CLUBES DA ESQUINA
Atropelado pelo trem
Com as atividades encerradas depois que linha férrea da Vale cortou o meio-campo, o quase centenário Pompeia aguarda a construção do novo estádio, ao lado do antigo
postado em 08/12/2014 08:18 / atualizado em 08/12/2014 11:38
A diretoria aguarda até hoje a construção do novo estádio, ao lado do antigo. “A comunidade cobra, mas a gente tenta apaziguar, para resolver pacificamente. Todo mundo se sente prejudicado e cobra muito”, explica Jairo Gomes, secretário do Pompeia. Em outubro de 2010, a Vale solicitou o terreno e acertou que tão logo as obras fossem finalizadas, em 2013, ela se responsabilizaria pela construção de nova praça de esportes. Em maio do ano passado, a empresa informou à Prefeitura de Belo Horizonte que havia limpado e desocupado o terreno. “Em audiência pública na Câmara, fomos informados de que a Vale repassou à Prefeitura os recursos para a reconstrução da Praça de Esportes. Passados meses, nenhuma providência foi tomada, o que vem nos preocupando”, explica Gomes.
Saiba mais
ROUBO O Pompeia, um dos times mais tradicionais da capital, viveu seu momento de glória nos anos 1970, quando conquistou 13 títulos do Campeonato da Divisão Amadora, promovido pela Federação Mineira de Futebol. O último jogador revelado pelo alvinegro a ter sucesso como profissional foi o zagueiro Welton Felipe, ex-Atlético.
O terreno onde será erguida a nova praça de esportes está abandonado e serve hoje de pasto para cavalos. Como não há nada tão ruim que não possa piorar, o galpão em que o Pompeia guardava seus pertences foi roubado em agosto. “Levaram janelas, portas, portões... Só não levaram os troféus porque a gente já os tinha tirado. Levaram tudo: móveis, arquivo, mesas, cadeiras, material esportivo. Nem uma bola deixaram”, enumera Gomes.
Também neste ano, o clube teve de arcar com a taxa de incêndio cobrada pelo Estado, no valor de R$ 17 mil. “A comunidade da Região Leste está ensaiando promover manifestações para acelerar a construção. O maior prejudicado não é o Pompeia, mas a própria população, que tinha o campo como único entretenimento”, lamenta o diretor.
Personagem: o time da Portuguesa
O campo é o maior patrimônio que um clube amador pode ter. Seja de terra, areia ou gramado, é um fator agregador da comunidade e reduz custos significativos para os clubes. Mesmo sem uma base, muitos conseguem resistir, como a Portuguesa, do Bairro Providência, único time amador da capital a conquistar um título nacional: o da Copa Kaiser Brasil’2009. “Não temos campo, temos de alugar. Sai tudo do nosso bolso, por não termos renda nem patrocinadores. Hoje, para colocar o amador em campo, a gente gasta em média R$ 800 por semana, mais R$ 500 do júnior. Fora um especial. É muito pesado”, diz o presidente José Maris Filho, o Capitão.
Fundada em 1975, a Portuguesa joga atualmente no campo do Racing, no Bairro Universitário, mas também usa o do Tupinense, no Tupi. São cerca de 20 jogadores no adulto e 20 nos juniores – a Federação Mineira de Futebol (FMF) exige pelo menos uma categoria de base para que o clube possa disputar campeonatos amadores.
O time venceu três das últimas seis edições da Divisão Especial do Mineiro. Em 2009, ano em que conquistou a Copa Kaiser Brasil, a equipe conseguiu a façanha de vencer seis dos sete campeonatos disputados. “A única coisa que meu bairro tem é o time. Muita gente só conhece o Providência por causa da Portuguesa. Continuo por satisfação pessoal, sou aposentado. Domingo não tem nada melhor do que estar na beirada do campo”, destaca Capitão.
Tags: clubes da esquina belo horizonte futebol amador várzea


