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Perto de renovação, Marquinhos Santos divide opiniões na torcida do América

Técnico sofre pressão nas redes sociais, mas tem o apoio de alguns americanos pelos bons resultados na Copa Libertadores

29/03/2022 12:30 / atualizado em 29/03/2022 13:57
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Marquinhos Santos divide opinião de torcedores do Coelho
foto: Mourão Panda/América

Marquinhos Santos divide opinião de torcedores do Coelho

Perto da renovação de contrato com o América, o técnico Marquinhos Santos não é unanimidade entre os torcedores do clube. Nas redes sociais, alguns americanos levantaram até uma hashtag de protesto, #ForaMarquinhosSantos, nesta terça-feira (29).


 

Uma das principais torcidas do clube, a Barra Una publicou a hashtag #ForaMarquinhosSantos em seu perfil no Twitter. Presidente da organização, Guilherme Saci é um dos que pedem a saída de Marquinhos.

“Dois jogos contra equipes de Série A neste ano: duas derrotas, nenhum gol marcado e 6 sofridos. Eliminado no Mineiro e no Troféu Inconfidência. Já vi treinador ser demitido por muito menos, o que justifica? Já estamos em abril”, publicou.

A segunda derrota citada por Saci foi o revés diante do Atlético, na sexta rodada do Mineiro. Utilizando reservas e jovens em boa parte da competição, o Coelho amargou o quinto lugar no Estadual e não se classificou para as semifinais. No Troféu Inconfidência, também sem os titulares, foi eliminado pelo Tombense após duas derrotas.

Outros torcedores se manifestaram contra a permanência do treinador no alviverde. “Marquinhos Santos, eu tentei de todas as maneiras lhe defender, mas a verdade é que seu trabalho e seu modelo de jogo não deram liga no América. O time não apresenta evolução. Muito obrigado pela reta final da Série A do ano passado e pela Libertadores deste ano”, publicou um deles.

Em contato com a reportagem do Superesportes, o presidente da Torcida Seita Verde, Lucas Vandal, concordou com as críticas ao trabalho de Marquinhos. Em sua visão, o clube deveria aproveitar o fim de contrato para buscar outra opção no mercado.

“Nesta temporada, o time não apresenta o mesmo padrão de jogo que teve ao longo de 2021. A impressão que passa é que a cada semana de trabalho o time 'se perde' um pouco mais, em relação ao que foi apresentado em 2021. O trabalho dele, em números, é até 'ok'. Porém, o que estamos vendo em 2022 deixa dúvidas se ele teve tantos méritos assim ou se foi fruto da manutenção daquilo que o Mancini havia desenvolvido”, opinou Lucas.


Libertadores e ‘apoiadores’


Marquinhos Santos chegou ao América em outubro de 2021, após deixar o Juventude. Na ocasião, o time mineiro estava na 13ª colocação do Brasileiro, com 32 pontos, quatro a mais que o primeiro time na zona de rebaixamento.



Em campanha de recuperação, o Coelho obteve seu melhor resultado na história do campeonato. Com 53 pontos, terminou em oitavo lugar e conquistou vaga para a Libertadores pela primeira vez na história.

Apesar do desempenho ruim no Mineiro deste ano, o América atingiu o grande objetivo da temporada ao se classificar para a fase de grupos da Libertadores. Eliminou o Guaraní-PAR e o Barcelona-EQU na segunda e terceira fases, respectivamente.

Nesta temporada, são 13 jogos, cinco vitórias, quatro empates e quatro derrotas.

A reportagem do Superesportes também conversou com representantes da torcida do América que demonstraram apoio a Marquinhos Santos.

Otávio di Toledo, comentarista do Alterosa Esporte, acredita que falta 'material humano' ao treinador e elogiou o trabalho.

"Faltam jogadores. Não podemos exigir que ele faça milagres. Ele tinha para mexer no time, Felipe Azevedo e Matheusinho, mal demais. O Matheusinho voltou pior do que estava, e o Felipe Azevedo é um volante que joga na ponta. Ele não tem 'material humano'”, opinou Toledo, que analisou a boa campanha na Libertadores.

"Eu sou a favor da permanência dele. É um cara de caráter, que está trabalhando bem, protege o grupo, e os jogadores gostam dele. Mostrou que pode montar um sistema tático interessante, que foi o que ele mostrou nos dois jogos contra o Barcelona. Devem deixar o Marquinhos trabalhar. O treinador não tem culpa, pelo contrário, tem mérito em conseguir esta façanha na Libertadores", afirmou.

Rodrigo Scapolatempore, colunista do América no Superesportes, também acredita que a renovação com Marquinhos Santos é a melhor opção. Para ele, o técnico precisa ter mais tranquilidade no comando do Coelho.

“O torcedor é uma figura folclórica, às vezes impensante, e está no seu direito. Muitas vezes, mesmo embalado por emoções, até acerta. No entanto, é preciso ponderar quando sua ânsia ultrapassa o bom senso. O técnico Marquinhos Santos, que vira e mexe é questionado por alguns cornetas americanos, precisa de crédito. E não digo isso baseado em achismo, mas em fatos. Até agora, tudo que realmente importa em termos de resultados ele nos entregou”, destacou.

Rodrigo diz que a saída prematura do Mineiro não deve fazer a torcida questionar o técnico: “Marquinhos Santos deve jogar (treinar) tranquilo, sabendo que a maior parte – pelo menos a parte racional – da torcida americana está com ele. Não é hora de questionar treinador, é hora de apoiar. O máximo que podemos cobrar é que venham reforços para completar o grupo para todas as competições do ano”.

Outro que confia no trabalho de Marquinhos Santos é Marco Antônio, membro da tradicional torcida organizada Avacoelhada. Ele avalia como positivo o desempenho do técnico e afirma que o clube precisa fazer contratações.

“Penso que o trabalho do Marquinhos Santos deve ser avaliado em relação ao objetivo nas duas fases da Libertadores. Apesar de ainda faltarem substitutos para Ademir e Zárate e de os novos contratados terem rendido menos que do que podem, o objetivo na Libertadores foi alcançado. Para as próximas competições, (precisa contratar) pelo menos um quarto-zagueiro, lateral-esquerdo, meia e centroavante. (Ele deve permanecer) sim”, opinou Marco.

Sob o comando de Marquinhos Santos, o América volta a campo na primeira rodada da fase de campos da Libertadores. O time enfrenta o Independiente Del Valle-EQU em 6 de abril, quarta-feira, às 19h, no Independência, em Belo Horizonte.

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