Eram 41 minutos do segundo tempo de Brasil x Itália, pela final da Copa do Mundo de 1970, no México. Numa recuperação de bola do cruzeirense Tostão, os comandados de Zagallo iniciam a troca de passes no campo de defesa. Quando a bola chega ao volante Clodoaldo, ele dá um show de habilidade, livra-se de quatro italianos e entrega a redonda a Rivellino. O camisa 11, então, serve em profundidade para Jairzinho, que carrega para o meio e encontra Pelé próximo à meia-lua. Nisso, o lateral-direito Carlos Alberto Torres surge como elemento surpresa e é acionado pelo Rei. O chute forte, no canto direito de Dino Zoff, coroou a vitória brasileira por 4 a 1 e eternizou a conquista do tricampeonato mundial numa das jogadas mais bonitas da história do futebol.
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"Terminei a palestra com gol de Carlos Alberto em 1970. Essa imagem nos ensina muito. O Tostão veio dobrar a marcação do lado com o Everaldo até embaixo. Na sequência, quase todos os jogadores do Brasil tocaram a bola. Na sequência, Jairzinho ficou no um contra um. Quando a bola rodou (passou por Pelé), o Carlos Alberto apareceu de trás. Resumi assim: isso nos mostra o quão é importante o senso de equipe. Talvez é a maior homenagem que podemos prestar a ele (Carlos Alberto Torres) com essas ações solidárias de talentos extraordinários”, revelou Tite, em entrevista coletiva depois da partida.
Neymar deu sim show de bola. Fez gol, chutou bola na trave, driblou, deu assistências e sofreu faltas. Mas é preciso destacar que Gabriel Jesus e Coutinho tiveram muita importância para isso – talvez até o mesmo peso. O camisa 11, por exemplo, fez belíssima jogada ao tomar iniciativa de carregar a bola para a meia-lua e bater de fora da área – ali nasceu o primeiro gol brasileiro. Já Gabriel Jesus achou espaço entre quatro adversários e conseguiu o encaixe perfeito para Neymar, autor do segundo gol. Paulinho, com assistência de Renato Augusto, marcou o terceiro.
Para explicar o êxito da Seleção Brasileira, Tite chegou a citar o Cleveland Cavaliers, campeão da NBA 2015/2016, e o seu astro LeBron James como exemplos.
“Dependia antes (do jogo coletivo), continua dependendo agora. Alguns conceitos que entendo não mudam. O Cavaliers foi campeão da NBA com seu maior astro fazendo ação defensiva. A gente tem que entender e valorizar uma ação defensiva. Ou com um Neymar de frente com Zabaleta, ou com Gabriel Jesus que faz Neymar descansar. A gente ouve algumas mentiras na bola: ‘se voltar para marcar, vai se cansar’. Não tem isso. Neymar fez gol, Coutinho fez gol”.
Líder das Eliminatórias Sul-Americanas, com 24 pontos, o Brasil volta a campo na próxima quarta-feira, às 00h15 (de Brasília), contra o Peru, fora de casa.