PAULÃO

Ex-zagueiro de Seleção, Paulão recorda título da Supercopa e exalta Ênio Andrade

Hoje, ex-defensor trabalha como auxiliar técnico nas categorias de base do Coelho

postado em 03/05/2013 08:44 / atualizado em 19/01/2015 18:25

Juarez Rodrigues/Estado de Minas
Na pequena cidade mineira de Itambacuri, no Vale do Mucuri, em uma família de nove atleticanos, apenas ele se orgulhava de vestir azul. E foi no time de coração, aos 17 anos, que Paulão inicou a carreira e conquistou prestígio no futebol. Pelo Cruzeiro, ergueu taças importantes e chegou à Seleção Brasileira.

Hoje funcionário do América, Paulão relembra com carinho a passagem pela Toca da Raposa. "No início dos anos 1980, o Cruzeiro fez um amistoso em Itambacuri. O treinador na época que trabalhava na base, o senhor Rossi, me viu jogar, conversou com meus pais e me levou para um período de teste em Belo Horizonte. Fiquei em observação e me efetivaram", conta.

As primeiras oportunidades de atuar como titular surgiram com o técnico Carlos Alberto Silva, em 1986. Três anos depois, com um pouco mais de experiência, formou uma das melhores duplas defensivas da época com a chegada de Adílson Batista ao clube.

Para Paulão, as características de ambos se completavam. "O Adilson Batista, que tinha acabado de chegar do Atlético-PR, era muito técnico. Eu tinha outro estilo. Era mais viril, mais firme. Com essa combinação, casamos muito bem e fizemos sucesso", conta. Juntos, Adilson e Paulão conquistaram a Supercopa de 1991, a primeira de um time brasileiro.

A campanha foi brilhante, porém sofrida. Nas oitavas, o Cruzeiro eliminou o Colo Colo. Após dois empates em 0 a 0, vitória nos pênaltis. Nas quartas, a vítima foi o Nacional: vitória em casa por 4 a 0 e derrota fora, 3 a 0. Para chegar à final, bateu o Olímpia também da marca dos 11 metros, no Defensores del Chaco, em Assunção. O título veio em duas grandes partidas: revés no Monumental de Nuñez (2 a 0) e vitória no Mineirão (3 a 0).

Arquivo Estado de Minas


No banco, um técnico à altura dos campeões: Ênio Andrade. As palavras de Paulão sobre o ex-comandante são de enorme respeito e apreço.

"Seu Ênio era muito querido pelo grupo. Tinha um jeito durão do gaúcho, mas era uma pessoa maravilhosa", conta. "Lembro que no jogo da Argentina, contra o River, ele (Ênio Andrade) foi agredito. Trabalhei três anos com ele e eu nunca tinha visto ele se emocionar como ele se emociou com aquele título. Depois do incidente, essa era a melhor resposta que ele poderia dar", destaca.

A primeira casa

Para o futebol dos anos 1980, os milionários salários praticados nos dias de hoje são pura fantasia. Paulão recorda que na compra da primeira casa, em Belo Horizonte, contou com a ajuda do ex-presidente do Cruzeiro César Masci. Ele conta em detalhes a história.

Arquivo Pessoal
"Na época, eu já era casado, tinha uma filha e ainda pagava aluguel. Estava planejando comprar uma casa e falei com o presidente César Masci. Ele falou para eu procurar que, depois, ele iria me auxiliar. Encontrei uma casa no local que queria, liguei para ele. Isso era um fim de semana. Na segunda-feira, ele conversou com o proprietário e firmou o acordo", conta o grato ex-zagueiro.

Seleção Brasileira

As atuações seguras de Paulão no Cruzeiro chamaram a atenção do então técnico da Seleção Brasileira, Paulo Roberto Falcão. O time da CBF vivia um processo de renovação e muitos jogadores foram testados. Paulão chegou, inclusive, a participar da Copa América de 1993.

Dos jogos da seleção, ele fala em especial de uma vitória sobre a Alemanha. "Nesta época eu já estava no Grêmio. E neste jogo formei dupla com o Célio Silva, que defendia o Inter. Aldair e Ricardo Gomes, os titulares, estavam machucados. A Alemanha tinha acabado de conquistar o título mundial. Ganhamos de 3 a 1, no estádio Beira-Rio", afirmou Paulão, que entre outros jogos, participou do amistoso comemorativo dos 50 anos de Pelé, Seleção Brasileira x Seleção do Mundo. “Foi uma honra estar ao lado do rei em um momento tão especial e ao lado de tantos craques, como Roger Milla, Van Basten, Hagi”.
Arquivo Pessoal

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