'Xavecar o momento': Piu ganha tubaína e diz segredo para tempo histórico

Brasileiro levou o bronze numa das provas mais impressionantes do atletismo nos Jogos Olímpicos da Era Moderna

Alison dos Santos conquistou a primeira medalha olímpica individual do Brasil nas pistas de atletismo 1988
foto: Javier Soriano/AFP

Alison dos Santos conquistou a primeira medalha olímpica individual do Brasil nas pistas de atletismo 1988

Alison dos Santos, o "Piu", nem parecia estar em uma final. Ao pisar na pista em que se consagraria pouco depois, o brasileiro de 21 anos levou a mão ao ouvido direito em pedido para que a torcida (formada por atletas) gritasse mais alto no Estádio Olímpico de Tóquio na madrugada desta terça-feira (tarde no Japão). E se divertiu. Em 46s72, fez um tempo que lhe garantiria o ouro em qualquer edição dos Jogos nos 400m com barreiras. Mas ficou com o bronze em uma das provas mais impressionantes da história centenária da Olimpíada.

Feliz, leve e descontraído, Piu - o "Malvadão" para a torcida brasileira - levou as mãos à cabeça sem acreditar no que havia conseguido fazer. Bateu o recorde sul-americano pela sexta vez neste ano e foi protagonista ao conquistar a primeira medalha olímpica individual do Brasil nas pistas de atletismo desde o bronze de Robson Caetano nos 200m em Seul, 1988.

O segredo para uma performance tão impressionante? Aproveitar o momento. Ou melhor: "xavecá-lo". "Sempre me dei muito bem aquecendo descontraído, levando tudo na leveza, escutando música, me divertindo e realmente 'xavecando' o momento", contou Piu, em declaração que tirou risadas dos jornalistas que o entrevistavam.

Fotos do bronze de Alison dos Santos, o Piu, o Malvadão

O medalhista de bronze ficou alguns segundos atônito antes de ir ao chão depois de ver no telão o tempo que havia conseguido. À frente dele, apenas o norueguês Karsten Warholm (45s94, novo recorde mundial) e o estadunidense Rai Benjamin (46s17). Depois de levar as mãos à cabeça em incredulidade, pegou uma bandeira do Brasil e correu em direção às tribunas para abraçar quem o havia incentivado durante a prova.

Mas engana-se quem pensa que Piu não sentiu a pressão. O jeito descontraído é justamente uma forma de aliviá-la. "Eu estava muito ansioso, muito nervoso, com medo, porque tem pessoas que estavam assistindo. Queria dar orgulho para elas, porque tem o trabalho de pessoas, que estavam na pista comigo, e eu não poderia decepcioná-las", admitiu.

Pressão aliviada


Nas semifinais olímpicas, Piu chegou ao estádio ouvindo o funk "Vulgo Malvadão". Na pista, dançou. E a brincadeira lhe rendeu um novo apelido. Na final desta terça, porém, o "Malvadão" mudou a trilha sonora.

"Hoje eu escutei bastante rap, músicas com letras muito boas, que me faziam pensar, querer ser melhor. Escutei a música do Kyan, 'O Menino que Virou Deus'. Eu aconselho", disse.

"Na música, ele fala que eu trouxe esperança para dentro de casa, sossego para dentro de casa, e que eu só voltaria pra casa quando cumprir a missão que foi dada. E hoje a gente cumpriu a missão. Dia 5 estou em casa e esquece!", completou.
Ao chegar em casa, o paulista de São Joaquim da Barra já tem um programa marcado: tomar uma tubaína, já que ganhou a aposta feita com uma amigo (correr abaixo de 47s). "Tomar na Itubaína e esquece. Estou louco por ela. Não aguento mais", riu e partiu para a festa.
 

Fotos: todas as medalhas do Brasil nos Jogos Olímpicos de Tóquio

 

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