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COLUNA DO JAECI

O campeão tem nome: CAM

Se o Atlético fechar o turno com 41 ou 42 pontos, precisará de mais 30 no returno, com 27 por disputar em casa. Onde é quase imbatível

postado em 05/08/2015 12:00

BRUNO CANTINI / ATLÉTICO
Visitei o museu da CBF na quinta-feira com meus filhos. Todo apaixonado por futebol deve conhecê-lo, tamanho o seu acervo. Encontrei o presidente do Palmeiras, Paulo Nobre, acionista de um desses grandes bancos brasileiros que faturam bilhões por trimestre, às custas de juros absurdos cobrados da população. Sempre sincero, disse-lhe que seu time não chegará entre os quatro primeiros do Brasileiro. Espantado, ele me perguntou por quê. Primeiro porque o acho ruim, com jogadores medianos para baixo. Segundo porque não é a toda hora que se ganha contratando 32 atletas, alguns com salários absurdos. Terceiro porque considero seu técnico fraco. Contra adversário fechado, não triunfa. Nem nos mata-matas nem quando enfrenta o Atlético, sério candidato ao título. Coincidência ou não, domingo, diante de um rival mais ou menos armado, o Atlético-PR perdeu em casa por 1 a 0, gol do gordinho Valter. E no próximo domingo, no Mineirão, sou mais Cruzeiro, que começa a ganhar corpo e forma, mesmo longe do ideal. Luxemburgo o pegou na vice-lanterna e hoje está em 14º lugar, mas podendo subir.

Não me iludo com nada mais na vida. O futebol anda viciado, com salários irreais. Nobre já emprestou ao Palmeiras cerca de R$ 180 milhões, mas vai cobrar a conta lá na frente. Se conseguir algum título em sua gestão, tudo será esquecido. Mas se não conseguir, será tachado de péssimo dirigente, de irresponsável etc. Ele me parece sério, mas está embarcando numa furada, achando que com 32 contratações montará um esquadrão. Quantidade não é qualidade. Pagar R$ 800 mil mensais a um jogador mediano é irresponsabilidade, bem como de R$ 400 mil a R$ 600 mil a um treinador. Qual deles apresentou alguma novidade nos últimos tempos? Nosso futebol é pobre em criatividade, organização e esquema tático.

Por isso acredito muito no Atlético, que faz campanha brilhante, com time sem craques, mas cuja maioria dos jogadores leva nota 8. Que joga bonito, busca o gol e tem em Lucas Pratto uma referência para os jovens da posição. Ele dificilmente erra o alvo. Ou é gol ou o goleiro faz defesa difícil ou a trave salva o adversário. Além disso, participa do jogo como poucos. Há tempos não vejo centroavante assim. E não o comparem a Guerrero. O atacante do Flamengo é bom empurrador de bolas para as redes. Pratto é bem mais que isso. Daniel Nepomuceno acertou em cheio ao contratá-lo quando uma dezena de clubes o queriam. Além de tudo, há o sangue argentino, o que os hermanos têm de melhor. Não gostam de perder, lutam pela bola como se fosse um prato de comida.

Nepomuceno merece elogios quando privilegia sua imensa torcida, levando os grandes jogos para o Mineirão. Além do público maior, o clube fatura muito mais, a arrecadação chega a superar três vezes as do Independência. Jogos de porte médio ele mantém no Horto. Acho excelente, principalmente pelo conforto do Gigante da Pampulha e por permitir a mais torcedores assistirem à grande campanha do time. No Independência, seriam apenas 20 mil privilegiados. No Mineirão, quase 60 mil. E o que o torcedor mais quer é chegar ao fim da temporada orgulhando-se de dizer que esteve na maioria dos jogos em casa. Acompanhar in loco uma trajetória que pode resultar num título sonhado há 44 anos é fundamental para esses fanáticos atleticanos, que criaram até o dia de São Victor, o goleiro que defendeu um pênalti histórico. E para eles o presidente tem mesmo de tirar o chapéu e fazer o máximo para não decepcioná-los.

Há quem ache cedo apontar um campeão brasileiro. Não concordo. Galo, Corinthians, São Paulo, Grêmio e Sport vão brigar até o fim. Se o Atlético fechar o turno com 41 ou 42 pontos, precisará de mais 30 no returno, com 27 por disputar em casa. Onde é quase imbatível, pela disposição da Massa, pela organização do time, pela vontade de ganhar de Lucas Pratto, pela qualidade de Thiago Ribeiro e pela eficiência de Leonardo Silva, zagueiro dado como acabado quando trocou de lado da Lagoa. Além disso, o Galo vai pontuar fora. Estou cada dia mais otimista em relação à conquista e não acho que nenhum dos concorrentes a impedirá. Futebol não tem lógica, mas premia, sim, o mais regular e consistente, de estilo mais bonito. E não tenho dúvidas de que até aqui essa equipe atende pelo nome de Clube Atlético Mineiro.

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