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Djokovic treina para Aberto na Austrália após vitória na Justiça

Mas secretário australiano do Interior, Alex Hawke, responsável pela área de imigração, estuda cancelar o visto do tenista mais uma vez

11/01/2022 13:49 / atualizado em 11/01/2022 13:57
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Djokovic treina em Melbourne, palco do Aberto da Austrália que começa em 17 de janeiro
foto: Kelly Defina/AFP

Djokovic treina em Melbourne, palco do Aberto da Austrália que começa em 17 de janeiro

O tenista Novak Djokovic treinou na sede do Aberto da Austrália, nesta terça-feira (11), após sua vitória legal contra sua deportação, embora sua participação esteja pendente de uma decisão do governo sobre o cancelamento de seu visto.



O número um do mundo e nove vezes vencedor do torneio australiano foi visto se aquecendo em uma academia com seu técnico Goran Ivanisevic, antes de ir para a área dos jogadores e seguir para a quadra central, seis dias antes do início do torneio em Melbourne.

Apesar de ter permanecido retido em um centro de detenção de imigrantes por vários dias, Djokovic disse na segunda-feira (10) que sua intenção é jogar o Aberto. Nesta edição, espera vencer seu 21º Grand Slam e, assim, superar Roger Federer e Rafa Nadal.

"Estou focado nisso. Vim aqui para jogar em um dos torneios mais importantes que temos diante de torcedores maravilhosos", declarou o sérvio no Instagram. 

Mas tudo está nas mãos do secretário australiano do Interior, Alex Hawke, responsável pela área de imigração, que estuda cancelar o visto do tenista mais uma vez. 

O sérvio, que não está vacinado contra a COVID-19, obteve na segunda-feira uma vitória judicial contra sua expulsão da Austrália. O governo havia cancelado seu visto, alegando que não cumpria os requisitos sanitários impostos no país, devido à pandemia.

O atleta desembarcou em Melbourne na quarta-feira, com uma isenção médica da obrigação de vacinar concedida pelos organizadores do torneio. Para isso, alegou ter tido COVID-19 em 16 de dezembro. 

"Não estou vacinado", disse Djokovic ao oficial de imigração que o interrogou, de acordo com uma transcrição divulgada pelo tribunal.

Os poucos estrangeiros admitidos na Austrália devem ter vacinação completa, ou isenção médica. O governo insiste em que um contágio recente não é válido para obter a isenção. 

Apesar disso, o juiz federal Anthony Kelly reverteu a decisão do governo na segunda-feira, ordenando a libertação imediata do jogador.

O governo já havia desistido do caso, depois de concordar que o interrogatório de Djokovic no aeroporto foi "inadmissível". O jogador teve seu visto cancelado antes de receber o prazo prometido para responder.

Foi "a maior vitória de sua carreira, maior do que todos os seus Grand Slams", declarou sua mãe, Dijana, em uma entrevista coletiva em Belgrado. 

Governo australiano ainda analisa visto


O governo australiano ainda não jogou a toalha, porém, e disse que está analisando sua próxima ação. Vários meios de comunicação do país questionam o rigor da declaração de viagem de Djokovic, que voou da Espanha para Melbourne. 

De acordo com uma cópia de sua declaração, o jogador garantiu que não viajou, nem viajaria, nos 14 dias anteriores ao desembarque na Austrália, em 5 de janeiro. Algumas informações sugerem, no entanto, que ele esteve na Sérvia antes da Espanha.

Também controverso é o argumento de que Djokovic testou positivo para a COVID em 16 de dezembro, pois foi visto em eventos públicos naquele dia e no seguinte. 

Um porta-voz do governo disse que o secretário Alex Hawke está "considerando se deve cancelar o visto de Djokovic", usando seus poderes ministeriais. 

Enquanto isso, no Melbourne Park, alguns fãs foram ver o tenista. "Imagino que algumas pessoas ficarão bastante chateadas com isso", disse Harrison Denicolo, de 22 anos.

Offek Dvir Ovadia, também de 22 anos, comentou que Djokovic terá de "lidar com vaias, quando jogar com o público em geral", mas espere que "algumas pessoas apoiem-no".


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