TOMBENSE

O sonho apenas começou

Tombense projeta conquistas e rejeita rótulo de "barriga de aluguel" por parceria

postado em 27/04/2013 09:30 / atualizado em 27/04/2013 10:58

É indiferente para os torcedores do Tombense ouvir dos adversários que o “barriga de aluguel” está nas semifinais do Campeonato Mineiro. Agora, se o assunto é falado dentro das dependências do clube ou com um dirigente, o troco vem na mesma moeda: “E o que acontece em outros clubes grandes do futebol brasileiro? Eles não têm parceiros?”, questiona o presidente Lane Mendonça Gaviolle. Tudo porque há uma década se iniciou uma parceria com o empresário paulista Eduardo Uram, de 56 anos, que administra a carreira de pelo menos 500 profissionais da bola no país e no mundo. Essa união poderá fazer história no futebol mineiro a partir da semifinal do Estadual com o Atlético, disputada numa cidade de apenas 9.542 habitantes e com pouca tradição no futebol.


Terceiro colocado na fase de classificação e semifinalista, o time tem planos audaciosos: “Em 2013 entramos para disputar o Mineiro pela primeira vez. No próximo ano brigaremos pelo título. E queremos muito mais”, projeta um otimista Gaviolle, ex-jogador e sempre ligado ao esporte. Ele tem várias propriedades em Tombos e antes de optar integralmente pela área esportiva dirigiu uma fábrica de doces. Quando se fala dele, a resposta é imediata: “Dono de metade da cidade!”. Já o parceiro Uram não aparece. Nos tempos em que foi casado com Sonália, natural de lá, até que era visto. O curioso é não ter acompanhado nenhum jogo do time no Estadual. Somente em casa, pela TV, dizem seus amigos do município, que fica a 375 quilômetros de Belo Horizonte, 356 do Rio de Janeiro e a 600 de São Paulo.

Ramon Lisboa/EM

Até agora, Tombos, cuja origem do nome está ligada a sua cachoeira, a quinta maior do Brasil em volume d’água, foi destaque por ter revelado Jouber, um dos maiores defensores da história do Flamengo nos anos 1950 e 1960. O Tombense sempre participou dos campeonatos da região, envolvendo também equipes do Rio de Janeiro – o limite dos estados está a apenas 5 quilômetros. Os mais tradicionais foram Ribeiro Junqueira, de Leopoldina; Ipiranga, de Manuhuaçu; Nacional, de Murié; Operário e Manufatura, de Cataguases; Ypiranga, de Carangola; Grêmio, de Manhumirim; além de Olímpico e Capixaba, estes do Espírito Santo. Em 1935 foi o campeão dessa liga.

Em 1999, com a chegada de Uram, a bola virou produto valioso na cidade. Dois anos depois, o Tombense já era campeão mineiro das categorias infantil e juvenil, no comando de Jordan de Freitas, ex-jogador (atuou no Cruzeiro de Ademir, Careca, Ronaldinho e outros). No time estavam, entre outros, Leo Moura, Cícero (Santos), João Paulo, Renatinho e Elias (Figueirense). Pouco depois contratou o goleiro Bruno (acabava de ser revelado pelo Venda Nova), hoje cumprindo pena pela morte de Eliza Samudio. Comprou também o zagueiro Thiago Silva, do Fluminense, e 24 horas depois o vendeu para o Milan. Antes de Cruzeiro 3 x 1 Tombense, o que se mais falava era da declaração do cruzeirense Diego Souza: “Vou jogar contra o time do meu patrão”.

Para 2013, além de estruturar a equipe, com investimento de R$ 1,5 milhão para o Campeonato Mineiro, o empresário ampliou seus negócios. Colocou jogadores no Boa, América (oito atletas), São Paulo, Flamengo e no rebaixado Guarani de Campinas, onde a parceria imita a de Tombos. O time para a disputa do Estadual foi escolhido a dedo: “O trabalho foi feito para chegar entre os quatro”, diz o técnico Marcelo Cabo, que dirigiu times pequenos do Rio de Janeiro e trabalhou dois anos na Arábia Saudita.

OTIMISMO O supervisor Jordan de Freitas, de 46 anos, mineiro de Caratinga, também com experiência em muitos clubes (esteve na Guiné Equatorial, na África), mas com laços fortes no Tombense, é puro otimismo: “O estádio estará modernizado, com camarotes, e teremos um time fortíssimo. Não sei se como Atlético e Cruzeiro, mas brigando em igualdade”, garante. O diretor de futebol Leandro Gaviolle acena com possível renúncia à Série D para priorizar o fortalecimento do clube: “Podemos optar por melhorar o estádio e cuidar da preparação da equipe a partir de novembro”. Seus 28 profissionais têm contrato até dezembro, enquanto a maioria dos clubes do interior assina apenas para a disputa do Mineiro.


O TIME
» Fundação: 7/09/1914
» Títulos: campeão da 3ª Divisão em 2002; 2ª Divisão, em 2006 e da Liga (Zona da Mata) 1935
» Mascote: gavião carcará
» Cores: vermelho e branco
» Adversários Série D: Tupi, Nova Iguaçu, Resende e Espírito Santo (1)
» Estádio: Almeida, capacidade 3.050 torcedores
» Jogadores: 28


FORA DE CASA, UM LEÃO

O Tombense é um time com desempenho melhor fora de casa que em seus domínios. Atuando em Tombos, obteve duas vitórias (Boa e Nacional), mas sofreu três derrotas (para Atlético, Villa Nova e Tupi). Foi como visitante que garantiu a maior parte de seus pontos: quatro triunfos – contra América-TO, Araxá, Guarani e América –, além de um empate com a Caldense. O único tropeço foi diante do Cruzeiro, no Mineirão. O time tem o terceiro melhor ataque do Mineiro, superado apenas pela Raposa e pelo Galo. Dos 16 gols marcados, sete foram feitos por Júnior Negão, artilheiro do Estadual.