completará 177 jogos pelo Cruzeiro e 793 desde que se tornou profissional. Dos 185 gols, 37 foram anotados vestindo a camisa azul e branca, com a qual viveu momentos de glória na primeira passagem com o bi da Copa do Brasil, e crises além dos resultados ruins que acarretaram em vários meses de salários atrasados.

"O melhor fato foi a minha primeira passagem, vitoriosa, com títulos, saí com o clube maravilhosamente bem. O fato triste foi ver o que acontecer nesse meio do caminho na minha volta. A loucura da minha volta só se deu por causa desse momento. Vivi os dois extremos aqui dentro, sei muito bem o que era, o que está hoje e que o clube voltará ao seu lugar".




"A moto eu tenho há uns cinco anos. Está no Sul. Não vai dar para cumprir essa promessa aqui, porque na época em que eu falei a moto estava em BH, mas hoje está no Sul. Mas a Rota 66 eu espero que os meus amigos que prometeram ir comigo cumpram, e aí a gente vai aproveitar".

Sobis também pretende dedicar maior atenção aos filhos, Rafael e Nicholas, tomar cerveja em um bar sem ser xingado e fazer um churrasco no fim de semana enquanto os colegas de profissão se concentram para as partidas de futebol.



"Quero aproveitar minha família, curtir meus meninos que estão crescendo, ser o pai que não fui nesse tempo longe de concentração, quero ir à reunião da escola, quero aproveitar essa coisa normal da vida de todo mundo que minha profissão não me deixou fazer por um bom tempo. Claro, vou andar de moto, curtir, sentar no bar e beber sem que ninguém me xingue e aproveitar, com sabedoria, tudo que a vida me proprocionou".

Veja outras respostas de Sobis na entrevista

O que te motivou a abrir mão de uma ação trabalhista para voltar ao clube?

“Sobre essa ação, o que aconteceu? A gente repactuou (a forma de pagamento), no qual eu diminuí mais ainda o que me era devido. Está aí. Isso é entre eu e o Cruzeiro. E o que me motivou foi simplesmente paixão, gostar daqui, fui muito feliz em Belo Horizonte e no clube. É a cidade que eu mais vivi na minha profissão em termos de anos. Tenho muitos amigos aqui, é uma coisa que fiz, adorei e faria de novo. Acho que é isso. A paixão, saber de tudo que conheço, estou em casa. Não houve problema algum”.

Como você vê o potencial dos jovens jogadores do Cruzeiro?

“Para o torcedor, digo que eles têm qualidade. Claro que muitas coisas se atropelaram pela necessidade, pois muitos jogadores estão chegando ao profissional sem ter passado uma boa etapa. Talvez se o time estivesse muito bem, eles respeitariam as etapas e chegariam ao profissional de maneira correta. O jogo deles, a produção, a venda, o dinheiro para o clube, aquele processo normal de promessas. Mas tem que ter cuidado para não queimar etapas e saber também que em muitas vezes jogar na categoria de base é uma coisa, no profissional é outra. A exigência é maior de todo mundo no profissional, e jogar na base é mais tranquilo. Essa meninada tem que escutar bastante. Os que escutarem vão dar certo, vão produzir e vão render na profissão como um todo”.

Números de Rafael Sobis na carreira


Internacional - 214 jogos e 54 gols

Cruzeiro - 176 jogos e 37 gols

Fluminense - 174 jogos e 40 gols

Tigres-MEX - 70 jogos e 22 gols

Betis-ESP - 61 jogos e 8 gols

Ceará - 41 jogos e 8 gols

Al Jazira-EAU - 25 jogos e 9 gols

Brasil (principal) - 9 jogos e 1 gol

Brasil (olímpico) - 6 jogos e 2 gols

Brasil (sub-20) - 16 jogos e 4 gols

Total - 792 jogos e 185 gols

Títulos


Internacional

Copa Libertadores - 2006 e 2010
Campeonato Gaúcho - 2004, 2005 e 2011

Fluminense

Campeonato Brasileiro - 2012
Campeonato Carioca - 2012

Tigres

Campeonato Mexicano - 2015/2016

Cruzeiro

Copa do Brasil - 2017 e 2018
Campeonato Mineiro - 2018

Ceará

Copa do Nordeste - 2020

Seleção Brasileira

Medalhista de bronze nos Jogos Olímpicos de Pequim 2008

Compartilhe