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Ex-lateral Balu relembra tempos de Cruzeiro e fala sobre função no Santos

Ex-jogador da Raposa atua como olheiro no Peixe; em entrevista ao Superesportes, ele fala sobre os títulos, a chegada e o adeus do time mineiro

19/07/2022 06:00 / atualizado em 18/07/2022 23:28
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No Por Onde Anda, Balu relembra trajetória marcante pelo Cruzeiro
foto: Superesportes

No Por Onde Anda, Balu relembra trajetória marcante pelo Cruzeiro


Luís Carlos dos Reis, mais conhecido como Balu, foi um dos grandes laterais-direitos da história do Cruzeiro. Em participação no Por Onde Anda?, do Superesportes, o ex-jogador relembrou a longa passagem pelo clube mineiro e explicou a atual função que desempenha no Santos.



Aos 60 anos, Balu trabalha no Peixe como observador técnico, buscando jovens promessas para a base. Apesar de nunca ter defendido o time no profissional, o ex-lateral fez grande parte de sua formação no Santos.

"Futebol é minha vida. Estou há quatro anos trabalhando na base do Santos, clube que sempre tive uma ligação, nunca escondi de ninguém. Tenho a honra de trabalhar nele agora. Sou observador técnico e rodo esse Brasil todo em busca desses jovens talentos. Graças a Deus tenho tido sucesso nessa nova profissão", conta.

Totalmente ligado ao esporte atualmente, o ex-atleta demorou para retornar ao mundo da bola. Após se aposentar oficialmente, em 2000, ele foi dono de um quiosque e de uma loja, também em Santos. Oito anos depois, tudo mudou com um reencontro de amigos.

"Foi quando, em uma reunião no meu quiosque, Gilberto Costa, Serginho Chulapa, sabe como é a reunião (risos). Eles falaram que eu tinha que ir para a bola, mas eu não queria. Acabou entrando na minha mente, fiz os cursos, internacionais e nacionais, e começou", relembra.

A partir disso, o então ex-jogador se tornou auxiliar-técnico e teve experiências na China, nos Emirados Árabes, no Catar e no Brasil, como integrante das comissões de Marcelo Paz, Marcelo Fernandes e Zé Paulo. 

Passagem pelo Cruzeiro


Balu desembarcou em Belo Horizonte em 1986 e permaneceu até 1991. Foram dois títulos do Campeonato Mineiro (1987 e 1990), além da semifinal da Copa União, em 1987, e do vice da Supercopa de 1988. Neste período, o ex-lateral disputou 322 jogos, fez cinco gols e foi convocado pela Seleção Brasileira em dois amistosos. 



A chegada ao Cruzeiro foi uma mudança de patamar para o então jovem de 24 anos. Revelado pela Portuguesa Santista, Balu tinha sido adquirido pela Ferroviária por 90 mil cruzeiros. Dias depois, o clube de Araraquara o repassou à Raposa por 600 mil cruzeiros, numa espécie de 'ponte'.

Na negociação, o Cruzeiro ainda cedeu à Ferroviária Nenê e Orlando.

"Fiz um campeonato (Paulista) maravilhoso pela Ferroviária, fui a revelação do campeonato. Fiz o quadrangular final com São Paulo, Portuguesa, Guarani e Ferroviária. Arrebentei com o campeonato, os caras não falaram nada e voltei para Santos. Os caras não falaram nada. Os jogadores mais experientes é que falavam que ia chegar proposta", conta o ex-jogador.

Balu afirma que já não esperava mais deixar o clube paulista. No entanto, duas semanas depois, a própria Ferroviária adquiriu o seu passe. Ao sair com amigos para comemorar, um dirigente do clube o contou que o Cruzeiro seria o seu destino. 

Cruzeiro 100 anos: laterais-direitos do clube



"Fomos num restaurante comemorar. Estava comendo e um diretor, senhor Flávio Ferraz, perguntou se eu estava feliz. 'Sim, vou agora jogar num clube da primeira divisão'. Ele então disse que eu ia ficar mais feliz ainda, porque estava indo para o Cruzeiro. Você é jogador do Cruzeiro", relembra.

Adaptação, saudade de casa e cobranças


O início da trajetória, no entanto, não foi fácil. Balu conta que teve muita dificuldade na adaptação, por ser o primeiro 'grande clube' em que atuou no profissional. Além disso, a ausência da família também pesou. 

"Nunca tinha ficado tanto tempo longe da minha casa. Isso me atrapalhou muito. Cheguei a pedir para voltar. Tive muita dificuldade de adaptação. Não consegui render. Foram cinco meses de dificuldade, e liguei para os caras da Ferroviária para me levar de volta", explica Balu, que ficou no clube mineiro e fez história. 

