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Belmiro, o funcionário do Galo que viveu os dois títulos brasileiros

Massagista Belmiro chegou ao Atlético em setembro de 1968 e hoje comemora a conquista do Brasileiro pela segunda vez pelo clube

03/12/2021 15:45 / atualizado em 03/12/2021 15:13
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O massagista Belmiro, de 70 anos, passou os últimos 53 no Atlético e vive a emoção do bicampeonato brasileiro
foto: Pedro Souza/Atlético

O massagista Belmiro, de 70 anos, passou os últimos 53 no Atlético e vive a emoção do bicampeonato brasileiro


Testemunhar o título de 1971 e o bi 50 anos depois já é coisa para poucos. Participar disso, então, é privilégio mesmo. Por isso, o massagista Belmiro Oliveira, de 70 anos, comemora muito a conquista do segundo título brasileiro pelo Atlético neste ano de 2021. O profissional está no clube "desde 25 de setembro de 1968", como gosta de detalhar, graças a um convite do médico Abdo Arges. Nestes 53 anos, Belmiro guarda na memória muitas histórias, comemorações e momentos dos quais tem orgulho. Por outro lado, ele também viveu decepções e fases difíceis.

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"Em 1971, eu era muito novo, para mim era tudo novidade e fiquei encantado. Nosso time entrou desacreditado no Nacional, 'seu' Telê (Santana) apostou em jovens, como Zé Maria Pena, Humberto Ramos, Romeu, Danival, Antenor, entre outros, e colocou alguns mais experientes. Acabou que o time foi crescendo, deu liga, jogando o futebol que o seu Telê gostava. Aí, no triangular final, ganhamos do São Paulo e depois do Botafogo, no Rio, que nos deu o título. Agora é um time bem mais experiente, com rodagem, só jogador cascudo, acostumados a grandes disputas", compara Bel, como é chamado por todos na Cidade do Galo.

O massagista ainda apontou o grande mérito de Cuca ao herdar boa parte do elenco montado na 'era Jorge Sampaoli'. "A base do trabalho foi benfeita, e os que chegaram se encaixaram muito bem. O Cuca deu o equilíbrio que faltava, o time sabe a hora de defender e a hora de atacar. Então, parece que foi um time talhado para ser campeão."

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Peso de uma boa estrutura


Mas tudo que é colhido em campo é fruto do que vem sendo plantado fora dele. Se no começo dos anos 1970 a estrutura do Atlético ainda era a que foi instalada onde funcionava o Estádio Antônio Carlos, em Lourdes, ela melhorou com a inauguração da Vila Olímpica, que tinha dois campos de treinamento, e ainda mais com a ampliação da Cidade do Galo.

O CT atual conta com área de 245 mil m², sete campos oficiais, sendo dois com arquibancada e hotel, além de alojamento para as categorias de base.

"Desde o título de 1971, foi só crescimento. E não estou falando só da estrutura física, que foi transformada, está bem melhor. Hoje, a comissão técnica é maior, conta com mais gente especializada, profissionais de primeira linha", diz.

O massagista aponta a administração atual, com conta com a ajuda do mecenas Rubens Menin, como um divisor de águas no Atlético. "O que essas pessoas estão fazendo vai permitir que o time brigue sempre nas cabeças. Ainda mais depois que o estádio for inaugurado. Com o apoio da torcida na Arena, aí vai ser ainda mais difícil de segurar", aposta Belmiro.

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Cuidado especial com ídolos


Pelas mãos de Belmiro passaram, literalmente, craques como Toninho Cerezo, Éder Aleixo, Ronaldinho Gaúcho e atualmente Hulk, Diego Costa e Nacho Fernández. Também os artilheiros Dadá Maravilha e Guilherme, entre outros. Nenhum deles, porém, se aproxima de Reinaldo, na opinião do experiente profissional.

Belmiro comemora em campo: massagista alvinegro é uma das figuras mais queridas no clube
foto: Pedro Souza / Atlético

Belmiro comemora em campo: massagista alvinegro é uma das figuras mais queridas no clube



"Reinaldo era muito à frente dos demais, era gênio. O clube teve outros craques, mas não como ele. Infelizmente, o Rei acabou sofrendo muito com a violência dos marcadores. Além de pontapés, eles davam soco, cabeçada. E ele não temia, ia para cima."

Belmiro lembra que o histórico camisa 9 costumava se deitar na maca no vestiário antes dos jogos e colocar uma toalha dobrada sobre os olhos: "Dizia que estava estudando os marcadores, mentalizando como ia passar por eles. Uma vez, íamos enfrentar o Fluminense e ele me falou que ia passar a bola por entre as pernas do Edinho e dar um chapéu no Edinho. Dito e feito".

Comandantes inesquecíveis


Entre os treinadores, Belmiro diz que muitos foram importantes na caminhada do Galo nestes 50 anos que separam um título do outro. Por coincidência, ele destaca Telê Santana, comandante de 1971, e Cuca, que conduziu o Galo ao bi e também ao título da Copa Libertadores de 2013.

Resiliência

Mas nem só de alegrias é feita a caminhada de um clube de futebol. Se conheceu muitos países e comemorou títulos por ser massagista do Galo, também conviveu com salários atrasados em algumas oportunidades, além de decepções em campo.

"Em 1977 ficamos muito decepcionados, pois o time era muito bom. Reinaldo vinha fazendo gol de todo jeito. Não dá para entender como fomos vice do Brasileiro sem perder nenhum jogo. Outra coisa que demorei a aceitar foi a queda para a Segunda Divisão (em 2005). Fiquei uns três meses sem chão. Mas a gente aprende a superar cada obstáculo e acaba sendo recompensado à frente, como fomos em 2013, com o título da Libertadores", diz, orgulhoso.

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