CLUBES DA ESQUINA
Heróis anônimos na capital dos campeões
Os desafios enfrentados por cerca de 4,5 mil jogadores em 113 campos de BH são mostrados de hoje a sexta-feira em série do EM sobre o futebol amador
postado em 07/12/2014 09:00 / atualizado em 07/12/2014 09:23
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Em vez do tapete verde, são 113 campos de terra, areia, saibro, areia com saibro ou grama sintética espalhados pela cidade. Pisos irregulares, esburacados e cheios de poças d’água - adversários extras para os cerca de 4,5 mil atletas registrados pelo Setor de Futebol Amador da Capital. Atletas que não encontraram espaço no profissional e dividem o futebol com rotinas pesadas de trabalho.
Ao longo das décadas, os campos de terra batida forneceram craques para os principais clubes de BH e até para a Seleção Brasileira: Toninho Cerezo começou no Ferroviário, do Horto; João Leite calçou as luvas primeiro para defender a meta do Alvorada, da Nova Gameleira; Paulo Isidoro iniciou a carreira no extinto Ideal, do Bairro da Graça; o ex-treinador Carlos Alberto Silva conheceu os segredos do futebol à beira do campo no Nacional do Carmo; e a cinco vezes melhor do mundo Marta foi convocada pela primeira vez quando defendia o Santa Cruz.
A várzea é um manancial de contos e casos, que apesar das dificuldades sobrevive com bom humor e paixão. É quase um ritual universal: em qualquer campo, em um domingo de manhã, são disputados jogos em sequência, do mirim ao adulto, seguidos da resenha, com cerveja e tira-gosto. “Só paixão explica a gente continuar dando murro em ponta de faca, acordando cedo, tirando dinheiro do próprio bolso, sem apoio”, explica Nildo André, presidente do Cachoeirinha, enquanto ajeita a cal para fazer a marcação do campo de terra. “Muita gente não entende por que continuamos. Se a mulher da gente descobre que tiramos dinheiro do próprio bolso para o time, fica uma fera”, explica Mauro Mansur, vice-presidente do Ferroviário, um dos clubes mais antigo da capital, fundado em 1928, ajeitando os uniformes sujos de terra para lavá-los numa máquina comprada em prestações a perder de vista.
O Estado de Minas apresenta a partir deste domingo o especial Clubes da Esquina, com a história e as estórias do futebol amador de BH. Paixões centenárias que lutam para sobreviver e continuar construindo um dos maiores patrimônios da capital.
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