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CAMPEONATO MINEIRO

COVID-19: o que pensam os 12 clubes sobre a paralisação do Mineiro?

FMF e governo estadual vão se reunir nesta segunda-feira para discutir a interrupção da competição por conta do avanço da pandemia de coronavírus

João Vitor Marques Luiz Henrique Campos
Campeonato Mineiro deve ser paralisado a partir de segunda-feira - Foto: Divulgação/Mineirão
Representantes da Federação Mineira de Futebol (FMF) e do governo de Minas Gerais vão se reunir nesta segunda-feira para debater a paralisação do Campeonato Mineiro como forma de frear o avanço da COVID-19. Segundo boletim epidemiológico divulgado neste sábado, o estado registrou, desde o início da pandemia, 1.023.969 e 21.764 mortes em decorrência do vírus. Mais de 80% dos leitos de UTI estão ocupados.



Diante do avanço do coronavírus no estado, o governador Romeu Zema (Novo) se antecipou à reunião com a FMF e, em entrevista nessa quinta-feira, avisou que o Estadual vai parar a partir de segunda. “Apenas esta rodada até domingo é que acontecerá. São pouquíssimos jogos (até a paralisação) e que estarão totalmente dentro dos procedimentos de segurança. E, a partir daí, tudo suspenso", declarou, em entrevista à EPTV.

Mas o que pensam os clubes em relação à paralisação? O Superesportes reúne o posicionamento dos 12 participantes do Campeonato Mineiro a respeito da pausa no calendário do futebol em meio ao pior momento da pandemia. Leia abaixo (em ordem alfabética):

América (contrário à paralisação)

 
Alencar da Silveira Júnior (presidente): “O futebol em Minas é uma forma de segurar a população em casa. O futebol em Minas é seguro, todos os atletas são testados e os jogos seguem protocolos rígidos. Já foram feitas pesquisas que mostraram a segurança dessa atividade. Governador (Romeu) Zema, não podemos parar o futebol agora”.

Athletic Club (não irá opinar)


Nota da assessoria de comunicação: “O Athletic não irá opinar sobre a possível paralisação. Iremos acatar o que for decidido pela Federação Mineira de Futebol (FMF)”.



Atlético (contrário à paralisação)

 
Nota da assessoria de comunicação: “O posicionamento do clube é o mesmo daqueles já manifestados pela FMF e da CBF. Portanto, no nosso entendimento, o futebol é um ambiente seguro, que adota todos os protocolos necessários e adequados para que possa ser mantido com segurança para a sociedade e para os profissionais envolvidos”.
 

Boa Esporte (contrário à paralisação)


Rildo Moraes (diretor): “Nossa ideia é seguir os protocolos, mas respeitando as decisões do governo estadual. Acho que trará um prejuízo ao futebol a paralisação neste momento. Mas, se for para parar, temos que parar. Acho que vai trazer prejuízo ao calendário, mas se for preciso parar, como vai fazer? Nós somos a favor de não parar, mas também entendemos o lado das autoridades”.
 

Caldense (contrária à paralisação)

 
Nota da assessoria de comunicação em nome do presidente Rovilson Ribeiro: “Acreditamos que o rigoroso protocolo de combate à COVID-19 que os clubes mineiros estão seguindo tem sido eficaz e que os jogos poderiam continuar seguindo as atuais determinações. Porém, se as autoridades julgarem que o melhor para todos neste momento é suspender as atividades, iremos respeitar.”

Coimbra (favorável à paralisação)

 
Hissa Elias Moysés (diretor): “Sou a favor da paralisação. Situação humanitária extremamente difícil, tudo que puder ser feito para minimizar esta situação é bem-vinda”.


 

Cruzeiro (não irá opinar) 

 
Nota da assessoria de comunicação: “Em relação aos temas referentes à pandemia de Covid-19, o Cruzeiro Esporte Clube adota como conduta o respeito às orientações e decisões dos órgãos de saúde competentes, seja em âmbito municipal, estadual e federal. 
 
Dessa forma, o Clube segue um rígido protocolo de prevenção e conscientização acerca da doença, o que o coloca como modelo entre as agremiações nacionais, com baixa incidência de contaminação nos atletas e comissões técnicas, funcionários, diretores e demais colaboradores”.
Cruzeiro realiza testes de COVID-19 em jogadores - Foto: Gustavo Aleixo/Cruzeiro
 

Patrocinense (contrário à paralisação)

 
Nota da assessoria de comunicação em nome do presidente Marcos Antônio da Silva: “O clube não é a favor da paralisação, já que os atletas são testados semanalmente. Com a paralisação, os atletas irão para casa e vamos perder o controle desses atletas. Outro ponto seria a parte financeira, já que os clubes do interior não têm condições. Normalmente, o orçamento é curto e mal dá para acabar o Campeonato Mineiro. Quando acaba, já estamos sufocados. A paralisação vai complicar mais ainda”.