Volta por cima com título de 1987 


O primeiro título de Balu com a camisa celeste veio logo no ano seguinte. Em 1987, o Cruzeiro venceu o Atlético na final do Mineiro e quebrou uma hegemonia de dois anos do rival - além de ser o segundo título estadual da Raposa na década. 

'Para a maioria daquele grupo, foi o primeiro título. E a gente se cobrava, porque era só o Atlético. Na verdade, vamos falar a verdade, eles tinham times bons. E em 1987, na semana da final, a gente conversava, brigava, 'não, os caras não vão levar esse título não'. Chega de passar vergonha. Cara, fechamos o grupo, nos cuidamos o máximo e buscamos aquele título. Foi meu primeiro título na carreira, foi meu grande título", diz o ex-jogador. 

Grandes campanhas


No mesmo ano, o Cruzeiro foi eliminado na semifinal da Copa União (Campeonato Brasileiro naquela época) para o Internacional, que fez a final com o Flamengo. O Rubro-Negro havia vencido o Atlético na outra semi e se sagrou campeão do torneio. 

Balu, ex-lateral-direito do Cruzeiro



Em 1988, mais uma grande campanha que quase resultou em título. A Raposa foi vice-campeã da Supercopa dos Campeões, torneio criado pela Conmebol naquele ano e que reunia os campeões da Copa Libertadores. 

Após eliminar Independiente-ARG, Argentinos Juniors-ARG e Nacional-URU, o Cruzeiro perdeu a taça para o Racing. Balu lamenta as chances perdidas no jogo de volta, mas exalta a campanha celeste. 

"Supercopa, um torneio maravilhoso. Só os campeões. Já vínhamos naquela pegada de 1987, praticamente o mesmo time, e acreditávamos que íamos levar a Supercopa. Mas no primeiro jogo com o Racing lá na Argentina, a gente teve problema", diz Balu, que ficou de fora do jogo de ida (vencido por 2 a 1 pelo Racing) por estar suspenso. 

"Fomos com tudo no Mineirão. Fizemos tudo, foi um massacre. Foi 90 minutos do nosso time, mas os caras vieram arrumadinhos e deixamos escapar um título dentro de casa. Mineirão lotado, campanha maravilhosa, mais uma vez", relembra Balu, titular naquele 1 a 1. 

Campeonato Mineiro de 1990


Balu conquistou seu segundo e último título pelo Cruzeiro em 1990, com direito a mais uma vitória sobre o Atlético. Ele destaca a participação de Careca, decisivo na final, e o favoritismo da Raposa na ocasião.

"Gol do Careca, ele carregava nosso time. Foi 1 a 0. Segundo título nosso, passamos uma semana de comemoração. Clássico, Cruzeiro e Atlético, mas tínhamos um pouco de favoritismo. Não íamos deixar escapar esse título, porque nosso time vinha muito bem. E o Atlético sabia disso", afirma. 
 
O ex-lateral acredita que os anos de conquistas na década de 1990 se iniciaram com aquele grupo e, por isso, relembra com muito carinho a passagem pela Toca da Raposa.  

"Feliz de fazer parte de tudo isso. Tudo começou com a gente, a mudança de verdade do Cruzeiro, multicampeão, tudo começou a partir de 1987. Todos os jogadores que fizeram história nesse grande clube. Quando falo do Cruzeiro, é com maior orgulho. Tenho respeito, carinho e admiração por esse clube. Todos conhecem o Balu, isso é graças ao Cruzeiro", complementa.

Saída do Cruzeiroem 1991


Após ter grande desempenho vestindo a camisa do Cruzeiro, Balu deixou o clube mineiro para defender o Paraná em 1991. Segundo ele, essa foi uma decisão precipitada, causada por problemas particulares. 

"Eu sou o culpado. Me precipitei, a diretoria não queria. O Ênio Andrade (então técnico da Raposa) me chamava, perguntava, 'você quer ir para onde hoje? Sair do Brasil hoje, sair do Cruzeiro para ficar no futebol brasileiro, só se for o São Paulo, não tem outro time. Calma que você vai para a Europa", conta. 

Mesmo com a possível saída precoce, Balu é lembrado com muito carinho pela torcida do Cruzeiro. Além da Raposa e do Paraná, ele defendeu Portuguesa Santista, Ferroviária, Cerro Porteño-PAR, Coritiba, Marcílio Dias-SC, Araçatuba-SP e a Inter de Limeira-SP. 

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