Brasil vence Coreia do Sul e enfrentará EUA por ouro do vôlei feminino

Em jogo de paciência, Seleção Brasileira supera forte defesa coreana, faz 3 sets a 0 e conquista vaga na final dos Jogos Olímpicos de Tóquio

06/08/2021 10:27 / atualizado em 06/08/2021 18:27
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Brasil avança à final olímpica no vôlei feminino
foto: Yuri Cortez / AFP

Brasil avança à final olímpica no vôlei feminino


Quem vê o placar apontar 3 sets a 0 pode imaginar que a semifinal olímpica do vôlei feminino contra a Coreia do Sul foi simples para o Brasil. Mas o roteiro não foi exatamente esse na manhã desta sexta-feira (tarde no Japão) na Ariake Arena. A Seleção Brasileira precisou de muita paciência para superar a forte defesa adversária, vencer com parciais de 25-16, 25-16 e 25-16 e conquistar a vaga na final dos Jogos Olímpicos de Tóquio.

Fotos da vitória brasileira sobre a Coreia do Sul, pela semifinal dos Jogos de Tóquio



A decisão será na madrugada de domingo, à 1h30 (horário de Brasília), contra a forte Seleção dos Estados Unidos, novamente na Ariake Arena.

As estadunidenses apresentaram grande nível na semifinal contra a Sérvia e fizeram 3 sets a 0 para garantir lugar na disputa pelo ouro. Sérvias e coreanas decidem quem fica com o bronze em jogo marcado para sábado, às 21h.

Brasil e EUA se enfrentaram recentemente na final da Liga das Nações. Em 25 de junho, as estadunidenses perderam o primeiro set, mas viraram para fechar em 3 sets a 1 e conquistar o título da competição disputada em Rimini, na Itália. Foi o último evento antes dos Jogos Olímpicos.



Recorde batido


Com a vitória, o Brasil garante ao menos a medalha de prata no vôlei feminino. Com isso, o país alcança 20 pódios e bate o recorde anterior (19), registrado nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro.

O Brasil sabe a cor de 16 medalhas: quatro de ouro, quatro de prata e oito de bronze. Outras quatro (futebol masculino, vôlei feminino e duas no boxe, com Hebert Conceição e Beatriz Ferreira) podem ser douradas ou prateadas. 

O jogo


Além das dificuldades impostas pela Coreia do Sul, o Brasil precisou superar um eventual desequilíbrio mental causado pela exclusão de Tandara da competição. A oposta foi testou positivo em um exame antidoping realizado antes da Olimpíada e deixou o Japão logo após saber o resultado. Foi detectada a presença da substância Ostarina.

A ponta Rosamaria foi escolhida para entrar na posição. Destaque na vitória sobre o Comitê Olímpico Russo nas quartas de final, ela foi muito bem mais uma vez e dividiu com Fernanda Garay as principais ações ofensivas do time.

E foi preciso muita paciência para superar as coreanas, que, como é costumeiro, se defenderam muito bem. Mas o Brasil combateu a fortaleza adversária com uma marcação também muito forte (com bloqueio e recepção bastante efetivos).

No ataque, o time foi menos imprevisível. Recuperada de uma lesão no tornozelo direito, a levantadora Macris ditou o ritmo ofensivo do Brasil rumo à final olímpica. Agora, é buscar o terceiro ouro (depois dos dois em Pequim, 2008, e Londres, 2012).
 

Palavras do comandante


O técnico da seleção feminina, José Roberto Guimarães, conversou com os jornalistas brasileiros após a vitória sobre a Coreia do Sul. Ele disse ter ficado 'paralisado' ao receber a notícia do doping de Tandara e revelou que a atleta garantiu 'inocência' em conversa privada.

"Eu recebi a notícia de madrugada e fiquei paralisado. Vamos ver os procedimentos que a gente tem que tomar. Eu tinha duas preocupações: ela e o grupo. Aí, logo pela manhã, eu conversei com ela e ela disse: 'Eu estou limpa, não tomei absolutamente nada'. Eu falei: 'Vamos pensar na sua defesa, faz a melhor coisa possível'. Só que ela não podia permanecer. Ela tinha que voltar para o Brasil. Exigência de toda a organização. Ela está suspensa e não pode permanecer", afirmou.

Em seguida, José Roberto destacou a preocupação ao passar a notícia ao grupo. 'Foi tenso', avaliou. Ainda assim, o treinador buscou reverter o foco das atletas para o duelo contra a Coreia.

"E aí, a preocupação de encontrar com o grupo e passar a notícia. Foi tenso. Eu só pedi ao 'papai do céu' para me iluminar, porque é um baque. E aí, disse: 'Uma coisa complicada que a gente tem que conversar'. Todas ficaram olhando sem acreditar no que estava acontecendo. Eu disse: 'Olha, aconteceu, mas nós temos uma causa. Nós temos um jogo que temos que ganhar para tentar realizar o nosso sonho. Não tem outra coisa a fazer'", disse.

Baque como impulso?


Questionado se a ausência de Tandara serviria como motivação para o grupo, Zé Roberto opinou que não. Ele espera que o time vá para a final com a 'melhor energia' e que 'jogue por ela também'.

"Eu não penso dessa maneira (que o baque vai funcionar como um impulso). Eu penso que, agora, nós também vamos viver o nosso luto e pensar no próximo jogo. Porque aconteceu. Não dá para mudar isso. Agora, a gente tem que ir para o jogo com a melhor energia que a gente possa e jogar por ela também", declarou.

Brasil avança à final olímpica no vôlei feminino
foto: Yuri Cortez/AFP

Brasil avança à final olímpica no vôlei feminino


Decepção, foco na defesa e 'página virada'


Zé Roberto enfatizou a tristeza de Tandara ao receber a notícia do doping. De acordo com o técnico brasileiro, a oposta estava 'devastada'. "Ela diz que está tranquila, está limpa, não consumiu absolutamente nada. Estava muito abalada. Muito triste, chorou muito. Estava devastada. Muito, muito. Eu esperei ela respirar, porque estava difícil, mas aí foi se acalmando e foi quando a gente analisou os procedimentos. (...) Me acordaram, e de manhãzinha, cedinho, a gente já começou a conversar sobre isso", garantiu.

"O médico só perguntou o que ela tinha consumido. Ponto. E que ela tinha que fazer a defesa dela e só. 'Não consumi absolutamente nada, e agora vou ver os procedimentos'. Não ficamos alongando muito. Quando ela falou: 'Não consumi', acabou. Vamos preparar a defesa e vamos tocar a vida. Não tem outra coisa a fazer", completou.

Perguntado sobre a possibilidade de que o time faça uma homenagem à jogadora, independentemente da cor da medalha no pódio, o técnico acredita que isso ocorrerá. "Eu acredito que sim (vai ter homenagem). Ela teve o ciclo todo, ela correu, se dedicou. Então, eu acho uma pena, mas, se Deus quiser, não vai dar nada. Ela vai comprovar que não consumiu, que está tudo bem", projetou.

Por fim, Zé Roberto reforçou a necessidade de 'virar a página' e estabelecer foco na decisão, diante dos Estados Unidos. "Eu senti o time virando a página para o jogo. Agora, eu não sei como é que elas estão. Porque estão na euforia e tudo mais. (...) A gente vai conversar agora, mas visando o que a gente tem pela frente. Não adianta a gente ficar dando muito enfoque nisso, porque agora é resolver o problema dela e pronto", finalizou. 

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