Pouso Alegre (favorável à paralisação)

 
Paulo da Pinta (presidente): “O momento é delicado, a gente sabe o que vem passando no país por toda a dificuldade, por falta de leitos, falta de UTI para atender as pessoas que vêm tendo aqueles problemas mais graves relacionados à COVID-19. Nesse sentido, até por respeito a essas pessoas, o Pouso Alegre é a favor da paralisação do Mineiro.


 
Mas, ao mesmo tempo, a gente que está inserido no meio do futebol, no Campeonato Mineiro, vê o futebol como um dos segmentos exemplares no sentido de segurança. Em todos os jogos, a gente faz testes não só com atletas, mas com comissão técnica e também diretoria. Todos os que adentram o estádio são testados, além de não haver aglomeração. Todos os infectados são isolados. O futebol está cuidando dos protocolos. E alguns atletas que testaram positivo eram assintomáticos. Se tivessem continuado o treinamento, nem saberiam que estavam infectados.
 
O Pouso Alegre é a favor pela situação do país, mas se sente seguro no meio do futebol. A paralisação gera um custo a mais para os clubes, e os clubes do interior já vêm há um ano com muita dificuldade, mas, neste primeiro momento, vamos preservar a saúde, o nosso bem maior. Em respeito aos demais, aos familiares que têm perdido pessoas com a COVID-19, a gente respeita. Mas pedimos também cuidados no transporte, nos bancos e restrição de venda de bebidas alcoólicas para evitar aglomerações e festas. Esse é o posicionamento do Pouso Alegre. O lockdown deveria apenas ser mais abrangente e rigoroso”.

Tombense (contrário à paralisação)


Lane Gaviolle (Tombense): “Desde que os protocolos sejam cumpridos, acho que a gente tem uma situação muito bem controlada. O Tombense busca sempre estar bem controlado em relação a isso. É claro que é uma coisa muito difícil de resolver, mas acho que o futebol está dentro do limite de testagem, de as pessoas estarem totalmente conscientes do que estão fazendo. Esperamos que as coisas evoluam de uma maneira melhor e que a gente possa trazer esse entretenimento para as pessoas que estão em casa, com os jogos televisionados, que podem trazer um pouco de acalento para as pessoas.



O Tombense é favorável à continuidade desde que continue com as normas. A gente está dentro do protocolo, por isso acho que deve continuar. Se tiver que parar uma semana ou duas, também não afeta ninguém. A própria Federação falou que a gente tem uma situação de duas datas livres. A gente está pronto para se adequar às coisas que estão acontecendo”.

Uberlândia (favorável ao que decidirem as autoridades)

 
Rênio Carlos Garcia (presidente): “O Uberlândia não questiona o que as autoridades determinam. Os especialistas fazem medicina a vida inteira para falarem o que é certo ou errado. Não vai ser o presidente do Uberlândia, que é administrador de empresas, que vai falar o que é certo ou errado. Só digo que, financeiramente, pode ser muito perigoso para os clubes do interior, porque a gente recebe recursos pífios da TV, bem abaixo dos outros. A gente não é contra e nem a favor. Como a gente vai, numa pandemia, questionar o que determinam as autoridades? Não faz sentido”.

URT (contrária à paralisação)


Maria Isabel Pimenta (presidente): “A URT não concorda (com a paralisação). A gente respeita o posicionamento do governo do estado, mas acredita que o futebol, como testa todos os atletas, comissão técnica e quem trabalha, seria um dos lugares mais seguros hoje em relação à COVID-19. Mas o que ficar determinado, nos resta cumprir. Há um protocolo muito severo para ser cumprido, e a URT cumpre à risca. E a gente gostaria que o governo do estado ouvisse a Federação Mineira em relação às partidas continuarem, porque o prejuízo é enorme, principalmente para os clubes médios do interior. Para nós, é pior ainda. A gente acredita que vão sentar, nesta segunda-feira, a Federação Mineira e o governador do estado para achar a melhor solução para a gente tentar não ser prejudicado”.