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Atlético: entenda o que as tatuagens dizem sobre 'El Turco' Mohamed

Treinador tem desenhos pelo corpo que ajudam a compreender sua religiosidade, sua ancestralidade e sua ligação com a família

26/01/2022 13:32 / atualizado em 26/01/2022 14:21
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Tatuagem no braço direito do treinador do Atlético
foto: Pedro Souza / Atlético

Tatuagem no braço direito do treinador do Atlético



As tatuagens do técnico do Atlético, Antonio Mohamed, ajudam a explicar a história tão peculiar de um treinador marcado por dramas e glórias. Os desenhos que ficam visíveis nos braços do 'Turco' indicam sua religiosidade, sua ancestralidade e sua ligação com a família.  

Durante a apresentação oficial do comandante argentino, nessa terça-feira (25), o fotógrafo Pedro Souza, do Galo, registrou detalhes das tatuagens (veja na galeria abaixo).

Fotos da apresentação do técnico 'El Turco' Mohamed no Atlético



No braço direito, El Turco leva a recordação do filho Farid, morto em um acidente automobilístico, em 2006. Na ocasião, o garoto tinha nove anos e estava com o pai na Alemanha para acompanhar a Copa do Mundo. 

Após a eliminação da Argentina para a Alemanha nos pênaltis (4 a 2), nas quartas de final do Mundial, em Berlim, pai e filho estavam a caminho do aeroporto de Frankfurt, onde embarcariam para Buenos Aires, quando o veículo da família foi atingido por um carro em alta velocidade.

Mohamed ficou hospitalizado e conseguiu se recuperar. Farid não teve a mesma sorte e morreu.

Além da imagem do filho, o treinador carrega a frase: "El tiempo acomoda todo" (o tempo acomoda tudo, em tradução literal). A oração pode ter relação com a perda do filho.

Alguns autores acreditam que a frase popular na Argentina é uma derivação da célebre "confía en el tiempo, que suele dar dulces salidas a muchas amargas dificultades" (confie no tempo, que costuma dar doces saídas para muitas amargas dificuldades), de Dom Quixote, de Miguel de Cervantes.

Outra tatuagem que pode ser vista no braço direito é a palavra "Maktub" de origem árabe, que significa "estava escrito". A palavra tem como sinônimo destino, algo que está predestinado a acontecer.

A explicação do árabe vem da origem do treinador argentino. Ricardo Antonio Mohamed Matijevic tem ascendência síria-libanesa e croata.

No início da imigração para a América do Sul, nos séculos XIX e XX, os sírio-libaneses eram cidadãos árabes, do Império Turco-Otomano.

Em uma entrevista em 2020, El Turco explicou o apelido. "Na Argentina, todo mundo que tem sobrenome com descendência árabe se chama turco. Quem tem descendência russa ou iugoslava se chama polaco. É algo parecido. Turco é porque meu sobrenome é de descendência árabe".

No braço esquerdo, o treinador tem um terço tatuado. A religiosidade do 'Turco' é algo que pode ajudar a entender a identidade e os dramas da sua vida. Além da tatuagem, ele carrega outro rosário durante os jogos: "Vou seguir levando o rosário no banco, meu filho me acompanha sempre", disse o treinador, em 2018.

Quando conquistou o Campeonato Mexicano de 2019 com o Monterrey, time de coração do filho, o treinador dedicou o título à memória de Farid.

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