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Crescimento do MMA prova que é possível criar máquina esportiva

Para criar uma estrutura esportiva básica para os treinamentos de atletas não requer investimentos multimilionários; a prova disso é o MMA

postado em 14/09/2021 15:44 / atualizado em 21/09/2021 17:44

(Foto: Pixabay)
 
O mês de Olimpíadas a cada quatro anos é uma lembrança de como somos bons esportivamente mesmo com uma estrutura esportiva insuficiente. Atletas precisam se virar como podem para conseguir treinar, viver do esporte e disputar competições e mesmo assim conseguem resultados que marcam o brasileiro.
 
O que deixa a situação ainda mais vergonhosa é que criar uma estrutura esportiva mínima para os atletas não requer investimentos multimilionários. E o MMA é uma prova disso.
 
O crescimento do MMA graças ao UFC mas também ao trabalho da família Gracie e empreendedores apaixonados pelas lutas e as artes marciais criaram uma fábrica de atletas por décadas. Desde os que decidem ir para o judô, taekwondo e esportes olímpicos até os que querem os ringues e o octógono.
 
Os lutadores brasileiros do UFC também estão abrindo suas próprias estruturas, o que pode gerar ainda mais lutadores e uma cultura de desenvolvimento de talentos. Paulo Borrachinha, por exemplo, tem o seu Team Borracha, uma academia com boa infraestrutura na cidade natal de Contagem, Minas Gerais.
 
Curiosamente a história do rival de Borrachinha, o italiano Marvin Vettori, também pode ser citada como exemplo. Seu país não tem história no MMA, mas inspirado pelas lutas do Pride,  segundo entrevista que ele deu à Betway , ele começou a praticar e cresceu em sua carreira de mais de uma década.
 
Vettori afirmou nesta mesma conversa com o  site de UFC bets Betway  que depois de fazer “algumas besteiras” quando era jovem, canalizou a energia que tinha para a luta e tornou-se um grande nome de sua categoria. 

Exemplos não faltam, mas é necessário oportunidade


O Brasil tem muitos exemplos positivos e vencedores na luta, passando pelos Gracie até Vitor Belfort, Anderson Silva, Minotauro e Minotouro, Shogun, Lyoto Machida e a lista segue. 
 
Em outros esportes o mesmo se aplica. Quer exemplo maior para o tênis que Guga, ou para o basquete que Oscar Schmidt e a rainha Hortência, ou Magic Paula?
 
A criação de infraestrutura para o esporte, permitindo o treinamento em alto nível e a disputa de competições melhorou um pouco com o legado da Copa do Mundo e da Olimpíada, mas ainda está muito distante do que é necessário para um país de 210 milhões de pessoas e que ama esportes.
 
Isso pode ser notado na história dos atletas olímpicos. Darlan Romani, quarto colocado no arremesso de peso, treinava em um terreno baldio. Em matéria da revista Veja antes da Olimpíada, atletas expuseram que trabalhavam como motorista de aplicativo para conseguir a renda necessária para poder treinar e financiar seu sonho olímpico.
 
Claro que é difícil sustentar milhares de atletas e dezenas de instalações modernas, com profissionais de saúde, performance e alimentação. Por isso parcerias público-privadas podem ser a solução, com as academias de luta e as iniciativas de atletas como Borrachinha e tantos outros. A Confederação Brasileira de Jiu Jitsu em parceria com a prefeitura de Embu das Artes também faz um trabalho destacável.
 
Voltando ao exemplo do MMA, não faltam academias de judô, boxe, muay thai e outras artes marciais e lutas nas grandes cidades brasileiras. A criação e manutenção dessas estruturas fica na mão de gestores, que conseguem abrir seus espaços para pessoas comuns que querem praticar esportes e podem pagar mensalidades. Com projetos sociais e a geração de oportunidades, novos talentos também podem aproveitar esse espaço.

Políticas Públicas


Um programa de fácil acesso de incentivos e renúncias fiscais de governos estaduais e federal pode gerar um boom de criação dessas estruturas esportivas, ainda mais com a popularização da prática de esportes por seu óbvio impacto no bem-estar de uma pessoa e seus benefícios de saúde.
 
Com gestores cuidando de seus espaços e uso otimizado de recursos é possível gerar talentos com maior frequência, estimular a economia e reverter recursos para aí sim ter centros de treinamento para alta performance para os atletas que estão à beira de disputar Olimpíadas e grandes competições.
 
O que não podemos é desperdiçar gerações e gerações de talentos que só ganham repercussão de quatro em quatro anos e precisam sobreviver de patrocínios esporádicos. A criação de uma estrutura esportiva beneficia a todos e o MMA tem muito a nos ensinar sobre isso.