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Ex-Galo, Rafael Miranda é sócio de construtora e pensa em voltar ao futebol

Depois de se aposentar em 2016, ex-volante do Atlético criou uma página no Instagram de análises táticas e pretende voltar a trabalhar com esporte

02/08/2022 05:00 / atualizado em 02/08/2022 10:36
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Rafael Miranda quer voltar ao mundo do futebol
foto: Reprodução/Superesportes

Rafael Miranda quer voltar ao mundo do futebol



O atleticano que acompanhou atentamente os anos 2000 deve se lembrar com carinho do ex-volante Rafael Miranda, o Xodó da Vovó, como ficou conhecido. O jogador foi revelado nas categorias de base alvinegra e, como ponto alto, participou do elenco que foi campeão da Série B em 2006. Hoje, já aposentado, ele mora em Nova Lima, é sócio de uma construtora e faz planos de voltar ao futebol.

"Antes de parar, no início da minha carreira, eu já investia em imóveis com alguns amigos, meu pai já cuidava das minhas coisas, e a gente montou, de 2013 pra cá, a nossa construtora. E, hoje, a construtora é meu ganha-pão, é o que me sustenta hoje. Mas se você me perguntar se quero isso para o resto da minha vida, eu vou dizer não. A gente, às vezes, não escolhe a forma de renda, sou muito grato, mas hoje o que me dá prazer é falar de futebol, o que tinha perdido. Hoje, tenho prazer total em falar de bola, de ver jogo, analisar jogo", disse.

Rafael Miranda participou de 153 jogos (75 vitórias, 37 empates e 41 derrotas) com a camisa do Atlético, com quatro gols marcados. Ele estreou como profissional em 2003 e ficou até 2009. Depois, passou por Athletico-PR, Marítimo-POR, Bahia, ABC, Ferroviária e Vitória de Guimarães-POR.

O volante encerrou a carreira em 2016 e não queria mais saber de futebol. "Quando eu parei, eu estava simplesmente saturado com futebol. Eu simplesmente não conseguia assistir a jogo de futebol, não conseguia falar de futebol , eu queria andar de bicicleta, jogar futevôlei, menos futebol. Eu fiquei um ano sabático, longe do futebol, mas é uma coisa que fiz durante 25 anos da minha vida. É a coisa que eu mais sei fazer é falar de futebol, tenho um conhecimento prático de muito tempo. E voltei a ir ao estádio, acompanhar os jogos. Em uma conversa despretensiosa com os amigos, os caras me perguntaram por que eu não mexia no Instagram, eu nunca fui muito de rede social, e comecei a mexer", disse. 

Hoje, Rafael Miranda tem um canal no Instagram (@rafaelmiranda5) com 29 mil seguidores, plataforma na qual analisa lances de jogos de futebol. "Comecei a pesquisar e quando eu postei o primeiro vídeo de um minuto, eu gastei quase o dia inteiro, porque você tem que montar o vídeo, editar, escolher o lance, fazer a análise, isso demanda um tempo grande para fazer o vídeo de um minuto. Aí eu postei um vídeo, e no segundo e no terceiro, os feedbacks foram muito legais, de gente falando que eu tinha uma visão de campo diferente do que o pessoal tem de fora".

"Tem seis meses que comecei a fazer as análises, foquei no Galo porque tenho uma carreira no Galo, sou atleticano de família de ir ao estádio, e foquei no Galo, não que eu tenha que ficar fixo nisso, mas deu uma repercussão legal, é um hobby por enquanto, isso não me monetiza, não vivo disso, mas comecei a perceber que posso utilizar isso como profissão ou ganhar uma grana, mas estou amadurecendo a ideia, é um hobby e tenho curtido muito", acrescentou.

Futuro


Em relação ao futuro, o volante ainda deixa em aberto. "Não tinha nenhuma ideia de ser treinador, de trabalhar no futebol, se fosse pensar algo no início seria algo na imprensa. A minha rede social é um hobby e vejo que a resposta do torcedor é o melhor feedback, começou muito essa pergunta se penso ser analista, auxiliar, treinador, recebo várias perguntas nesse sentido. Isso me fez pensar, porque quando terminei a carreira estava muito saturado com futebol. Se como jogador já estava me sentindo assim, como treinador é dobrado, é muito mais pressão, muito mais trabalho, muito mais dedicação". 

"Então, tenho que me preparar para isso. Mas essa resposta que estou tendo dos seguidores me fez pensar em fazer um curso da CBF, porque até para analista os clubes exigem. Penso em fazer alguns cursos, mesmo se ficar companheiro de vocês aqui o conhecimento é sempre importante, porque tenho muita prática e pouca teoria. A teoria que tenho é dos treinadores passando, mas direcionando para a prática do jogo. Sinceramente, não defini o que fazer no futuro, estou fazendo, mas esperando ver que lado vou ter mais prazer, que porta que vai se abrir", completou.

Xodó da Vovó


O apelido Xodó da Vovó surgiu em 2006, quando ele marcou seu primeiro gol pelo profissional. Na véspera do jogo contra o Paysandu, pela Série B do Campeonato Brasileiro, Dona Helena, avó de Rafael Miranda, foi à Cidade do Galo e pediu ao neto que marcasse um gol. E foi o que ocorreu: o volante balançou as redes uma vez na vitória por 3 a 0. Na transmissão da rádio Itatiaia, o locutor Willy Gonser, morto em 2007, foi o autor da alcunha, que é lembrada até hoje.

"Quem inventou o apelido foi o Willy Gonser. A gente ia jogar no sábado contra o Paysandu. Na sexta, a minha avó foi ao CT, a imprensa gosta daquela conversa, a imprensa entrevistou a minha avó, e ela falou: 'poxa, deixa o Rafa fazer o gol'. Ela pediu ao treinador: 'Levir, deixa o Rafa fazer um gol'. A entrevista dela saiu no dia do jogo e acabei fazendo o gol, foi meu primeiro gol como profissional. E o Willy, eu gosto muito de falar do Willy, para mim ele foi o maior narrador, vamos ver se vai surgir outro igual a ele, a inteligência dele, ele muito rápido para pensar. Eu fiz o gol e ele já linca na história da vovó, e ele fala 'gol para atender a vovó'. E a partir daí ele começa a me chamar de Xodó da Vovó". 

"No primeiro momento, fiquei com receio de como seria o apelido, se poderia ser prejudicial. Você pensa em um camisa 5 do Galo como Xodó da Vovó? Conhecendo a história da torcida do Galo, como o torcedor ia entender isso? Meu camisa 5, o cara que tem que chegar o rei, isso não vai pegar bem. Aí eu fiquei com isso, mas como o torcedor não podia cobrar de mim era falta de dedicação e comprometimento, isso nunca faltou. A partir do momento que percebeu que entrega e intensidade do jogo não faltavam, acho que o torcedor levou na brincadeira. Hoje, tem cara que lembra do apelido e não lembra do nome. E minha avó adora isso, ela está viva, com 95 anos e tem orgulho disso, de saber que meu apelido é associado a ela", finalizou.

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