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Ex-Cruzeiro, Ceará é empresário de atletas e embaixador do PSG em MG

Ex-lateral defendeu a Raposa entre 2012 e 2015 e foi bicampeão brasileiro; ele concedeu entrevista ao Superesportes, para o quadro Por Onde Anda

17/05/2022 06:00 / atualizado em 17/05/2022 11:35
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Ceará contou detalhes de sua vida profissional e pessoal pós-carreira
foto: Jair Amaral/EM/D.A Press

Ceará contou detalhes de sua vida profissional e pessoal pós-carreira


Marcos Venâncio de Albuquerque, mais conhecido como Ceará, foi bicampeão brasileiro pelo Cruzeiro em 2013 e 2014. Em entrevista ao quadro Por Onde Anda?, do Superesportes, o ex-lateral-direito celeste contou detalhes da vida pós-futebol, as atuais funções e objetivos pessoais e profissionais.


 
Aos 41 anos, Ceará divide a rotina entre quatro tarefas, sendo duas delas envolvendo o esporte. Ele é sócio de uma empresa de agenciamento de atletas, a Tavera Sports, ao lado de seu ex-empresário, Thiago Tavera, além de ser embaixador do PSG em Minas Gerais e gestor de uma escolinha de futebol do clube francês em Belo Horizonte. 

Ceará durante entrevista para o Por onde anda?, do Superesportes
foto: Jair Amaral/EM/D.A Press

Ceará durante entrevista para o Por onde anda?, do Superesportes


 
Fora do esporte, o ex-jogador divide as atenções com os filhos e seu novo projeto político. "Tenho dupla função em casa. Sou viúvo, então sou pai e mãe para os meus três filhos. A agenda é bem apertada dentro de tantas funções a serem desenvolvidas. Também estou com um projeto político para deputado federal."

Como atleta, Ceará atuou por 10 clubes: Santos, Portuguesa Santista-SP, Santa Cruz, Botafogo-SP, São Caetano, PSG (França), Cruzeiro, Coritiba, Internacional e América. Apesar de viver em tantos locais diferentes, ele escolheu morar em Belo Horizonte após se aposentar dos gramados. 

O ex-lateral explica que, com tantas mudanças, raramente comprava um imóvel por onde passava. No entanto, ao chegar no Cruzeiro, em 2012, ele vislumbrou encerrar a carreira no clube e, por isso, decidiu investir em uma residência fixa.

Ceará (à esquerda) com a camisa do Cruzeiro, em 2014, em duelo com o Cerro Porteño
foto: REUTERS/Jorge Adorno

Ceará (à esquerda) com a camisa do Cruzeiro, em 2014, em duelo com o Cerro Porteño


 
"Quando vim para Minas, eu já tinha 30 anos, os filhos estavam em uma pré-adolescência. Quando cheguei aqui, minha visão foi, vou jogar no Cruzeiro, e quem sabe será meu último clube, vou me aposentar aqui. Fiquei um ano em Nova Lima, em locação, e fomos tão bem acolhidos pelos mineiros. Falei para minha esposa, 'esse lugar aqui é muito bom, e as coisas estão se desenvolvendo bem no Cruzeiro, vamos comprar uma casa e ficar por aqui', revelou.
 

Gestor em clubes do interior de Minas

 
Além de empresário e embaixador do PSG, Ceará teve outras duas experiências profissionais envolvendo o futebol após se aposentar. Ele foi diretor de futebol do Villa Nova, em 2020, e Superintendente do Ipatinga, em 2021. 

Ceará foi superintendente de futebol do Ipatinga em 2021
foto: Divulgação/Ipatinga

Ceará foi superintendente de futebol do Ipatinga em 2021


 
As experiências, no entanto, não foram muito boas. Segundo o ex-jogador, as oportunidades vieram por meio de convites de amigos. No primeiro caso, Mancini, ex-Atlético, o chamou para fazer uma 'parceria' no Villa.
 
"São clubes que não têm estrutura, sempre no vermelho e com dificuldades para atraírem atletas. Naquela ocasião (Villa), eu quis oportunizar o Mancini, porque ele queria ser treinador. Nós conversamos, e eu disse para ele que deveria começar, dar o primeiro passo. 'Não é minha intenção, mas posso te ajudar'. Ele falou, 'eu vou se você me ajudar na coordenação', disse Ceará, que lamentou a falta de organização do clube.  
 
"Você chega lá com uma expectativa, e as pessoas não cumprem os acordos. Eu mais me desgastei, comprando coisas para o clube, tapando um buraco aqui e ali, salários atrasados. O desgaste foi outro. Eu e o Mancini tivemos que ajustar algumas coisas, até para alojar garotos", revelou.
 
No caso do Ipatinga, a relação foi menos turbulenta, mas incompleta pelo fato de que Ceará seguia morando em Belo Horizonte, e por isso não participava ativamente da rotina do clube.
 
"Depois apareceu a possibilidade do Ipatinga, no mesmo contexto, para ajudar e levar um pouco mais de notoriedade para o clube. Me coloquei à disposição, levei alguns jogadores, como o Ibson, Augusto Recife, atletas mais cascudos para ajudar. Como não pude estar presente lá por questões econômicas e logísticas, ficava em BH, e era difícil de contribuir mais presencialmente. Foi mais nessa questão de ajudar", explicou. 
 

A aposentadoria

 
Ceará se aposentou logo após a passagem pelo América, em 2017, quando conquistou o título da Série B do Campeonato Brasileiro. Ele revelou que gostaria de ter permanecido no Coelho, mas que não foi possível por decisão da diretoria. 


 
O ex-lateral deixou os gramados com 550 jogos e 12 gols marcados, segundo números do site de estatísticas oGol. Entre os títulos mais relevantes estão a Copa Libertadores e o Mundial de Clubes, ambos em 2006, com o Internacional, e os Campeonatos Brasileiros de 2013 e 2014, com o Cruzeiro. 

Apesar da vontade de ter continuado por mais tempo como atleta profissional, Ceará entende que se preparou bem para o término da carreira. Ele chegou a receber propostas de times menores para disputar estaduais, mas não quis se desgastar naquele momento. 
  
"Infelizmente muitos atletas não se prepararam para o dia da aposentadoria. 'Não vou mais treinar, jogar'. Alguns vivem nessa bolha do futebol e ficam presos a isso. Em 2011, eu ainda estava no PSG, com 31 anos, e já estava preparando meu pós-carreira", disse.

"Conversei com meu empresário naquela ocasião, e falei, 'vamos nos tornar sócios, porque quero ajudar novos talentos pós-carreira, não quero ser treinador nem gestor, mas sim nos bastidores, como agente", contou.

O ex-lateral garante ter se sentido mais livre com a decisão. Segundo ele, o 'futebol foi mais um ciclo que se fechou'. 
 
"Eu não senti tanto essa 'parada', não tive nenhum momento mais depressivo ou mais triste porque não iria treinar. Pelo contrário, me senti até mais livre, porque a pressão do futebol é muito grande. Eu lamento por aqueles atletas que não se programam para o pós-carreira, mas aqueles que conseguem ter essa gestão de tempo, o futebol é mais um ciclo que se fecha na vida de um atleta", afirmou.
 
Mesmo aposentado, Ceará tem uma rotina agitada, de buscar os filhos na escola a participar de projetos - além de gerir os atuais negócios. O ex-jogador também é muito participativo nas redes sociais, onde tem mais de 100 mil seguidores.
 
Multicampeão, Ceará também comentou a passagem pelo Cruzeiro, analisou o atual momento do clube e outros pontos relevantes da carreira.

Confira a entrevista na íntegra.



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