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Obra da Arena MRV faz 1 ano: o que foi feito e o futuro do estádio do Galo

Construção está 20% pronta e previsão de conclusão é outubro de 2022; Atlético, porém, corre para conseguir Licença de Operação e não adiar inauguração

postado em 20/04/2021 04:00 / atualizado em 19/04/2021 20:59

O sol de segunda-feira havia acabado de raiar quando os primeiros trabalhadores chegaram ao imenso terreno no bairro Califórnia, Região Noroeste de Belo Horizonte. Ainda eram poucos, mas sabiam que em breve fariam parte da história do Clube Atlético Mineiro. Por volta das 10h daquele 20 de abril de 2020, a passagem de um trator simbolizou o início da construção da Arena MRV. Quase 20% da obra foi concluída, mas a concretização do sonho de milhões ainda depende de etapas importantes. Nesta terça, que marca o aniversário de um ano desde que as máquinas entraram em ação, o Superesportes detalha o que foi feito e os próximos passos até a inauguração do estádio atleticano.


No primeiro ano de obras, algumas etapas significativas foram vencidas: limpeza e substituição do material do talvegue; canalização entre Reserva Particular Ecológica (RPE) e Via Expressa; supressão vegetal; e construção das principais contenções.

Cerca de 50% dos blocos e 70% das fundações profundas estão prontas - apesar das dificuldades impostas pelas chuvas -, o processo de terraplanagem se aproxima do fim e quase 30% das estruturas metálicas foram montadas.

“Neste próximo ano, a gente vai evoluir bastante. Até o fim de 2021 ou o início do ano que vem, espero que a gente esteja com a estrutura completamente pronta para que, em 2022, a gente possa entrar na fase final da obra, com instalações e acabamentos”, projetou o CEO da Arena MRV, Bruno Muzzi (ouça a entrevista completa no podcast abaixo).


De acordo com os administradores da futura casa atleticana, o cronograma original está em dia. A expectativa é que a construção seja finalizada em outubro de 2022. Há, porém, perspectivas mais otimistas.

“Existe uma possibilidade não muito certa de que antecipe. Se tudo correr muito bem, pode até antecipar em um, dois meses”, projetou o empresário, dirigente e atleticano Rubens Menin, da MRV Engenharia - empresa que assegurou os naming rights do estádio.

Contrapartidas


Ter a Arena pronta, porém, não é garantia de poder utilizá-la. Antes de efetivamente jogar na nova casa, o Atlético precisa conseguir a Licença de Operação. Nesse processo, o clube deve cumprir 89 condicionantes estabelecidas pela prefeitura de BH. São contrapartidas viárias, ambientais e sociais que o empreendedor deve dar à região onde a obra está sendo construída.

“É um processo longo (para conseguir a licença), bastante complexo, porque envolve diversos órgãos de diversas secretarias do município e cartório. Lá na frente, a gente precisa entregar diversas obras que compõem a Arena MRV, não só do tapume para dentro, mas também no entorno”, explicou Muzzi.


Esse processo pode fazer com que a inauguração efetiva do estádio alvinegro seja adiada por alguns meses. Tudo depende do andamento burocrático e das negociações com a administração de Belo Horizonte.

"Vou tentar, nesse prazo que tenho, entregar o máximo possível de condicionantes. Até o fim de 2022, vou tentar negociar com a prefeitura essas condicionantes. O prazo de entrega pode precisar ser estendido para que eu consiga liberar a licença de operação", disse o CEO.

“Lá na frente, quando a Arena estiver pronta, a gente pode, sim, ter um pouco de dificuldade para colocá-la em operação. Mas isso é normal, não é nada diferente do que a gente está imaginando”, completou.

As condicionantes são um dos motivos que aumentaram o valor da obra, estimado inicialmente em R$ 410 milhões. Porém, outros fatores fizeram com que a Arena ficasse mais cara, como o aumento no preço de produtos de construção.

“Se a gente atualizar somente pelo INCC (Índice Nacional de Custo da Construção), chega a R$ 531 milhões hoje. O concreto mais que dobrou, aço dobrou, alumínio, cobre... Isso tudo tem um impacto considerável na Arena. A gente conseguiu mitigar muita coisa com compras antecipadas de aço. Isso evitou que o preço subisse ainda mais”, afirmou Muzzi.

Contrapartidas ambientais


  • Preservação permanente da Reserva Particular Ecológica (RPE), área verde de 26 mil m² ao lado do estádio;
  • Regularização fundiária em área de conservação correspondente a mais que o dobro da vegetação nativa suprimida no Parque Nacional da Serra da Gandarela, no município de Rio Acima, na Região Metropolitana de Belo Horizonte;
  • Plantio de 46 mil árvores em parques da cidade pelos próximos dez anos. Esse número representa uma árvore para cada assento da Arena MRV. Serão plantadas até 4.600 árvores por ano, a partir de outubro de 2021;
  • Destinação às forças de segurança de Minas Gerais de equipamentos que, somados, superam o valor de R$ 4 milhões, para auxiliar no combate a crimes ambientais.

Contrapartidas sociais


  • Investimento na infraestrutura urbana da região Reconstrução da Unidade Básica de Saúde (UBS) do bairro Califórnia;
  • Criação do Instituto Galo, voltado para o desenvolvimento de atividades e projetos de assistência pública e social, cultura, educação e lazer, com centro de línguas, inovação e criatividade para alunos da rede pública;
  • Revitalização da Mata dos Morcegos, maior área verde do bairro Califórnia. O local será transformado em um espaço para a comunidade e terá um parque linear, que será construído e mantido por 30 anos pela Arena MRV.

Inauguração, administração e lucro


(Foto: Divulgação/Arena MRV)

A gestão da Arena é feita diariamente por Muzzi, que, em decisões importantes, conta com as opiniões de um conselho formado por seis dirigentes atleticanos: o presidente executivo Sérgio Coelho, o presidente do Conselho Deliberativo Castellar Modesto Guimarães Filho e os chamados ‘4R’s’: os empresários Rubens Menin, Rafael Menin, Ricardo Guimarães e Renato Salvador.

Para a inauguração, o grupo pensa em uma série de eventos que culminará num jogo diante de um grande time do futebol mundial. “A gente pretende fazer um mês de festividades. Vai ter jogo de veteranos, shows... E o grande final seria um super jogo do Atlético contra um time de destaque mundial. Não sabemos se será um Barcelona, um Boca Juniors”, projetou Rubens Menin.

A princípio, a ideia é que a administração da Arena continue com o Atlético após a inauguração. O modelo de negócio chegou a chamar a atenção de algumas empresas - como a WTorre, que gerencia o Allianz Parque, do Palmeiras -, mas a tendência é que o próprio clube alvinegro tenha a gestão do estádio e consiga utilizá-lo como ativo importante na geração de receitas e na redução da dívida bilionária.

“Nós estamos para apresentar o nosso planejamento estratégico. Nele, será detalhado o nosso plano de trabalho para os próximos cinco anos. A gente acredita que, tendo a Arena MRV, nossas receitas vão melhorar muito. Nós, investindo como estamos investindo na base, também teremos um resultado importante. O time, sendo protagonista, vai nos proporcionar uma receita a mais com venda de camisa, Galo na Veia e outros produtos”, projetou Sérgio Coelho, em entrevista ao Superesportes no último dia 25.

A projeção é conseguir R$ 100 milhões brutos por ano. “A Arena não é a salvação, é um passo importante. É aquele fator que vai colocar o Atlético num patamar mais elevado ainda, porque ela vai ser uma fonte de arrecadação adicional a tudo o que o Atlético tem”, disse Ruben Menin.



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