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Paulistano descarta seguir Atlético em busca de reconhecimento de título

Apesar de ser considerado o 'Campeão do Brasil' de 1920, clube paulista diz que não buscará equiparação com o Campeonato Brasileiro

18/05/2022 12:00 / atualizado em 18/05/2022 14:40
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Paulistano foi celebrado pelos jornais da época
foto: Reprodução / Correio Sportivo

Paulistano foi celebrado pelos jornais da época


A manchete do Correio Sportivo, do jornal Correio da Manhã, do Rio de Janeiro, no dia 29 de março de 1920, não deixava dúvida: "O Clube Atlético Paulistano é o Campeão do Brasil". Apesar disso, o time paulista não foi nomeado campeão brasileiro pela própria Confederação Brasileira de Desportos (CBD). Em contato com o Superesportes, a diretoria da equipe de São Paulo diz que não vê motivos de seguir os passos do Atlético em busca do reconhecimento da Confederação Brasileira de Futebol (CBF).

"Passado um século, o Paulistano não vê motivos para contestar a posição oficial do órgão máximo da modalidade, definida desde a época do evento. Celebramos a importante conquista, como parte de um passado de glórias que, para sempre, impulsionará nossas cores", disse o clube, em nota.


O Correio da Manhã relatou a conquista do Paulistano com muito entusiasmo. "Os paulistas, senhores do título máximo do futebol brasileiro, são os campeões do nosso país e, para isso, muito trabalharam, nada podendo se dizer do seu heroico feito".

Essa foi a primeira edição do Torneio dos Campeões, organizada ainda no período amador do futebol brasileiro. Além do Paulistano, participaram o Fluminense, campeão do Distrito Federal, e o Brasil de Pelotas, do Rio Grande do Sul. A competição foi disputada no estádio das Laranjeiras, no Rio de Janeiro.

Para o jornalista e historiador Odir Cunha, o campeonato de 1920 tem características similares ao de 1937, vencido pelo Atlético, por ser um interestadual. "Se esse reconhecimento existir para o Atlético, vai ter que abranger outros clubes que foram campeões de torneios similares. Isso é outro dificultador, porque você começa a abrir um leque para vários clubes fazerem a reivindicação", disse Cunha.

Contestação


Já em 1920, a alcunha de campeão do Brasil para o Paulistano foi contestada. O próprio jornal Correio da Manhã, em 30 de março de 1920, publicou carta de um leitor rechaçando a existência de um torneio dito nacional sem os clubes do Norte do país, cuja divisão naquela época considerava o Norte Oriental (o que seria hoje o Nordeste, mas sem a Bahia, localizada na região Oriental ao lado de Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo) e a região Setentrional (Amazonas, Pará e Acre).

"Sr. redator, permita-nos fazer, por intermédio desse digno órgão, um pequeno reparo ao modo por que se vem disputando o chamado campeonato do Brasil. Quer-nos parecer que, embora não sendo possível promover jogos entre os campeões de todos os Estados, os três times que ora os disputam não são, de modo indiscutível, os três mais fortes conjuntos do futebol nacional. A entidade promotora do atual torneio seria fácil proceder por provas eliminatórias de forma a reduzir, afinal de contas, o campeonato aos três jogos que ora se disputam. Mas como alcançou ela avaliar que o time do Rio Grande do Sul é superior aos times de qualquer estado do Norte?", questionou.

"Não fosse a ignorância, em que aqui se vive, do que se passa no Norte, e todos saberíamos o real valor do futebol pernambucano [Norte Oriental], onde figuram dois elementos internacionais de mérito, que são os irmão Alarcon e o notável Bermudes, que chegou a uma técnica admirável em seu jogo", frisou o leitor, em uma carta ao jornal Correio da Manhã.

"O que dizer, porém, dos jogadores paraenses, que até agora têm saído vencedores nas principais provas disputadas com os clubes do Recife? O valor do futebol do Pará pode ser ainda atestado pelo seguinte fato: em 1915 ou 16 por lá andou o time do Flamengo, um dos melhores daqui. Pois bem: os cariocas empataram duas vezes com os paraense, não conseguindo ganhar o troféu que lhes estava reservado", completou o leitor.

Atlético

Jornais noticiam título do Atlético em 1937



O Atlético enviou parte do dossiê tentando comprovar a equivalência entre o 'Campeão dos Campeões' de 1937 com o Campeonato Brasileiro em fevereiro. No mês seguinte, o clube mineiro fez nova transferência de arquivos. Os documentos ainda estão sendo analisados pelas diretorias competentes da CBF, antes de o assunto ser encaminhado para o presidente da entidade, Ednaldo Rodrigues.

"A Presidência da CBF recebeu a solicitação do Atlético e uma primeira remessa de documentos em fevereiro e, posteriormente, em março, o clube acrescentou novas documentações. Esses materiais foram encaminhados às diretorias atinentes ao tema para avaliação e emissão de parecer a respeito da reivindicação do clube", disse a CBF, em mensagem enviada à reportagem. 

O Campeão dos Campeões contou com representantes de quatro estados, todos campeões estaduais: Atlético (Minas Gerais), Portuguesa (São Paulo), Fluminense (Rio de Janeiro) e Rio Branco (Espirito Santos), além da Liga da Marinha e do Aliança. 

Na fase final, os dois últimos foram eliminados e ficaram apenas os times de cada estado. O torneio foi organizado em jogos de ida e volta. Em seis partidas, o Galo somou nove pontos e conquistou o título.

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