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Em 71, com o pai; em 21, com os filhos: atleticano comemora 50 anos depois

Henrique Salomão foi fotografado em festa na Praça Sete há 50 anos e retornou ao local para festejar o bicampeonato

postado em 07/12/2021 04:00 / atualizado em 06/12/2021 16:51

(Foto: Jorge Gontijo/EM e Leandro Couri/EM)
Presenciar o título brasileiro do Atlético é como entrar numa cápsula temporal. Não significa apenas festejar a alegria dos que aqui estão, mas também relembrar a memória dos que foram. É comemorar, agora, um momento tão esperado, mas também é olhar para trás e ver onde tudo começou. Foi isso o que viveu nos últimos dias Henrique Salomão, de 52 anos.

Em 12 de dezembro de 1971, o pequeno atleticano foi levado à Praça Sete, no Centro de Belo Horizonte, para comemorar a vitória por 1 a 0 sobre o São Paulo, que abriu o caminho para o título do Campeonato Brasileiro daquele ano. Quase 50 anos depois, retornou ao local para festejar a tão aguardada segunda conquista.

No primeiro título, Henrique tinha apenas dois anos e foi com a prima Gláucia, a mãe Itacy e o pai Sebastião. O momento foi registrado pelo fotógrafo Jorge Gontijo, do Estado de Minas , e publicado no extinto Diário da Tarde de 13 de dezembro. Na imagem, o garotinho aparece com a camisa alvinegra e uma bandeirinha.

(Foto: Arquivo/EM/D.A Press)

O recorte do jornal com a fotografia está guardado por Itacy, 72, até hoje. Ao lembrar a história, Henrique não contém as lágrimas. "Eu não me recordo muito, porque eu só tinha dois anos... É até complicado de falar, cara", diz, enxugando os olhos. "De lá para cá, não parei mais: sempre indo ao campo, fui um dos fundadores da Galoucura. Minha mãe fala que foi uma festa danada em Belo Horizonte em 1971. É o que está acontecendo hoje, 50 anos depois. Graças a Deus, estou aqui para ver de novo", conta o comerciante, dono do Buteco do Salomão em BH.

Dias depois da conquista do Brasileirão de 2021, Henrique foi convidado pelo Superesportes a voltar ao local da festa e ser novamente fotografado, desta vez por Leandro Couri, do EM . "Comemorar no mesmo lugar de 1971, agora 50 anos depois... É uma emoção que não tem explicação", diz.

(Foto: Leandro Couri/EM/D.A Press)

Amor hereditário


A paixão pelo Galo, diz Henrique, está no sangue. "Meu pai foi comerciante no Centro de BH e era muito atleticano. Meu padrinho era muito atleticano também e sempre me levou para o estádio". Foi com os dois que o comerciante, dono do Buteco do Salomão - com tema do Atlético -, aprendeu a amar o clube e viveu os primeiros anos de angústia em busca do bi.

"Em 1977, meu pai me levou ao Mineirão e a São Paulo (nas finais do Brasileiro). Fomos vice-campeões invictos, é complicado. Depois, veio 1980, com a roubalheira do Flamengo. E aí veio nessa batida, sempre batendo na trave. Mas uma hora a bola tem que entrar. Graças a Deus, esse ano entrou", comenta.

Passadas cinco décadas de espera, o troféu finalmente voltou para o Atlético. Desta vez, Henrique não tinha mais o pai ao lado para comemorar. A festa foi com os filhos Beatriz, de 21 anos, e Lucas, de 13, que herdaram da família o amor pelo Galo. "Hoje estou comemorando com meus filhos. O Galo é a vida para a gente, está no sangue", volta a chorar.