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Rival do América, Cuiabá já é 'clube-empresa', mas nem tudo é perfeito

Dourado é administrado por família, que toma decisões no futebol e também gera polêmica

17/06/2021 06:00 / atualizado em 17/06/2021 03:22
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Paulão, ex-América, é um dos destaques do Cuiabá
foto: Cuiabá/divulgação

Paulão, ex-América, é um dos destaques do Cuiabá


 
Rival do América nesta quinta-feira, o Cuiabá se organiza como uma espécie de clube-empresa, dentro do que a lei permite no Brasil. A família Dresch dirige a instituição desde 2009 e promoveu a estruturação do clube no cenário nacional. Saiba, a seguir, detalhes do funcionamento do próximo adversário do Coelho na Série A do Campeonato Brasileiro.

Alessandro e Cristiano Dresch são irmãos e, respectivamente, presidente e vice-presidente do Cuiabá. Eles possuem a ‘última palavra’ dentro do clube. Outros membros da família, que patrocinam o futebol, têm influência direta nas decisões sobre o futuro da instituição.

O Dourado dispõe de centro de treinamento moderno. A diretoria planeja a construção de um novo CT para as categorias de base e reabriu escolinhas de futebol para captação de atletas na capital mato-grossense.

Em sua organização administrativa, o Cuiabá não conta com um diretor de futebol. Há uma ligação direta entre a presidência com a comissão técnica permanente do clube. O principal objetivo da gestão, neste momento, é a permanência na Série A do Campeonato Brasileiro.

Embora funcione como clube-empresa, o Dourado ainda toma atitudes que colocam a credibilidade do trabalho em xeque. Uma delas foi a demissão do treinador Alberto Valentim por choque após interferência da diretoria nas escalações. Ao que tudo indica, a família Dresch ainda tem grande influência nas decisões do dia a dia da equipe. 

Nesta quinta-feira (17), às 16h, o Cuiabá será o adversário do América pela 4ª rodada do Brasileirão. As equipes se enfrentam no Independência, em Belo Horizonte.

O clube mineiro acompanha os trâmites do projeto de lei que permitirá a transformação em empresa no Brasil. Marcus Salum, coordenador de futebol do Coelho, garante que já possui acordo firmado com um investidor e que a torcida americana receberá ‘grande notícia’ em breve.

Entrevista


Segundo o advogado especializado em direito esportivo, Eduardo Carlezzo, o Cuiabá é um dos precursores do ‘movimento’ que transformará vários clubes de futebol em empresas no Brasil.

“O Cuiabá é constituído como sociedade empresária há vários anos e, por isso, pode-se dizer que é um dos precursores deste movimento que agora tende a ganhar força. É fácil verificar que a estrutura com dono bem definido foi muito bem sucedida, já que o clube em poucos anos chegou à elite do futebol brasileiro. Com certeza serve de modelo para todos os clubes que almejam galgar degraus, de série em série, até chegar à Série A”, afirmou ao Superesportes.

Carlezzo ainda projetou a transformação dos clubes em empresas como um processo ‘sem volta’ no futebol brasileiro. Na avaliação do advogado, o Brasil está atrasado em relação ao que se observa nas instituições esportivas dos Estados Unidos e da Europa.

“A transformação dos clubes em empresa é um processo sem volta e no qual estamos há décadas atrasados quando olhamos para o que ocorre na Europa e Estados Unidos. O modelo atual, de associação, é comprovadamente falido e para isso basta ver a situação de vários grandes clubes do futebol brasileiro. Portanto, estaremos passando nos próximos anos por uma mudança cultural e, como qualquer mudança desta natureza, terá os seus solavancos”, projetou.

Situação do Coelho


O América é um dos clubes mais organizados do país e está preparado para fazer a transição e se transformar em clube-empresa. Em entrevista recente ao Superesportes, Marcus Salum detalhou o projeto do Coelho.

A ideia do América passa por manter o patrimônio e não perder a marca. O clube não abre mão de preservar também seu escudo e cores próprias e almeja parceria apenas para investimento direto no futebol.

“Continuo dizendo sempre que se transformar em empresa não é solução. Solução é ter uma gestão equilibrada. Transformar em empresa é uma forma de você ter um sócio capitalista - coisa que às vezes não temos condição para fazer o projeto prosperar. A gente está aguardando, está acompanhando. Acho que é um bom caminho, e a gente torce para que aprove já que o América está na direção do clube-empresa, sem volta. Se Deus quiser, logo logo vamos dar uma grande notícia à torcida”, afirmou.

“O nosso clube-empresa tem uma característica diferente. O América vai manter seu patrimônio intacto, dando direito de uso no CT e vai continuar com presidente, com conselho, Conselho de Administração, mandando em todos os proprietários do América. Uma nova empresa será formada, onde os jogadores, as competições, o América entra com isso e o investidor entra com o dinheiro. Essa nova empresa irá fazer a gestão do futebol. Por isso eu estou entrando. Se isso for um sucesso, eu já serei a transição do futebol do clube-empresa. É uma mudança, mas o América Clube continua com tudo, dá o direito de uso para o investidor durante o período da parceria e uma nova empresa começa uma gestão independente de futebol. Provavelmente, eu teria uma participação nessa transição, então já estou antecipando isso”, completou Salum.

Na última quinta-feira (10), o projeto de lei que viabiliza a transformação de instituições de futebol em empresas foi aprovado pelo Senado. Agora, a proposta irá para apreciação da Câmara dos Deputados.

O projeto de lei (5.516/2019) cria a Sociedade Anônima do Futebol (SAF), um modelo que concede aos clubes novas possibilidades de obtenção de recursos. Entre elas está a emissão de ações, debêntures, títulos ou valor mobiliário sob regulação da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). 

Atualmente, os clubes são qualificados como associações sem fins lucrativos. Com a mudança legislativa, pessoas físicas, jurídicas e fundos de investimentos poderão participar da gestão. 

Entre os grandes clubes mineiros, América e Cruzeiro são os maiores interessados na aprovação do projeto no Congresso Nacional. Ambos têm a pretensão de se tornar Sociedade Anônima do Futebol o quanto antes.

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