Gustavo Nolasco

DA ARQUIBANCADA

Um Cruzeiro com menos Twitter e mais Salomé em 2018

Mesmo que os novos torcedores do Flamengo do Bairro de Lourdes se rasguem, 2017 terminou com o Cruzeiro campeão do Brasil, líder do ranking nacional, confirmando a sina de Rei de Copas

postado em 06/12/2017 09:30 / atualizado em 22/12/2017 15:02

 Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press

Um ano azul chega ao fim na mais completa normalidade em Minas Gerais: de um lado, o Cruzeiro pela nona vez campeão do Brasil e do outro, o time elitista do bairro de Lourdes torcendo para outros clubes, como agora, bem escondidinho, em louvor à camisa da segunda maior torcida do estado, a do Flamengo, bem na semana do #6x1Day.

Apesar dessa rotina entre grande e pequeno, houve tentativas de manchar a história em 2017. A retrospectiva registra tristes fatos tanto externa quanto internamente no Cruzeiro. De fora, vieram cânticos homofóbicos e racistas da torcida de alto-falante no Ginásio do Horto; imprensa carioca tentando motivar o Flamenguinho com mentiras sobre o elenco estrelado e o craque (Partiu) Luan (Fábio!), no dia em que merecidamente teve o seu talento coroado nas Américas, correndo ao microfone não para celebrar, mas sim para desnudar seu rancor por ter sido eliminado pelo Cruzeiro na Copa do Brasil.

Internamente, houve indícios de uma quase “síndrome de atleticanização”, com dívidas aumentando sem controle e promessas de Anelkas pela imprensa. Além disso, uma disputa política para ser esquecida e apagada de nossa história, onde reinou o submundo de tramas, traições e golpes protagonizados por ex-amigos, torcedores se prestando ao papel de soldadinhos de Twitter e plantação de crise via imprensa e B.Os.  Um triste embate político que deveria ter prezado pela grandeza de homens, mulheres e famílias que fundaram o clube popular Palestra Itália em 1921.

Tudo isso poderia ter deixado a nossa retrospectiva no mesmo nível da lama nacional, mas só não ocorreu por um incontestável e eterno fato: o Cruzeiro é grande demais. Somos a torcida gigante das arquibancadas, de todos os cantos e grotões de Minas Gerais. Por isso, mesmo que os novos torcedores do Flamengo do bairro de Lourdes se rasguem, 2017 terminou com o Cruzeiro campeão do Brasil, líder do ranking nacional, confirmando a sina de Rei de Copas e devolvendo o clube brasileiro mais temido da América do Sul ao cenário da Libertadores.

Olhando para o futuro próximo, temos muito o que esperar. Os desejos vão se acumulando e a expectativa quanto ao novo comando do clube é grande. Dentro das quatro linhas, desejamos um grupo “família” como foram os de 2013, 2014 e 2017. Queremos laterais ao estilo do nosso futebol arte. Exigimos um número 9 digno de vestir a camisa de Ninão Fantoni.

Fora do gramado, esperamos diretoria e oposição sentadas na arquibancada da Toca da Raposa III, o Mineirão, ao lado da nossa rainha Salomé. Escutando seu coração azul vibrar, seus gritos e pensamentos e aprendendo que não é no Twitter que se conversa com o torcedor, mas no abraço de um gol.

Uma diretoria que tome um banho de paixão e uma oposição responsável e sem artimanhas. Entendendo coletivamente, uma vez por todas, que a grandeza de ser cruzeirense é uma resistência azul e popular, simples e honesta para com a nossa história.

La Bestia Negra voltou. Regressou para mostrar que atitudes e adversários pequenos não são capazes de abalar o muro de concreto ruim de derrubar chamado Cruzeiro.

Bem vindo, 2018, nós cruzeirenses estamos pronto para lhe encher de títulos.

Seu Lúcio
Chegou a hora de mostrar a força da torcida do Cruzeiro: todos já conhecem a campanha do coletivo Memória Celeste para conseguir recursos para transformar em filme a história do Seu Lúcio, o cruzeirense cego que vive na Amazônia e sonha em escrever um livro em braile sobre o clube. Falta pouco para bater a meta. Ajude a mostrar a nossa força! Entre no link aí e se torne um dos apoiadores dessa causa: www.catarse.me/azulescuro

Divulgação

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