MINEIRÃO

Ovo frito voltará ao tropeiro do Mineirão no clássico entre Cruzeiro e Atlético, no domingo

Para o retorno do ovo frito, o estádio teve que passar por uma série de adequações para atender exigências de padrão de qualidade, consumo e segurança alimentar

postado em 16/09/2016 17:35 / atualizado em 16/09/2016 17:53

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O torcedor que for ao Mineirão no clássico entre Cruzeiro e Atlético, neste domingo, e pedir um prato de feijão tropeiro, terá uma grata surpresa. No topo da montanha de comida estará posicionado o ‘zoiúdo’, nome carinhoso dado pelos mineiros ao ovo frito. Desde que o estádio foi modernizado para receber a Copa das Confederações, em 2013, e a Copa do Mundo, em 2014, esse ingrediente tradicional do prato foi ‘vetado’ pela Vigilância Sanitária.

Para o retorno do ovo frito, o estádio teve que passar por uma série de adequações para atender exigências de padrão de qualidade, consumo e segurança alimentar. Cerca de R$ 1 milhão foi investido com a instalação de 12 coifas e sistema de ventilação dos bares para que o tradicional tropeiro voltasse a ser como era no antigo estádio. As obras transformaram os bares do Mineirão em cozinhas. Agora, cada espaço tem condição de produzir o ovo frito.

As primeiras unidades do tropeiro com o ovo foram vendidas em fase de testes na partida entre Cruzeiro e Botafogo, pelo Brasileiro, nos setores amarelo e laranja inferior, e foram consumidos 1.148 pratos. A metade dos consumidores respondeu a uma pesquisa de avaliação feita pelos colaboradores do estádio, e 97,5% dos torcedores aprovaram a volta do ovo ao prato. No clássico entre Cruzeiro e Atlético, em todos os setores do Gigante poderá ser encontrado o tropeiro completo. O preço segue R$ 12.

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O nutricionista Gustavo Cunha, responsável técnico pela alimentação do estádio, explica que, com a modernização do Mineirão, o grau de exigência com o serviço prestado aumentou e não foi diferente com a fiscalização do preparo dos alimentos no local.

“Todos os aspectos do Mineirão passaram por melhorias e, nos bares, foram promovidas muitas mudanças até chegar à configuração atual. Hoje existe um rigoroso controle de qualidade de como a comida é preparada e servida no estádio. Ao mesmo tempo, não adianta servir qualquer tropeiro. Quem frequenta o Mineirão quer o mesmo prato de dez, 20, 30 anos atrás. Existe uma relação afetiva muito grande com o tropeiro e fizemos o máximo para devolver o sabor que estava na memória do torcedor mineiro”, disse.

Cunha conta que, para o retorno do ovo, as empresas fornecedoras do produto são obrigadas a encaminhar laudo contendo a rastreabilidade e análise que comprovem a ausência de bactérias.
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Sônia Maria da Costa, a ‘dona’ Sônia, está há quase 30 anos fazendo tropeiro no Gigante da Pampulha. Ela é uma das mais tradicionais cozinheiras do estádio e se orgulha do trabalho desenvolvido por tantos anos. "O tropeiro daqui é único. Não se encontra em nenhum outro lugar".

Dona Sônia é responsável por quatro bares, dentre eles o mais movimentado no estádio, localizado no setor Amarelo Inferior. Em dias de jogos, ela coordena uma equipe de até 60 pessoas. "Para mim, o cliente tem sempre a preferência. O que eu mais gosto é agradar as pessoas e sentir que, quando elas comem o meu tropeiro, saem satisfeitas”.

Outro cozinheiro especializado no prato típico é Fernando Luiz da Silva, que há décadas serve o tropeiro no Mineirão. Dos seus 60 anos, 46 foram vividos dentro e nos arredores do estádio.

"Tem tropeiro preparado de todo jeito, mas, como nós fazemos, só no Mineirão. O torcedor mineiro gosta tanto, que não podemos inovar, se não eles reclamam. Virou tradição e já faz parte da história do futebol mineiro".

O tropeiro é tão presente na cultura do futebol mineiro que foi um dos poucos pratos típicos que a Fifa permitiu que fossem servidos nos estádios durante a Copa do Mundo de 2014. Ele também não ficou de fora dos jogos de futebol realizados em Belo Horizonte pelos Jogos Olímpicos 2016.

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