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Atlético e Flamengo revivem rivalidade e decidem Supercopa em Cuiabá

Times se enfrentam a partir das 16h deste domingo, na Arena Pantanal, em busca do primeiro título da temporada 2022

Hulk, do Atlético, e Arrascaeta, do Flamengo, são referências técnicas da grande decisão da Supercopa do Brasil
foto: Montagem com imagens de Pedro Souza/Atlético e Marcelo Cortes/Flamengo

Hulk, do Atlético, e Arrascaeta, do Flamengo, são referências técnicas da grande decisão da Supercopa do Brasil


O sol tinha ido embora, mas o termômetro ainda beirava os 30ºC no fim da tarde de sábado em Cuiabá. Diante das queixas dos visitantes pelo calor, o comentário dos moradores era o mesmo: "Hoje está ameno". E é assim que vai estar também neste domingo (20), dia da aguardada Supercopa do Brasil entre os poderosos Atlético e Flamengo, adversários históricos que revivem a rivalidade em busca da primeira taça de 2022. A bola rola às 16h (de Brasília, 15h no horário local), na Arena Pantanal.
 

O Atlético disputa a Supercopa por ter conquistado o Campeonato Brasileiro e a Copa do Brasil em 2021. O regulamento, então, abre espaço para o vice-campeão da Série A, o Flamengo, disputar a competição.

Nas ruas da capital do Mato Grosso, a presença rubro-negra é claramente superior. Diferentes pesquisas feitas nos últimos anos mostram que Flamengo e Corinthians lideram os rankings de torcidas na cidade. Em minoria, os atleticanos se concentram no hotel que hospeda a delegação alvinegra e se reuniram em evento realizado na véspera da partida pelo consulado do clube em Cuiabá.

A princípio, apenas 30% da capacidade da Arena Pantanal (que é de cerca de 43 mil pessoas) estava liberada, em função do avanço recente da COVID-19 na cidade. Porém, negociações encabeçadas pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF) com as autoridades locais fizeram com que o número aumentasse para 80%.
 

Fotos do hotel do Atlético em Cuiabá para a decisão da Supercopa

 

Foram colocados à venda 31.219 ingressos, carga que se esgotou rapidamente, já na sexta-feira. Pouco mais de 3,5 mil lugares foram comprados para o setor Sul Inferior, exclusivo aos alvinegros. A mesma quantidade se destinou ao Norte Inferior, específico para rubro-negros. O restante do estádio terá torcida mista, com maioria flamenguista.

O protocolo sanitário local exige que os torcedores apresentem comprovante de ciclo vacinal completo contra o coronavírus (duas doses ou dose única, se for o caso). Para crianças de até 11 anos, é exigida uma dose.

Rivalidade viva


Não é preciso ter nascido antes de 1980 para entender - e sentir - a rivalidade entre atleticanos e flamenguistas. Naquele ano, as equipes se encontraram pela primeira vez em uma final - a segunda vai ser exatamente neste domingo, pela Supercopa. Em uma decisão cheia de polêmicas e críticas em relação à arbitragem, os rubro-negros levaram o título do Campeonato Brasileiro com a vitória por 3 a 2 no Maracanã, após terem perdido por 1 a 0 no Mineirão.

No ano seguinte, o confronto entre dois dos principais times do país ganhou contornos ainda mais tensos naquele histórico jogo de desempate pela fase de grupos da Copa Libertadores. Na partida que "não terminou", o árbitro José Roberto Wright expulsou cinco atleticanos. Em seguida, o goleiro João Leite alegou uma lesão, e o Galo não tinha mais substituições a fazer. Com isso, o duelo foi encerrado por falta de número mínimo de jogadores. O Fla foi declarado vencedor, avançou de fase e rumou ao título continental.
 
 

As décadas que se seguiram foram de outros confrontos decisivos, como nos Brasileiros de 1986 (classificação atleticana nas oitavas de final), 1987 (triunfo rubro-negro na semifinal da Copa União) e 2009 (importante vitória flamenguista na arrancada pelo título). Na semi da Copa do Brasil de 2014, o Atlético fez história ao perder o jogo por 2 a 0 no Rio, levar um gol no Mineirão e buscar um impensável 4 a 1 para ir à decisão e ser campeão.

