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Colocado na 'fogueira', ex-zagueiro Robson relembra a final da Copa do Brasil de 1993

Conquista cruzeirense no Mineirão marcou a estreia do então jovem de 18 anos pelo time profissional. Detalhe: ele ganhou a 'pressão' de substituir o experiente Luisinho

21/02/2013 08:05 / atualizado em 27/12/2021 21:16
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Em pé, da esquerda para a direita: Paulo Roberto, Célio Lúcio, Rogério Lage, Robson, Paulo César e Nonato. Agachados: Ademir, Cleisson, Edenílson, Éder Aleixo e Roberto Gaúcho
foto: Arquivo EM/D.A Press

Em pé, da esquerda para a direita: Paulo Roberto, Célio Lúcio, Rogério Lage, Robson, Paulo César e Nonato. Agachados: Ademir, Cleisson, Edenílson, Éder Aleixo e Roberto Gaúcho



Encarar uma decisão de competição importante, com estádio lotado e adversário difícil é tarefa bastante complicada, mas que pode consagrar qualquer jogador de futebol. A situação, no entanto, fica mais delicada quando o atleta está dando seus primeiros passos entre os profissionais. O ex-zagueiro Robson, que defendeu o Cruzeiro na década de 90, vivenciou isso na final da Copa do Brasil de 1993, contra o Grêmio. Foi dele a responsabilidade de substituir o experiente Luisinho no jogo realizado no Mineirão.

“Querendo ou não, se você é jovem e está em um grande clube como o Cruzeiro, a primeira coisa que vem à cabeça do torcedor e também da imprensa é que a pressão será muito grande. Um erro para qualquer um na partida contra o Grêmio seria fatal, mas no meu caso seria duas vezes mais”, lembrou Robson, em contato com o Superesportes.

O fato mais interessante é que a decisão da Copa do Brasil contra o Grêmio foi o primeiro jogo de Robson pelo Cruzeiro. Na época, o então garoto de 18 anos formou dupla de zaga com Célio Lúcio, que também era considerado jovem, com 22. O time celeste contou com o forte apoio da torcida - foram mais de 70 mil pagantes - e superou o Tricolor Gaúcho por 2 a 1, com gols de Roberto Gaúcho e Cleisson. Pingo descontou para os visitantes.

“Na época foi a minha primeira partida como profissional. Encarei como o jogo mais importante da minha vida e coloquei que se eu quisesse alcançar alguma coisa boa na carreira de jogador de futebol, teria de passar por essa tarefa”, disse o zagueiro.

Além de elogiar o Grêmio, Robson relembrou o forte apoio que recebeu não somente dos colegas de equipe, mas também do técnico Pinheiro, responsável por colocá-lo em campo. Um atleta que causou preocupação no ex-cruzeirense antes da partida foi o armador Dener, considerado craque na época e falecido prematuramente em 1994, aos 23 anos.

“O jogo foi muito truncado, o Grêmio tinha uma equipe muito forte. Eles tinham o Dener, um grande craque que era respeitado por todos. O Pinheiro (técnico) disse para eu ficar tranquilo e que assumiria a culpa se eu errasse. Os jogadores mais experientes do elenco, entre eles o Luisinho e o Éder, me deram total apoio. Felizmente deu tudo certo e estou sendo lembrado porque fui campeão”, contou.

A personalidade e a boa atuação na partida contra o Grêmio deu bastante crédito a Robson. Ele ganhou mais visibilidade no futebol brasileiro e teve boas passagens pelo exterior. “O título da Copa do Brasil foi muito importante para a minha carreira. Do Cruzeiro eu saí para Portugal, joguei na Arábia e na Inglaterra. Devo muito ao clube”, disse.

Campeões da Copa do Brasil em 1993, Cleison e Robson (d) mantêm forte amizade até hoje
foto: Cruzeiro/Divulgação

Campeões da Copa do Brasil em 1993, Cleison e Robson (d) mantêm forte amizade até hoje









Entre os principais clubes na carreira de Robson estão Marítimo (POR), Leeds United (ING), Energie Cottubs (ALE), Fluminense e Ceará. Ele pendurou as chuteiras aos 33 anos de idade.

Dez anos depois da conquista da Copa do Brasil, outro zagueiro do Cruzeiro também passou pela mesma situação de Robson. Com os mesmos 18 anos de idade, Gladstone foi escalado por Vanderlei Luxemburgo na decisão contra o Flamengo, vencida pelo time celeste por 3 a 1.

Para Robson, ‘amor à camisa’ é raro na atualidade


Contente por ainda ser lembrado nas ruas por vários torcedores, Robson não esconde o carinho pelo Cruzeiro e faz questão de manter as amizades construídas ao longo da carreira. O ex-zagueiro, no entanto, ressaltou que a identificação entre jogadores e clubes está bastante escassa na atualidade e que o ‘amor à camisa’ é quase uma lenda.

“Hoje eu vejo que a maioria dos jogadores está nos clubes por dinheiro. Falta mais identificação, mais amor à camisa. Na minha época ainda existia isso. O salário recebido por nós passava longe dos valores envolvidos na atualidade, mas ninguém reclamava. Todos tínhamos carinho com o clube e até fazíamos amizades com torcedores e jornalistas. Hoje os tempos mudaram bastante”, finalizou o zagueiro.

Aos 38 anos de idade, Robson é formado em Educação Física e trabalha como professor na rede estadual de ensino, além de participar de projetos sociais. “Sou professor em escolas, mas também trabalho com projetos que visam tirar crianças das ruas através do esporte. Ainda tenho o objetivo de montar uma escolinha de futebol com o mesmo intuito”, finalizou.

Cruzeiro 2x1 Grêmio


Cruzeiro: Paulo César; Paulo Roberto, Célio Lúcio, Róbson e Nonato; Ademir, Rogério Lage e Cleisson; Roberto Gaúcho, Edenílson e Éder Aleixo.
Técnico: Pinheiro

Grêmio: Eduardo Heuser; Dida (Charles), Paulão, Luciano e Jackson; Pingo, Juninho, Jamir (Fabinho), Carlos Miguel e Dener; Gilson.
Técnico: Sérgio Cosme

Motivo: jogo de volta da final da Copa do Brasil de 1993
Estádio: Mineirão, em Belo Horizonte
Data: 3 de julho de 1993

Gols:
Roberto Gaúcho aos 12 do 1º tempo (Cruzeiro)
Pingo aos 25 do 1º tempo (Grêmio)
Cleisson aos 20 do 2º tempo (Cruzeiro)

Árbitro: Renato Marsiglia (RS)
Cartões: Jamir, Fabinho, Charles, Jackson e Dener (Grêmio)

Público e renda: 70.723 pagantes e + Cr$ 11 milhões
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