Exame antidoping de Tandara aponta uso de ostarina, substância anabolizante

Autoridade Brasileira de Controle de Dopagem informa motivo da suspensão da oposta da Seleção Brasileira de Vôlei

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Suspensa, Tandara ficou fora da semifinal e da decisão em Tóquio
foto: AFP

Suspensa, Tandara ficou fora da semifinal e da decisão em Tóquio

A Autoridade Brasileira de Controle de Dopagem (ABCD) divulgou que Tandara testou positivo para a substância ostarina, pertencente à classe de anabolizantes. Suspensa provisoriamente, a oposta da Seleção Brasileira deixou Tóquio nesta sexta-feira e não participou da vitória por 3 sets a 0 sobre a Coreia do Sul, na semifinal da Olimpíada. 

Um dos principais destaques da Seleção Feminina de Vôlei, Tandara ficou fora da reta final dos Jogos Olímpicos de Tóquio. Nessa quinta-feira, o Comitê Olímpico Brasileiro (COB) divulgou a informação de que a oposta violou a "regra antidopagem", e a jogadora foi suspensa de forma preventiva.

O teste de Tandara foi realizado antes do embarque da delegação ao Japão, ainda no dia 7 de julho. Quando fez o exame, ela não disputava nenhuma competição, mas participava dos treinos de preparação da Seleção para a Olimpíada, no Centro de Treinamento da Confederação Brasileira de Vôlei (CBV), em Saquarema. 

A substância ostarina também é proibida em período fora de competição. Tandara ainda não se pronunciou sobre o caso de doping. 

A  suspensão provisória de Tandara por "potencial violação de regra antidopagem" não vai prejudicar a seleção. Isso porque as equipes coletivas na Olimpíada só são penalizadas se mais atletas testarem positivo ao mesmo tempo para quaisquer substâncias proibidas.

Palavras do comandante


O técnico da seleção feminina, José Roberto Guimarães, conversou com os jornalistas brasileiros após a vitória sobre a Coreia do Sul. Ele disse ter ficado 'paralisado' ao receber a notícia e revelou que Tandara garantiu 'inocência' em conversa privada.

"Eu recebi a notícia de madrugada e fiquei paralisado. Vamos ver os procedimentos que a gente tem que tomar. Eu tinha duas preocupações: ela e o grupo. Aí, logo pela manhã, eu conversei com ela e ela disse: 'Eu estou limpa, não tomei absolutamente nada'. Eu falei: 'Vamos pensar na sua defesa, faz a melhor coisa possível'. Só que ela não podia permanecer. Ela tinha que voltar para o Brasil. Exigência de toda a organização. Ela está suspensa e não pode permanecer", afirmou.

Em seguida, José Roberto destacou a preocupação ao passar a notícia ao grupo. 'Foi tenso', avaliou. Ainda assim, o treinador buscou reverter o foco das atletas para o duelo contra a Coreia.

"E aí, a preocupação de encontrar com o grupo e passar a notícia. Foi tenso. Eu só pedi ao 'papai do céu' para me iluminar, porque é um baque. E aí, disse: 'Uma coisa complicada que a gente tem que conversar'. Todas ficaram olhando sem acreditar no que estava acontecendo. Eu disse: 'Olha, aconteceu, mas nós temos uma causa. Nós temos um jogo que temos que ganhar para tentar realizar o nosso sonho. Não tem outra coisa a fazer'", disse.

Baque como impulso?


Questionado se a ausência de Tandara serviria como motivação para o grupo, Zé Roberto opinou que não. Ele espera que o time vá para a final com a 'melhor energia' e que 'jogue por ela também'.

"Eu não penso dessa maneira (que o baque vai funcionar como um impulso). Eu penso que, agora, nós também vamos viver o nosso luto e pensar no próximo jogo. Porque aconteceu. Não dá para mudar isso. Agora, a gente tem que ir para o jogo com a melhor energia que a gente possa e jogar por ela também", declarou.

Brasil despachou Coreia do Sul na semifinal dos Jogos Olímpicos de Tóquio
foto: Yuri Cortez/AFP

Brasil despachou Coreia do Sul na semifinal dos Jogos Olímpicos de Tóquio


Decepção, foco na defesa e 'página virada'


Zé Roberto enfatizou a tristeza de Tandara ao receber a notícia do doping. De acordo com o técnico brasileiro, a oposta estava 'devastada'. "Ela diz que está tranquila, está limpa, não consumiu absolutamente nada. Estava muito abalada. Muito triste, chorou muito. Estava devastada. Muito, muito. Eu esperei ela respirar, porque estava difícil, mas aí foi se acalmando e foi quando a gente analisou os procedimentos. (...) Me acordaram, e de manhãzinha, cedinho, a gente já começou a conversar sobre isso", garantiu.

"O médico só perguntou o que ela tinha consumido. Ponto. E que ela tinha que fazer a defesa dela e só. 'Não consumi absolutamente nada, e agora vou ver os procedimentos'. Não ficamos alongando muito. Quando ela falou: 'Não consumi', acabou. Vamos preparar a defesa e vamos tocar a vida. Não tem outra coisa a fazer", completou.

Perguntado sobre a possibilidade de que o time faça uma homenagem à jogadora, independentemente da cor da medalha no pódio, o técnico acredita que isso ocorrerá. "Eu acredito que sim (vai ter homenagem). Ela teve o ciclo todo, ela correu, se dedicou. Então, eu acho uma pena, mas, se Deus quiser, não vai dar nada. Ela vai comprovar que não consumiu, que está tudo bem", projetou.

Por fim, Zé Roberto reforçou a necessidade de 'virar a página' e estabelecer foco na decisão, diante dos Estados Unidos. "Eu senti o time virando a página para o jogo. Agora, eu não sei como é que elas estão. Porque estão na euforia e tudo mais. (...) A gente vai conversar agora, mas visando o que a gente tem pela frente. Não adianta a gente ficar dando muito enfoque nisso, porque agora é resolver o problema dela e pronto", finalizou.

Fotos da vitória brasileira sobre a Coreia do Sul, pela semifinal dos Jogos de Tóquio


Veja a nota completa da ABCD


Autoridade Brasileira de Controle de Dopagem (ABCD) esclarece que o processo de controle de dopagem do caso da atleta da seleção brasileira feminina de vôlei, Tandara Caixeta, seguiu todos os padrões internacionais estabelecidos pela Agência Mundial Antidopagem (AMA-WADA).

Informamos que a coleta do material biológico da atleta foi realizada fora de competição, em 7 de julho de 2021, no Centro de Treinamento de vôlei de quadra da seleção, em Saquarema/RJ, mesmo momento em que todas as demais atletas da equipe também forneceram o material.

Ao receber, no dia 5 de agosto de 2021, o resultado do Laboratório Brasileiro de Controle de Dopagem (LBCD), único credenciado pela WADA na América Latina, foi constatada a presença da substância Ostarina, que pelo Código Brasileiro Antidopagem implica na aplicação obrigatória de uma suspensão provisória da atleta.

A Ostarina é uma substância não especificada, proibida em competição e fora de competição. Pertence a classe: S1.2 Agentes Anabolizantes - Outros Agentes Anabolizantes - SARMS da Lista de substâncias e métodos proibidos da AMA-WADA.

A ABCD seguirá os trâmites processuais do caso em sigilo para proteger os direitos da atleta.

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