Seleção

50 ANOS DO TRI

Título do Brasil em 1970 serviu como propaganda para o governo militar

General Emílio Garrastazu Médici, presidente entre 1969 e 1974, usou o sucesso da Seleção Brasileira na Copa como instrumento de propaganda para o governo

postado em 21/06/2020 07:00 / atualizado em 21/06/2020 03:25

(Foto: O Cruzeiro/Estado de Minas)
A conquista do tricampeonato no México ocorreu no período de maior repressão política da história do Brasil. Em 1970, o país vivia os efeitos do Ato Institucional Número 5 (AI-5), que instaurou a censura aos veículos de comunicação, suspendeu os direitos constitucionais e usou de instrumentos como a tortura contra opositores do regime. Internamente, o general Emílio Garrastazu Médici, presidente entre 1969 e 1974, usou o sucesso da Seleção Brasileira na Copa como instrumento de propaganda para o governo.

“O desenvolvimento econômico foi favorecido por essa situação de controle político. O programa do regime militar afirmava que o Brasil estava se tornando uma potência no mundo. A Copa do Mundo ocorreu no meio desse contexto de repressão muito grande, já que o país vivia o auge do AI-5, que vigorava desde 1968”, explica Rodrigo Patto, professor de história da UFMG.

Ao longo do tempo, muitos governos haviam misturado esporte com política, como a Itália de Benito Mussolini na Copa do Mundo de 1934 ou mesmo a Alemanha de Hitler nos Jogos Olímpicos de 1936. A conquista da Copa seria uma vitória extremamente importante para o governo Médici. “Os militares queriam transferir a popularidade do futebol para o governo. O futebol era muito popular na época, talvez até mais que hoje, e uma vitória na Copa do Mundo geraria uma sensação de euforia, de país vitorioso, de sermos importantes no mundo. Isso colabora com uma visão ufanista, nacionalista. Todos os governos fazem isso. No começo do século 20, isso já ocorria. Os países investiam recursos públicos no futebol para tentar atrair a popularidade para ele. A ditadura não inventou essa prática, só a tornou mais aguda, conectando o futebol às campanhas nacionalistas”, afirma o professor.

Garoto-propaganda

Quatro meses depois da conquista nos gramados mexicanos, Pelé voltou ao país como embaixador brasileiro para a inauguração da Plaza Brasil, em frente ao Estádio Jalisco, em Guadalajara, onde a Seleção jogou a maioria das partidas. O Rei do Futebol recebeu passaporte diplomático do governo Médici e, em carta de agradecimento, afirmou ter “imensa satisfação” com a missão.

(Foto: O Cruzeiro/Estado de Minas)


A campanha no México

3/6 - Brasil 4 x 1 Tchecoslováquia

Brasil
Félix; Carlos Alberto, Brito, Piazza e Everaldo; Clodoaldo, Gerson (Paulo Cézar Caju) e Rivellino; Jairzinho, Tostão e Pelé. Técnico: Zagallo

Tchecoslováquia
Viktor; Dobias, Migas, Horváth e Hagara; Hrdlicka (Kvasnac), Kuna, Frantisek Veselý (Bohumuild Veselý) e Petras; Adamec e Jokl
Técnico: Jozef Marko. Estádio: Jalisco

Estádio Jalisco, em Guadalajara
Gols
: Petras 11 e Rivellino 24 do 1º; Pelé 14, Jairzinho 16 e 38 do 2º
Árbitro: Ramón Barreto
Cartão amarelo: Tostão, Gerson e Horváth
Público: 52.897

7/6 - Brasil 1 x 0 Inglaterra

Brasil
Félix; Carlos Alberto, Brito, Piazza e Everaldo; Clodoaldo, Rivellino e Paulo Cézar Caju; Jairzinho, Tostão (Roberto) e Pelé
Técnico: Zagallo

Inglaterra
Banks; Bobby Moore, Cooper, Labone e Wright; Alan Ball, Mullery e Bobby Charlton (Bell); Lee (Jeff Astle), Petes e Hurst
Técnico: Alf Ramsey

Estádio:  Jalisco, em Guadalajara
Gol: Jairzinho 14 do 2º
Árbitro: Avraham Klein (Israel)
Cartão amarelo: Lee
Público: 66.843

10/6 - Brasil 3 x 2 Romênia

Brasil
Félix; Carlos Alberto, Brito, Fontana e Everaldo (Marco Antônio); Piazza, Clodoaldo (Edu) e Paulo Cézar Caju; Jairzinho, Tostão e Pelé
Técnico: Zagallo

Romênia
Adamache (Raducanu); Satmareanu, Mocano, Dinu e Lupescu; Dimitru, Nunweiller e Neagu; Dembrovischi, Dumitrache (Tãtaru II) e Lucescu
Técnico: Angelo Niculescu

