UAI


Análise: saiba como joga o Santos de Carille, próximo adversário do América

Superesportes ouviu analista de desempenho, que destrinchou modelo de jogo do Peixe; equipes farão confronto direto neste sábado (23), na Vila Belmiro

22/10/2021 16:15
compartilhe
Conheça o modelo de jogo do Santos de Fábio Carille, próximo rival do América
foto: Ivan Storti/Santos

Conheça o modelo de jogo do Santos de Fábio Carille, próximo rival do América


O América se prepara para mais um confronto direto na Série A do Campeonato Brasileiro. Neste sábado (23), às 17h, o Coelho visitará o Santos na Vila Belmiro, em partida válida pela 28ª rodada. Mas como joga o time de Carille, próximo adversário no Brasileirão? O Superesportes ouviu um analista de desempenho sobre o tema.

 

 

 

Com uma campanha abaixo das expectativas no Campeonato Brasileiro, o Santos ocupa a 15ª posição, com 29 pontos. O Peixe depende de uma vitória contra o América para alcançar o clube mineiro, 13° colocado, em número de pontos.

Até então, a equipe paulista tem apenas seis vitórias no Brasileirão, além de 11 empates e nove derrotas. O Santos marcou 23 gols (quarto pior ataque da competição) e sofreu 32. Neste momento, de acordo com o Departamento de Matemática da Universidade Federal de Minas Gerais, o Peixe tem 33,9% de chances de ser rebaixado pela primeira vez à Série B.

Análise tática


O analista de desempenho Andherson Oliveira fez uma avaliação completa do Santos sob o comando de Fábio Carille. Na visão do analista, o Peixe ainda é uma equipe em fase de adaptação às ideias do novo treinador. A transição ofensiva (momento após a recuperação da posse de bola) se destaca como ponto forte, enquanto a organização ofensiva (momento em que se tem a posse, mas o adversário está preparado para defender) ainda precisa evoluir.

"O Santos do Carille ainda é uma equipe em fase de adaptação. Muito por conta do tempo de trabalho - um trabalho curto. Ele chegou há um mês e 15 dias. Muito por conta também das características dele e dos jogadores. O Carille tem um modelo de jogo diferente dos últimos treinadores que passaram pelo Santos. Então, tanto os jogadores ainda estão se adaptando ao Carille quanto o Carille se adaptando aos jogadores.

Carille tenta implementar sua filosofia de jogo no Santos
foto: Ivan Storti/Santos

Carille tenta implementar sua filosofia de jogo no Santos

A amostra é curta, mas traçando um paralelo desse trabalho com o anterior, do Diniz, o Carille já conseguiu 'colocar o dedo dele' em algumas questões. Hoje, o Santos tem uma equipe bem mais sólida em fase defensiva. Tanto se organizando defensivamente quanto transitando (momento após a perda da posse de bola). É uma equipe que está se defendendo melhor, que tem protegido melhor o seu entrelinhas. Uma equipe que tem sofrido menos quando a última linha tem que baixar para recuperar a profundidade (espaço às costas). Por característica do Carille, tem defendido bem o funil (região da entrada da área).

Ainda assim, é uma equipe que involuiu em outros pontos em comparação com o trabalho do Diniz. Por exemplo, a organização ofensiva do Santos, hoje, é um dos pontos que é muito criticado pela torcida e pela imprensa. Porque antes, o time do Diniz pecava na finalização mas criava, tinha um certo volume de criação de jogadas. Hoje, o time do Carille tem uma certa dificuldade. É um time que ainda carece de dinâmicas para poder entrar no último terço do campo. É claro, muito por conta do trabalho ainda estar em um estágio inicial. 

O Carille chegou se preocupando em melhorar a parte defensiva, porque era uma equipe que sofria muito gol. Sofria muito com bola parada e, hoje em dia, já melhorou muito isso - por mais que tenha sofrido alguns gols de bola parada recentemente. O Santos sofria muitos gols em escanteios e isso não vem acontecendo mais.

Se você olhar os resultados, tudo que eu disse estará bem refletido. É um time que está tomando menos gols, mas também está fazendo menos gols. Acredito eu que é um trabalho que tem uma margem de crescimento. Por mais que a torcida da região não tenha simpatizado muito com o Carille, eu acredito que é um modelo de jogo que se assemelha mais às características do Santos.

O Santos do Cuca era uma equipe que fazia muito gol em ataque rápido e em transição ofensiva (momento após a recuperação da bola). Era uma equipe que sentia dificuldade em atacar posicional (com o adversário mais organizado para se defender), ou atacar como o Diniz atacava - ocupando muito o setor da bola, atacando em bloco, enfim. Penso eu que é uma equipe bem mais voltada para jogar em transição ofensiva. E é nisso que o Carille tem apostado ultimamente: uma transição forte.

Nesse contexto, alguns jogadores têm se estabelecido. O Lucas Braga, por exemplo, voltou ao time titular. O Marinho tem se sentido mais à vontade com esse modelo de jogo. São dois jogadores que protegem bem o corredor, baixam bem para fazer dobra de marcação com os laterais, se sentem à vontade atacando espaço - então, se sentem à vontade jogando em transição.

Marinho busca retomar ótimo nível de 2019 e 2020 no Santos
foto: Ivan Storti/Santos

Marinho busca retomar ótimo nível de 2019 e 2020 no Santos

É uma equipe que está competindo muito. Perde a bola no ataque, tenta marcar em bloco alto. Só que, diferente do Diniz, que fazia uma pressão constante, é um time que faz a temporização. Então, quem está no setor da bola pressiona, e o restante do time baixa para poder ocupar espaço. É uma equipe que está tentando conquistar pontos assim: competindo no jogo sem bola e competindo no jogo com espaço, em transições.

O Carille tem deixado bem claro nas últimas coletivas que está incomodado com a organização ofensiva do time. Então, por exemplo: ele quer que o time varie mais de corredor, quer que o time apresente mais dinâmicas em organização ofensiva, quer melhorar a ocupação da área quando a bola está no lado oposto.

É um trabalho em estágio inicial, que tem potencial de crescimento, mas a evolução é gradativa. O time ainda sente algumas dificuldades. Psicologicamente, é um time que se abala muito quando toma um gol. Dificilmente, consegue buscar um resultado nessas ocasiões.

Pelo que é passado pelas pessoas do clube, hoje o Santos não faz projeção nenhuma para o campeonato. O Santos planeja ir no jogo a jogo muito por conta disso: é um time que, psicologicamente, é muito abalado. O Carille está tentando fazer de cada jogo uma final. Foi assim com o Grêmio, foi assim com o Sport no domingo passado, e é assim como vai ser contra o América agora no sábado. Estão colocando esse jogo como uma final de campeonato.

Nos últimos jogos, o Santos tem jogado com linha de três zagueiros, mas pelo que se diz, entrará com linha de quatro contra o América. Muito provavelmente, contra o América, vai entrar num 4-1-4-1 ou em um 4-3-3. Isso é o que está sendo especulado.

Eu também penso que pode manter o esquema com três zagueiros por conta do duelo entre Santos e Juventude. Na ocasião, o Santos perdeu de 3 a 0 com todos os gols na segunda etapa, mas fez um primeiro tempo muito bom - foram os 45 minutos iniciais que o Carille mais gostou. O time criou bastante, agrediu bastante. Como o Marquinhos Santos (ex-Juventude) acabou de assumir o América, pode ser que o Carille esteja com isso na cabeça".

Compartilhe