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UM MOMENTO NA HISTÓRIA

Vídeo raro mostra Tostão se recuperando em Houston, às vésperas da Copa do México

Ídolo do Cruzeiro operou aos cuidados do médico Roberto Abdalla Moura, mineiro de Araguari, que atendia no Hospital Metodista de Houston

postado em 10/04/2018 09:24 / atualizado em 23/04/2018 13:27

Suspense sobre a condição física de grandes craques é comum no caminho da Seleção Brasileira às vésperas de Copa do Mundo. Foi assim com o joelho direito de Zico antes do México’1986, o corte de Romário por lesão muscular na França’1998 e, no mês passado, a cirurgia no quinto metatarso do pé direito de Neymar, em Belo Horizonte, a 100 dias do Mundial da Rússia. Um desses grandes dramas ocorreu, justamente, com um ídolo mineiro: em outubro de 1969, Tostão precisou passar por cirurgia em Houston (EUA), por causa de descolamento de retina, situação que se agravou devido a uma inflamação em fevereiro de 1970 – a quatro meses da Copa do México.

Quase meio século depois, o Superesportes resgatou imagens raras do ídolo cruzeirense durante a recuperação no Texas, quando operou aos cuidados do médico Roberto Abdalla Moura, mineiro de Araguari, à época com 34 anos, que atendia no Hospital Metodista de Houston. O vídeo digitalizado do acervo da extinta TV Itacolomi, dos Diários Associados, é o sexto episódio da seção Um momento na história.

“Foi um procedimento cirúrgico difícil, pois não existia a tecnologia que tem hoje. Ele foi operado e a cirurgia foi um sucesso, tanto que ele jogou a Copa com a visão muito boa”, lembra Roberto, hoje com 82 anos. Aluno de Hilton Rocha, o médico estudou em Harvard e lecionava em Boston, quando foi convidado para trabalhar no recém-inaugurado centro médico, o maior hospital privado dos Estados Unidos, em 1967.

O drama de Tostão começou em 24 de setembro de 1969. Em noite chuvosa de reabertura do Pacaembu, pela quinta rodada do Robertão, Tostão teve o olho esquerdo atingido de raspão pela bola chutada com violência pelo zagueiro Ditão. Já em BH, o jogador teve o triste diagnóstico constatado pelo oftalmologista Geraldo Queiroga: descolamento da retina.

Tostão recebeu a recomendação de operar em Boston ou Houston, mas optou pelo Hospital Metodista da cidade texana. A cirurgia durou três horas e 35 minutos. A recuperação durou 20 dias e Tostão voltou a Belo Horizonte saudado pelos torcedores, que ansiavam o retorno do ídolo aos gramados. Mas o drama ganhou novo capítulo no início de 1970, a poucos meses da Copa. Em 30 de janeiro, embarcou para exame de rotina em Hoston, mas uma inflamação no olho atrasou sua volta.

“Hemorragia adia volta de Tostão”, era a manchete do Estado de Minas de 7/2/1970. “Tostão sofreu uma hemorragia interna no olho esquerdo, provocada por uma alergia e teve de adiar sua viagem de hoje para a terça-feira que vem”, completava o jornal.

 

Arquivo EM

RETORNO AOS GRAMADOS

Gladyston Rodrigues/EM/D.A. Press
Naquele momento, João Saldanha, que ainda era o técnico da Seleção, ressaltava sua confiança no retorno de Tostão e criticava as especulações em torno da saúde do craque. O exame definitivo foi feito na manhã de 17 de fevereiro, data de seu retorno ao Brasil, em voo que fez escala em Miami e Caracas antes de chegar ao Galeão, no Rio.

A volta aos gramados foi em 31 de março, em coletivo da Seleção aberto ao público, no Maracanã – a dois meses da estreia na Copa. Durante a aclimatação, ele sofreu um derrame na vista, mas dentro do previsto. “O Zagallo me chamou para ir ao México, depois de um treino, em Guanajuato, para saber se o homem jogava ou não jogava. Era período de inscrever os 23 jogadores e eu disse que ele estava pronto e só não jogaria por questões técnicas – o que era uma brincadeira da minha parte, pois eu sabia do talento dele. O Zagallo até me elogiou dizendo que eu era o primeiro médico que não ficava em cima do muro”, relembra Roberto.

Roberto acompanhou a Seleção em todos os jogos e, desde então, é amigo próximo do ex-jogador – que também se formou em medicina ao encerrar precocemente a carreira, em 1973, depois de novas complicações nos olhos. No México, Tostão brilhou. Com a camisa 9, marcou dois gols na vitória sobre o Peru, por 4 a 2, e sagrou-se tricampeão mundial.

 

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