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'Nunca te vi, sempre te amei'

Ex-jogadora de vôlei Ana Paula realiza sonho de ver jogo do Cruzeiro no Mineirão

11/08/2015 08:07 / atualizado em 11/08/2015 08:17
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foto: Ramon Lisboa/EM/D.A Press

"'Posso dizer que sou pé-quente. Fiquei toda arrepiada só de ver e ouvir a torcida cantando", diz Ana Paula


Há seis anos vivendo em Los Angeles, a ex-jogadora de vôlei Ana Paula – atual senhora Carl Henkel (ex-jogador e hoje advogado) – passou por Belo Horizonte no fim de semana para realizar um sonho: assistir a um jogo do seu Cruzeiro e conhecer o Mineirão. A antiga musa das quadras e da praia estuda arquitetura na cidade californiana e prepara um livro, sobre bullying infantil, do qual revela ter sido vítima. Ela não pensa em regressar ao Brasil, devido à insegurança política e econômica. Mas planeja vir aos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, no ano que vem, e estuda convites para ser comentarista pela TV.


Sonho
“Nunca tinha ido ao estádio. Meu pai, Paulo Monteiro Rodrigues, que já faleceu, vivia falando que queria levar a mim e minha irmã, Marcelle, mas minha mãe, Dorinha, não deixava. Dizia que futebol era coisa de homem, não para meninas. Lembro que ele falava dos ídolos Procópio, Tostão, Dirceu Lopes, Felício Brandi... Agora, apareceu a oportunidade.”


Emoção

“Sempre quis ver o Cruzeiro jogar, ainda mais num dia de vitória. Posso dizer que sou pé-quente. E ainda por cima ao lado de um dos ídolos do meu pai, o Procópio. Fiquei toda arrepiada só de ver e ouvir a torcida cantando. Foi emocionante, especial.”


Visita

“Vim ao Brasil visitar a Marcelle, casada com o André Heller. Eles vivem em Campinas e ela vai ter menino na próxima semana. Conversando com amigos daqui de BH, eles me convidaram para ver o jogo.”


Casamento

“Fui casada com Jeff Conelly, jogador de basquete; depois, com o Marcos Miranda, técnico de vôlei e pai do meu filho, Gabriel, que tem 14 anos. Hoje, estou casada com o Carl. Por isso me mudei para os Estados Unidos. Estou muito feliz com minha vida em Los Angeles.”


Esporte
“Não jogo mais. Já estava para parar, cansada das viagens. Quando fui para o vôlei de praia, era um lugar por semana, pelo circuito mundial. Queria jogar ainda, mas não queria ficar viajando. Nos Estados Unidos, poderia jogar o Campeonato Nacional e ainda tinha o Carl. Juntei a fome com a vontade de comer e fui embora.”

Estudante
“Faço arquitetura na UCLA (Universidade da Califórnia em Los Angeles). Devo terminar o curso em dezembro. Nos Estados Unidos, você tem de três a cinco anos para se formar. Optei por fazê-lo em quatro. Depois de me formar, vou me dedicar à profissão, que é um sonho também.”


A atleta
“Hoje, jogo uma vez por semana, vôlei de quatro, na areia, com outras jogadoras que estiveram em Olimpíadas, como Holly, Walsh, May, Fontana, Alice... Da primeira vez, pensei que seria brincadeira, como as peladas daqui. Mas, quando começou, vi que elas jogavam como se ainda estivessem competindo. Tive de dar o máximo. Pensei comigo: ‘Não posso ser mole aqui. Então vou jogar pra valer’. Ganhei todas as partidas. O problema foi depois. Fiquei três dias com o corpo doendo. Não aguentava nem me mexer. Depois, tive de me condicionar. Agora, jogamos uma vez por semana.”


Livro
“Estou escrevendo um livro que fala de bullying infantil. Essa história aconteceu por acaso. Dou palestras sobre esporte e incluí nelas as histórias de bullying. Fui uma vítima. Não quero dizer o nome nem onde, mas isso estará no livro. O atleta, quando jovem, está à merce de pessoas de má índole. Nas palestras, alguns pais vinham conversar comigo para que eu pudesse ajudá-los a alertar seus filhos para o problema. Eram tantos os pedidos, que resolvi escrever o livro. Ainda não dei o nome, estou pensando. Vai sair em inglês e português. Será destinado a crianças a partir dos 8 anos até jovens de 18.”


Olimpíada
“Virei ao Rio, ainda não sei como. Tenho convites de uma emissora de TV brasileira e uma dos Estados Unidos para ser comentarista e outro do Comitê Olímpico Norte-Americano. Como a Olimpíada será aqui, não acho certo aceitar. Se fosse em outro país, até poderia...”


QUEM É ELA
Ana Paula Rodrigues Henkel
Nascimento: 13/2/72, em Lavras
Altura e peso: 1,82m e 68kg
Posição:
Meio de rede
» Conquistas
Olimpíadas: Bronze em Atlanta’1996
Copas do Mundo: Prata no Japão’1995
Campeonato Mundial: Prata no Brasil’1994
Grand Prixs: Ouros em Xangai’1994, Xangai’1996 e Hong Kong’1998 e prata em Xangai’1995
Superliga Nacional: campeã em 1992 e vice em 1991, pelo Minas
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