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Em reunião este mês, Atlético planeja propor ao Conselho venda do Diamond

Clube detém 49,9% do shopping em Belo Horizonte, e diretoria deseja vender percentual ainda em 2022 para pagar dívidas

25/03/2022 05:00 / atualizado em 25/03/2022 00:33
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Diretoria do Atlético quer vender 49,9% do Dimaond Mall
foto: Divulgação/Diamond Mall

Diretoria do Atlético quer vender 49,9% do Dimaond Mall

A diretoria do Atlético é unânime: vender o Diamond Mall, shopping na Região Centro-Sul de Belo Horizonte, é o melhor caminho para reduzir bruscamente as dívidas com instituições financeiras. Porém, para que o negócio ocorra, é necessária a aprovação do Conselho Deliberativo do clube. E o tema deve começar a ser debatido de forma mais incisiva ainda neste mês de março.

Na próxima quinta-feira (31), a partir das 18h30, os conselheiros alvinegros se reunirão na sede administrativa para um debate sobre dois temas: a apresentação das dívidas do clube e atualizações sobre a obra da Arena MRV. Durante o primeiro tópico, a diretoria comandada pelo presidente Sérgio Coelho deseja abrir a discussão a respeito da alienação dos 49,9% do shopping que o Atlético detém.

"É até possível que este assunto esteja na reunião do dia 31", confirmou o mandatário atleticano, em entrevista exclusiva ao Superesportes. "Cabe a nós, gestores, levar esse assunto ao Conselho, que tira as suas conclusões. Os conselheiros analisam, são pessoas que sabem analisar esse tipo de negócio. O que o Conselho decidir, nós vamos cumprir", prosseguiu.

Argumento da diretoria


Em setembro de 2017, o Conselho aprovou a venda de 50,1% do Diamond por R$ 250 milhões como forma de viabilizar a construção da Arena MRV. Passados quase cinco anos, o órgão colegiado que administra o Atlético (presidente Sérgio Coelho, vice José Murilo Procópio e os empresários Rubens Menin, Rafael Menin, Renato Salvador e Ricardo Guimarães) argumenta que o valor arrecadado com a alienação dos 49,9% restantes pode resolver parte dos problemas financeiros do clube.

A dívida do Atlético, ao fim de 2020, era de aproximadamente R$ 1,2 bilhão - o balanço financeiro de 2021 ainda não foi divulgado. A diretoria calcula que, anualmente, o clube paga entre R$ 50 e R$ 60 milhões em juros por empréstimos contraídos com instituições financeiras, que são os débitos considerados mais preocupantes pelo prazo curto para pagamento e a constante incisão de taxas.


A proposta a ser apresentada é que os R$ 300 milhões (valor desejado pelo clube) da eventual venda dos 49,9% do shopping sejam utilizados justamente para pagar esse tipo de dívida e, com isso, acabar com os juros anuais. "Se você perde R$ 60 milhões por ano (em juros), em seis anos você perde 50% do shopping. Então, o custo para manter esse ativo é muito alto", argumenta Sérgio Coelho.

Em 31 de março, a diretoria vai intensificar o debate. A ideia é sentir informalmente se a proposta terá adesão do Conselho antes de levá-la à votação. Afinal, segundo o estatuto do clube, é preciso da aprovação de dois terços dos conselheiros para que a venda do shopping seja liberada. O órgão tem 420 integrantes, portanto, são necessários cerca de 280 votos a favor da alienação.

"Não tem que estabelecer prazo (para votação sobre a venda ou não do shopping). Você tem é que iniciar uma conversa e aí você sente se é vontade ou não do Conselho. Se for vontade do Conselho, a gente leva à votação. Se a gente perceber que o Conselho não quer, vamos buscar outras alternativas", afirmou Sérgio Coelho.

Embora o presidente diga que não há prazo para a votação, o planejamento do clube foi todo traçado com base na aprovação da venda ainda este ano. O próprio Conselho avalizou o orçamento financeiro para 2022 com a inclusão de R$ 300 milhões de receita com a alienação do shopping - o que já é um indicativo da provável aprovação da negociação dos 49,9%.

Mudança de opinião?


Sérgio Coelho acabara de ser eleito presidente do Atlético quando, em dezembro de 2020, foi questionado pelo Superesportes sobre a possível venda dos 49,9% restantes do Diamond como forma de pagar dívidas. À época, antes de assumir o cargo, ele sinalizou posição contrária ao negócio.

"Na minha vida pessoal, particular, não gosto de vender patrimônio e nem de contrair dívidas. Quanto ao que vai acontecer sobre os outros 50%, eu não gostaria de vender", disse. A negociação, no entanto, não estava descartada naquele momento. Ele afirmou que, se for necessário vender o restante do shopping, se reuniria com o Conselho Deliberativo.

"Agora, se lá na frente for preciso vender, não é uma decisão do presidente do clube, é uma decisão do Conselho. Tem que saber o motivo da venda e isso vai passar pelo crivo do Conselho", completou.

Passado pouco mais de um ano, Sérgio brinca que estava "em cima do muro" e defende a venda. "Eu sempre usava um termo de que eu não era nem a favor e nem contra. Vamos lembrar o que eu dizia na ocasião: que eu, na minha vida particular, não gosto de vender patrimônio, mas que também, na minha vida particular, não gosto de ter dívida. Essa foi a frase que usei na ocasião. Então, essa é uma coisa que diverge da outra. Então, vamos dizer que estava em cima do muro, talvez? (risos)", relembra.

"Depois, como presidente, eu tenho a responsabilidade e até mesmo a obrigação de mostrar a situação financeira, nosso endividamento, para o Conselho. Nós, tanto eu, quanto nossos companheiros de gestão (o meu vice José Murilo, os 4 R's, toda a nossa diretoria), temos que ter uma opinião do que deve ser feito para melhorar o endividamento. Não podemos ser omissos. Então, a gente vai apresentar isso ao Conselho, e o Conselho toma a decisão", finalizou.



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