São 93 anos de história, com 120 jogos. A vantagem é do Flamengo, que venceu 49 vezes. O Atlético ganhou 39, e são ainda 32 empates. Neste domingo, os times voltam a disputar uma taça e reacendem aquela que, para muitos, é a maior rivalidade interestadual do país.

Mistério alvinegro


O clima do clássico contagiou elenco e comissão técnica do Atlético. Na Cidade do Galo, porém, o movimento foi de tentar evitar que as polêmicas extracampo - protagonizadas pelo presidente alvinegro, Sérgio Coelho, e o vice rubro-negro, Rodrigo Dunshee - interferissem na preparação.

"Eu sou do tipo de jogador que não fica muito se ligando em provocações, no que vem e no que volta. Não sei o tipo de provocações que houve entre diretorias, mas os jogadores estão focados em dar o seu melhor dentro de campo para poder dar alegria à massa atleticana", disse Hulk.
 

'Seleção' da Supercopa tem 11 do Atlético e um do Flamengo; veja resultados

 

Com impressionantes 40 gols e 13 assistências em 72 jogos com a camisa alvinegra, o camisa 7 é a principal arma ofensiva do Galo. A dúvida é sobre quem o fará companhia no ataque. A expectativa é que o técnico Antonio Mohamed escale Keno na ponta esquerda; na direita, o titular natural seria Matías Zaracho.

O meia argentino, porém, reclamou de dores na coxa esquerda e é dúvida. Sem ele, o 'Turco' pode escalar Savarino ou Ademir. Eduardo Vargas, ausência no início da temporada por uma lesão no joelho esquerdo, pode ser opção para o segundo tempo. O chileno viajou com a delegação alvinegra, mas o clube faz mistério em relação à presença em campo no domingo.

Alternativas rubro-negras


Do lado do Flamengo, o técnico Paulo Sousa iniciou a temporada com testes para diferentes jogadores e busca implementar seu estilo. "Ele já mostrou por onde ele passou que é um treinador que tem uma ideia clara de jogo. Conhece de futebol e está passando isso para nós, que é de um ganho muito grande para cada um de nós jogadores. Tanto para os mais velhos quanto para quem está começando agora", disse Everton Ribeiro.

A tendência é que a equipe atue neste domingo com uma primeira linha de três jogadores, embora nem todos necessariamente tenham que ser zagueiros. David Luiz, Fabrício Bruno e Filipe Luís devem formar o trio de defensores.

À frente, Bruno Henrique reforça a equipe. Após ficar fora por questões físicas, o atacante estreou na temporada nessa quarta-feira, na vitória por 2 a 1 sobre o Madureira, quando entrou no segundo tempo. Ao lado de Gabigol, Everton Ribeiro e Arrascaeta, formará a linha ofensiva tão temida desde 2019.

Por problemas físicos, os zagueiros Rodrigo Caio e Gustavo Henrique e o volante Thiago Maia não estarão à disposição do treinador português. Andreas Pereira, por outro lado, foi liberado para atuar e disputa posição com João Gomes.

ATLÉTICO X FLAMENGO


Atlético
Everson; Mariano, Nathan Silva, Godín e Guilherme Arana; Allan, Jair, Matías Zaracho (Savarino ou Ademir) e Nacho Fernández; Keno e Hulk
Técnico: Antonio Mohamed

Flamengo
Hugo, Fabrício Bruno, David Luiz e Filipe Luís; Rodinei, Willian Arão, Andreas (Gomes) e Everton Ribeiro; Arrascaeta, Bruno Henrique e Gabigol
Técnico: Paulo Sousa

Motivo: Supercopa do Brasil de 2022
Local: Arena Pantanal, em Cuiabá (MT)
Data e horário: domingo, 20 de fevereiro de 2022, às 16h (de Brasília)

Árbitro: Anderson Daronco (Fifa-RS)
Assistentes: Danilo Ricardo Simon Manis (Fifa-SP) e Bruno Raphael Pires (Fifa-GO)
VAR: Daniel Nobre Bins (RS)

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