Estádio Jalisco, em Guadalajara
Gols: Pelé 19, Jairzinho 22 e Dumitrache 34 do 1º; Pelé 22 e Dembrovschi 39 do 2º
Árbitro: Ferdinand Marschall (Áustria)
Cartão amarelo: Mocanu e Dumitru
Público: 50.804

14/6 - Brasil 4 x 2 Peru

Brasil
Félix; Carlos Alberto, Brito, Piazza e Marco Antônio; Clodoaldo, Gerson (Paulo Cézar Caju) e Rivellino; Jairzinho (Roberto), Tostão e Pelé
Técnico: Zagallo

Peru
Rubiños; Campos, Fernández, Chumpitaz e Fuentes; Mifflin, Challe e Baylón (Sotil); León (Reyes), Gallardo e Cubillas
Técnico: Didi

Estádio:  Jalisco, em Guadalajara
Gols: Rivellino 11, Tostão 15 e Gallardo 28 do 1º; Tostão 7, Cubillas 25 e Jairzinho 30 do 2º
Árbitro: Vital Loraux (Bélgica)
Público: 54.233

17/6 - Brasil 3 x 1 Uruguai

Brasil
Félix; Carlos Alberto, Brito, Piazza e Everaldo; Clodoaldo, Gérson e Rivellino; Jairzinho, Pelé e Tostão
Técnico: Zagallo

Uruguai
Mazurkiewicz; Ubiñas, Ancheta, Matosas e Mujica; Fontes, Montero Castillo e Cortés; Luis Cubilla, Maneiro (Espárrago) e Morales
Técnico: Juan Eduardo Hohberg

Estádio: Jalisco, em Guadalajara
Gols: Cubilla 18 e Clodoaldo 45 do 1º; Jairzinho 30 e Rivellino 44 do 2º
Árbitro: José Ortiz de Mendizabal (Espanha)
Cartão amarelo: Carlos Alberto, Mujica, Fontes e Maneiro
Público: 51.261

21/6 - Brasil 4 x 1 Itália

Brasil
Félix; Carlos Alberto, Brito, Piazza e Everaldo; Clodoaldo e Gérson e Rivellino; Jairzinho, Pelé e Tostão
Técnico: Zagallo

Itália
Albertosi; Burnich, Cera, Rosato e Facchetti; Bertini (Giuliano), De Sisti, Mazzola; Domenghini, Boninsegna (Rivera) e Luigi Riva
Técnico: Ferruccio Valcareggi

Estádio: Azteca
Gols: Pelé 18 e Boninsegna 37 do 1º; Gerson 21, Jairzinho 26 e Carlos Alberto 41 do 2º
Árbitro: Rudi Glöckner (Alemanha Oriental)
Cartão amarelo: Rivellino e Burnich
Público: 107.412

Os tricampeões, 50 anos depois

Félix
Morreu em 2012, vítima de enfisema pulmonar, aos 74 anos

Carlos Alberto
Morreu em 2016, aos 72 anos, de infarto fulminante

Brito
Aos 80 anos, vive hoje na Ilha do Governador, no Rio

Piazza
Preside a Federação das Associações de Atletas Profissionais. Mora em Belo Horizonte

Everaldo
Morreu de acidente de carro, em 1974

Clodoaldo
Consultor das categorias de base do Santos. Tem 70 anos

Gerson
Comentarista de futebol

Jairzinho
Vive no Rio, onde comanda uma escolinha de futebol na Zona Norte

Rivellino
Vive em São Paulo, onde trabalha como comentarista esportivo

Pelé
Mesmo debilitado por problemas de saúde, ainda é personagem de campanhas publicitárias pelo mundo

Tostão
Médico e colunista esportivo. Vive em Belo Horizonte

Ado
Vive em Barueri, onde dirige uma escolinha de futebol

Roberto Miranda
Vive em Niterói, se recuperando de problemas de saúde

Baldocchi
Reside hoje em Batatais-SP, onde trabalha como comerciante

Fontana
Morreu em 1980, de ataque cardíaco, aos 39 anos

Marco Antônio
Vive no Rio, se reabilitando depois de sofrer AVC, em 2013

Joel
Morreu em 2014, aos 67 anos, de insuficiência renal

Paulo Cézar Caju
É empresário e olheiro do Olympique de Marselha. Mora no Rio

Edu
Vive atualmente em Santos, onde cuida de escolinhas de futebol

Dadá Maravilha
Comentarista esportivo no programa Alterosa esporte, do SBT/Alterosa, mora em BH

Zé Maria
Vive em São Paulo, onde cuida de projetos sociais

Emerson Leão
Aposentou-se como treinador e vem se dedicando à sua fazenda, no estado de Mato Grosso

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