PAULO ROBERTO COSTA

Paulo Roberto Costa relembra tempos na Toca e reforça desculpas por 'polêmica'

Ex-lateral disse após um clássico que Cruzeiro tremia quando enfrentava o Atlético

postado em 13/03/2012 10:30 / atualizado em 19/01/2015 19:10

Alberto Escalda/Estado de Minas


Um lateral que marcou época no Cruzeiro e quase jogou tudo pelo alto após uma declaração. Esse é o histórico da passagem de Paulo Roberto Costa por Minas Gerais. O ex-lateral atuou na Toca da Raposa entre os anos de 1992 e 1994 e retornou em 1995, após uma período no Atlético. Com a camisa estrelada, ele conquistou vários títulos: dois estaduais (92 e 94), a Supercopa’1992 e a Copa do Brasil’1993. Só que ao se transferir para o Galo, ele deu uma declaração, após um clássico vencido pelo Alvinegro, que apimentou a rivalidade mineira. Na ocasião, Paulo falou que a Raposa tremia quando encarava o Atlético.

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Passados 17 anos, o ex-jogador se tornou empresário no mundo do futebol e tem um filho nas categorias de base da Raposa. Questionado se a declaração manchava sua passagem pela Toca, Paulo Roberto mostrou arrependimento pelo que disse e garantiu que o fato foi um grande erro, mas que não apaga o que construiu com o uniforme azul.

“Não foi uma coisa legal. Reconheço meu erro. Peço desculpas mais uma vez e espero que a torcida entenda. O Cruzeiro é o clube que mais marcou a minha carreira em termos de tempo e gols. A maior conquista que tive foi o Mundial, pelo Grêmio, mas as conquistas no Cruzeiro marcaram muito. Hoje, meu filho joga no Cruzeiro. O nome dele é Matheus Costa e ele atua como segundo volante. Ele tem 19 anos e está em Belo Horizonte desde novembro de 2011. Eu me orgulho de ter meu filho jogando aí. O Cruzeiro é o clube do meu coração”, disse ao Superesportes.

Lateral artilheiro


Em todas as taças erguidas com a camisa estrelada, Paulo Roberto teve participações importantes. Titular da lateral direita, o ex-jogador se destacava no apoio e nas cobranças de falta. Inclusive, o primeiro título celeste na Copa do Brasil, em 1993, contou com a colaboração direta do ex-atleta.

"Eu lembro da final contra o Grêmio. Eu não joguei o primeiro jogo em Porto Alegre e terminou 0 a 0. No Mineirão, nós saímos ganhando de 1 a 0 e o Grêmio empatou. Aí eu peguei uma bola e cruzei para o gol do Cleisson, que garantiu o título. Apesar de ter sido revelado no Sul, eu queria ganhar pelo Cruzeiro e não pelo adversário. Foi especial essa conquista", enalteceu.

Além das assistências, Paulo Roberto relembrou os gols pelo Cruzeiro. Entre os mais bonitos, ele cita dois deles. “Eu fiz muitos gols pelo Cruzeiro. Mas o gol que classificou o Cruzeiro em 1992, no Brasileiro, foi especial. Esse gol deixou o time entre os oito melhores. Foi uma cobrança de falta, de longe, diante da Portuguesa. Esse gol foi no Rodolfo Rodrigues. Teve um também contra o Boca Juniors, em La Bombobera. Ganhamos de 2 a 1. Havia muito tempo que os clubes brasileiros não ganhavam lá”, afirmou.

Campeão da Supercopa com o Cruzeiro, no ano de 1992, o ex-lateral falou com carinho da boa presença de público da torcida celeste durante o torneio. “A torcida do Cruzeiro ia muito aos jogos. A torcida sempre gostou desse tipo de competição. Até hoje o time é muito respeitado na América. O que marcou mesmo é o Mineirão estar lotado duas ou três horas antes dos jogos”, relembrou .

Bola fora do Mineirão

A qualidade em bater na bola fez com que Paulo Roberto tentasse imitar um ídolo celeste: o lateral Nelinho. O jogador, que participou da Copa de 1978, foi o primeiro a conseguir jogar a bola para fora do Mineirão.

“Eu e o Nelinho fomos os únicos a jogar a bola por cima do Mineirão. Eu tentei mais de 30 vezes para conseguir. Saiu até numa revista do Mineirão e na do Cruzeiro”, citou.

Amigo do Fenômeno

A geração do ex-lateral celeste teve a sorte de observar, de perto, o 'nascimento' de Ronaldo, o Fenômeno. O atacante, que foi revelado pelo Cruzeiro, despontou em 1993, após passar pela categoria de base na Toca. Paulo Roberto, que fazia parte do time, conta como foi a convivência com o artilheiro da Copa do Mundo de 2002.

“Foi ótimo conviver com o Ronaldo. Até hoje somos amigos. Eu que ensinei o Ronaldo a dirigir. Não tinha a Toca 2 ainda. Eu lembro que quando tinha lanche, eles (garotos da base) vinham escondidos por trás das árvores e a gente dava lanche para eles. O Ronaldo, o Ricardinho e o Belletti estavam entre eles. O que mais admiro no Ronaldo é que apesar da fama, ele continua com a mesma humildade”, frisou.

Destaque na função


As mudanças na função de lateral no decorrer dos anos também foram analisadas. O ex-jogador considera que o papel dos laterais é mais fácil na atualidade.

“Hoje está mais fácil jogar na lateral. Antigamente, dificilmente os treinadores jogavam com três zagueiros. Hoje, o time usa alas. Você tem mais facilidade de cobertura para os laterais. Eu era um lateral ofensivo. O que falta é mais trabalho. Os jogadores têm que ficar depois do treino, bater faltas, treinar cruzamento, para crescerem na posição”, ressaltou.

Seleção Brasileira


Apesar do destaque pelos clubes brasileiros, Paulo Roberto teve poucas chances na Seleção. Ele foi convocado em sete ocasiões e teve como marca mais expressiva, a conquista da Copa América de 1989. O ex-lateral justificou a falta de espaço pelo Brasil.

‘Eu acho que na época de Seleção tinham mais laterais qualificados para a direita, como o Leandro e o Jorginho. Eu fui lembrado durante os anos de 1983 e 1989. Eu estava de titular numa excursão pela Europa e torci o tornozelo. O Mazinho entrou e foi bem na direita. Ele acabou ficando como titular. Depois, ele foi para a Copa do Mundo na Itália. Fui bem na Copa América antes de machucar, só que eu não consegui ter uma sequência “, completou”.

Frase polêmica

A declaração de Paulo Roberto, quando o Atlético deixou o campo vitorioso, se tornou cântico da torcida alvinegra para provocar os cruzeirenses. O episódio até hoje é lamentado pelo ex-jogador, que explicou o porquê da afirmação.

“Mais uma vez, se eu tivesse a oportunidade de pedir, eu pediria desculpa. Foi numa hora de empolgação depois do jogo. Hoje tem a coletiva e você tem tempo de respirar. Eu reconheço meu erro. Já pedi desculpas”, finalizou.