Futebol Feminino

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Treinadora do time feminino deixa Rio Branco-AC após contratação do goleiro Bruno

Rose Costa explicou motivo do desligamento por meio de suas redes sociais

postado em 28/07/2020 15:55 / atualizado em 28/07/2020 16:11

(Foto: Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press)
A treinadora do time feminino do Rio Branco-AC, Rose Costa, anunciou seu desligamento do clube. Em texto publicado nas redes sociais, ela disse que o motivo de ter deixado a equipe foi a contratação do goleiro Bruno, que cumpre regime semiaberto pelo homicídio de Eliza Samúdio.  
 
“Deixo minha gratidão pela oportunidade, mas preciso esclarecer também que minha história de vida como mulher e profissional me impedem de permanecer no Rio Branco. Como disse, não questiono nem tampouco julgo suas decisões, mas preciso respeitar minha história e minhas crenças”, escreveu. 
 
(Foto: Reprodução)
 
Rose Costa estava à frente do comando da equipe alvirrubra desde o começo deste ano, quando o clube anunciou o retorno do futebol feminino. O Rio Branco-AC não tinha equipe desde 2016, quando disputou pela última vez o Estadual da categoria. 
 
A treinadora não foi a única a deixar o clube. O Rio Branco-AC também perdeu seu único patrocinador. Nessa segunda-feira, a rede de supermercados Arasuper anunciou a suspensão do contrato.  
 
No domingo passado, o presidente do Rio Branco, Neto Alencar, anunciou a contratação de Bruno Fernandes como 'uma das maiores da história do clube', que disputa a Série D do Campeonato Brasileiro neste ano. O dirigente disse que o goleiro chegaria a Rio Branco nesta semana para reforçar o elenco do time já no Estadual. “Quero desejar ao Bruno Fernandes boas-vindas, que a gente consiga levar o título do Acreano e o acesso à Série C”, declarou. 
 
Preso em setembro de 2010 pelo homicídio da modelo Eliza Samúdio, além de sequestro e cárcere privado do filho Bruninho, Bruno foi condenado a 20 anos e 9 meses. No entanto, ele cumpre a pena em regime semiaberto desde julho de 2019 e tenta se reintegrar ao futebol profissional.
 
Revelado pelo Atlético, Bruno teve o principal momento na carreira profissional pelo Flamengo, sendo campeão brasileiro pelo clube carioca em 2009. O goleiro teve o contrato rescindido com o clube carioca após o caso Eliza Samúdio. 

Passagens curtas pelo futebol após prisão   

Desde a condenação, em março de 2013, Bruno tentou retomar a carreira profissional em algumas ocasiões. Em algumas, chegou a atuar, enquanto em outras nem sequer entrou em campo. 
 
 Em 28 de fevereiro de 2014, Bruno assinou contrato com o Montes Claros, à época na segunda divisão do Campeonato Mineiro. O goleiro cumpria pena em regime fechado e teve permissão negada pela Justiça para atuar pela equipe do norte de Minas Gerais. Em 2015, o Montes Claros encerrou suas atividades, mas o contrato com Bruno só foi encerrado em 2017.
 
Em 14 de março de 2017, Bruno rescindiu com o Montes Claros para atuar pelo Boa Esporte. Duas semanas antes, ele havia conseguido habeas corpus, o que possibilitou seu retorno aos gramados. Pelo clube de Varginha, o goleiro fez cinco partidas. Em 20 de abril de 2017, a liberdade de Bruno foi revogada e o jogador voltou para a prisão. 
 
Após a saída do Boa Esporte e a repercussão negativa com o anúncio do goleiro, Bruno só voltou a atuar profissionalmente após entrar em regime semiaberto. Em 27 de agosto de 2019, ele assinou com o Poços de Caldas, da terceira divisão do Campeonato Mineiro, mas deixou o clube menos de um mês depois, tendo atuado em apenas 45 minutos. 
 
Em 20 de janeiro de 2020, o Operário-MT anunciou a chegada de Bruno, mas desistiu de contratar o goleiro, dois dias depois, após repercussão negativa. No período, o clube matogrossense chegou até a perder um patrocinador. 
 
Em abril deste ano, o J Winners, clube-empresa europeu, chegou a anunciar acerto com Bruno, que ficaria emprestado a uma equipe do Rio de Janeiro em 2020. O clube em questão não foi anunciado.

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