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'O América é uma das SAFs mais cobiçadas do Brasil', afirma especialista

Em entrevista ao Superesportes, advogado analisa possível venda da SAF americana; Coelho aguarda proposta numérica de três investidores

07/06/2022 06:00 / atualizado em 06/06/2022 17:47
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Especialista acredita que o América tem diversos pontos que atraem possíveis investidores
foto: Divulgação/América

Especialista acredita que o América tem diversos pontos que atraem possíveis investidores


"O América é uma das SAFs (Sociedade Anônima de Futebol) mais cobiçadas do mercado brasileiro". Essas foram as palavras de Luiz Henrique Martins, advogado que presta consultoria para clubes com a intenção de migrarem ao modelo empresarial, em entrevista ao Superesportes



Luiz é advogado desde 2003, com atuação nas áreas de direito público e empresarial. Ele é ex-presidente da Associação de Clubes de Futebol Profissional de Santa Catarina (SC Clubes) e ex-diretor presidente do Clube Atlético Tubarão, um dos primeiros clubes-empresa do Brasil.

O profissional participou, junto ao Congresso Nacional, de audiências públicas e comissões na construção da legislação sobre o modelo empresario em clubes do Brasil. Ao analisar a provável venda da SAF do América, não teve dúvidas em afirmar que o Coelho é muito atrativo aos investidores. 

"O América, ao meu ver, é uma das SAFs mais cobiçadas do mercado brasileiro. O América é um time perfeito para se fazer a SAF, se não for a melhor SAF do Brasil para se fazer", analisou.

"Primeiro, porque o América é um time saneado, com um excelente patrimônio imobiliário. É um clube que, mesmo sendo associativo, sempre teve uma governança bem montada, tem diversos conselhos, bem organizado. Não tem uma grande pressão de resultados como outros clubes, tem uma capacidade de crescimento muito grande ainda. E em um mercado fantástico, que é o de Minas, com estádio perfeito para qualquer tipo de competição", explicou Luiz.

'Moldes da venda'


Também em entrevista ao Superesportes concedida no mês passado, Marcus Salum, presidente da SAF do América, afirmou que o clube não pretende vender mais do que 70% das ações. Na visão de Luiz Martins, esse fator não atrapalha nas negociações, mas impede que o parceiro faça um investimento maior.

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"O que eu vejo é o seguinte: o percentual atrapalha somente em um ponto, que é o que diz respeito ao equide, o percentual de 50 mais 1. Ou seja, é o poder de mando, o poder de direção. Porque, fora isso, é uma discussão talvez negocial. Agora, nenhum investidor vai fazer o investimento pesado, colocar um caixa relevante no clube, se não for para ter o direito de mandar, de administrar. Se não for para isso, não adianta", avaliou.

Salum também revelou que pretende quitar as dívidas do clube antes de finalizar as negociações, o que é considerado uma boa estratégia para o advogado. 

"A estratégia do Salum é muito boa, porque quando você chega em uma mesa de negociação com mais dívidas, você entra mais enfraquecido, você tem um ponto frágil. Deixando bem claro que o investidor não será o único responsável por pagar as dívidas, a lei não estabelece isso, mas sim que vai haver um processo de enfrentamento das dívidas e que vai contar com os resultados da SAF", afirmou. 
 
O América está em fase final de negociação com três grupos estrangeiros e com expertise no futebol. O clube aguarda apenas a proposta numérica para finalizar a venda. 

A reportagem perguntou a Luiz quais cuidados o Coelho deve ter nesse momento. Para o especialista em SAFs, é fundamental entender quais as pretensões e o histórico do novo parceiro.

"Verificar qual o interesse do investidor, a vontade, qual a sinergia existe entre o investidor que quer fazer parte do futebol do América, os porquês desse investidor. Por que ele quer fazer parte da história do América? De onde vem esse caixa? Ele tem conhecimento do mercado de entretenimento, que é o mercado macro onde o futebol está inserido?", disse. 

"É um investidor que está olhando para os negócios imobiliários? Para os negócios esportivos? Ele está olhando para a formação em base? Ele vai respeitar as questões culturais do clube, que são muito importantes e que pouco se fala no Brasil?", completou. 

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