Jogadores, comissão técnica e a torcida da Chapecoense sonhavam alto. Em seu melhor momento, o clube catarinense estava perto de seu primeiro título internacional, da Copa Sul-Americana, naquela que seria a mais importante conquista de sua história. O voo para a Colômbia representava ainda a possibilidade de alcançar um outro patamar no futebol brasileiro. O acidente aéreo que dizimou a equipe interrompeu o sonho da taça, mas não tira o brilho da equipe considerada a revelação deste ano. Mesmo longe de figurar entre os grandes clubes do país, a Chapecoense tem muito a ensinar a eles. Numa ascensão meteórica, em seis anos subiu da Série D do Campeonato Brasileiro à Série A e ostenta o título de time menos endividado da elite do futebol nacional.
Com desempenho regular desde que estreou na elite, em 2014, o time comandado por Caio Júnior foi a grande surpresa do futebol brasileiro nesta temporada. Além de fazer sua melhor campanha na Copa do Brasil (parou na terceira fase), a Chape chegou à final da Copa Sul-Americana ao eliminar nada menos que o argentino San Lorenzo na semifinal, num heroico empate por 0 a 0, na Arena Condá, em Chapecó. Uma defesa milagrosa nos acréscimos do goleiro Danilo, uma das vítimas da tragédia, deu sabor especial à classificação.
No ano passado, a equipe catarinense havia sido eliminada nas quartas de final da competição. A partida de hoje, em Medellín, era a última parada de um sonho considerado por muitos impossível. No domingo, o time de Chapecó receberia o Atlético pela última rodada do Campeonato Brasileiro. Na nona colocação, já havia garantido sua participação na Sul-Americana do ano que vem e superado times tradicionais como Cruzeiro, São Paulo e Fluminense. Ainda poderia conseguir vaga na Copa Libertadores se garantisse a taça da Sul-Americana. Entre os destaques do time estavam o atacante Bruno Rangel, maior artilheiro do clube, e o experiente armador Cléber Santana, ex-jogador do Atlético de Madrid. Capitão da Chape, ele mereceu homenagens emocionadas dos colchoneros e do goleiro De Gea, com quem atuou.
GESTÃO Para além do futebol, a Chape é exemplo em gestão. Levantamento da Revista Época e do Itaú BBA deste ano indicou que, em 2015, o clube era o menos endividado entre as 20 equipes da Série A. Apoiado pelos torcedores, o clube, que quase faliu em 2005, sanou as contas e tem dívida de R$ 5 milhões.
A história da Chapecoense, aliás, sempre esteve intimamente ligada a seus torcedores. Há 43 anos, um grupo de apaixonados por futebol em Chapecó, cidade de 200 mil habitantes no Oeste de Santa Catarina, fundou a Associação Chapecoense de Futebol, com a pretensão de criar um time profissional para o município. Empresários, políticos e a população abraçaram a ideia, apelidaram a equipe carinhosamente de Chape e a apoiaram incondicionalmente. Hoje, ele está entre os principais clubes do estado, ao lado de Figueirense, Avaí, Criciúma e Joinville. A torcida acabou conhecida como “ChapeTerror”.
O primeiro título no Campeonato Catarinense veio em 1977. Depois dele, mais três, em 1996, 2007, 2011. A Chape é a atual campeã catarinense. A virada na história veio em 2009, com a participação na Série D. Daí em diante, foi uma escalada de conquistas, com o acesso, já no ano seguinte à Série C. Em 2012, a passagem à semifinal da Terceirona valeu vaga na Série B de 2013. No ano seguinte, o maior feito de sua história, com o acesso à elite do futebol brasileiro. O fato surpreendeu até mesmo a diretoria do clube.
A ESCALADA DA CHAPECOENSE
- Campeão catarinense em 1977, 1996, 2007, 2011 e 2016
- 3º colocado da Série D’2009
- 3º colocado da Série C’2012
- Vice-campeão da Série B’2013
- Finalista da Copa Sul-Americana’2016
- 9ª colocado do Brasileiro’2016