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Um silêncio que incomoda

Sem técnico, jogadores do Cruzeiro são treinados por preparadores físicos sob clima de incerteza e ainda o efeito de duas eliminações

postado em 12/05/2012 07:00


Enquanto a diretoria tenta contratar substituto para o técnico Vágner Mancini, os jogadores do Cruzeiro vivem clima de incerteza na Toca da Raposa II. Treinando sob o comando dos preparadores físicos, eles procuram se empenhar nas atividades, mas fica visível o incômodo causado pela falta de um comandante em campo. O astral em baixa predomina, depois de mais um vexame neste primeiro semestre, a eliminação na Copa do Brasil com duas derrotas para o Atlético-PR, nas oitavas de final, poucos dias após a equipe celeste ter sido atropelada por outro time que disputará a Série B neste ano, o América, derrotado duas vezes nas semifinais do Campeonato Mineiro. Faltando uma semana para a estreia no Campeonato Brasileiro, há muito mais dúvidas do que certezas no clube do Barro Preto, o que pode dificultar o trabalho de quem chegar para assumir o comando técnico.

Flávio Oliveira, único dos que vieram com o ex-treinador a permanecer, e Quintiliano Lemos, da comissão permanente, ambos preparadores físicos, dirigiram os treinamentos, incluindo a parte técnica, mas não se arriscaram a “montar” qualquer desenho tático. Tudo era feito com protocolo profissional, porém sem as brincadeiras e gargalhadas tão comuns. Os comentários em voz baixa tomaram o lugar dos gritos. O silêncio, em alguns momentos, chegava a causar estranheza.

Ontem pela manhã, enquanto alguns jogadores se exercitavam na sala de musculação e faziam corridas, outros participavam de atividade técnica. O semblante sério da maioria não se modificou nem mesmo durante a tradicional sessão de autógrafos concedidos aos torcedores que agendaram visita à Toca II.

A espera pelo anúncio do novo treinador causa ansiedade entre os atletas, como eles mesmos admitem. “No vestiário a gente fica se perguntando quem é que vai vir, está todo mundo na expectativa. Mas não há preocupação, todo mundo confia na diretoria, que certamente vai buscar o melhor nome para o Cruzeiro”, afirma o atacante Wellington Paulista.

No clube desde 2009, ele reconhece que a situação lhe é estranha. “São dias atípicos, me acostumei com o Cruzeiro bem, brigando por títulos, disputando finais. Mas agora é bola para a frente, pois o Brasileiro já está chegando e temos de estar bem preparados”, diz o artilheiro da equipe na temporada, com 14 gols em jogos oficiais.

Apesar da falta de um comandante, Wellington Paulista torce para que o próximo jogo chegue logo. Afinal, segundo ele, é em campo, buscando bons resultados, que a equipe vai conseguir superar os momentos difíceis.

Mudanças Enquanto tenta definir o sucessor de Vágner Mancini, a diretoria do Cruzeiro não pretende anunciar mudanças no grupo de jogadores. O certo, porém, é que vai haver reformulação, o que só aumenta o clima melancólico na Toca da Raposa II.

Os jogadores consideram natural que isso ocorra, ainda mais depois que fracassaram nas duas competições deste primeiro semestre. Mais que isso, chegam a cobrar reforços, caso do goleiro Fábio, capitão da equipe. “O torcedor tem pleno direito de cobrar. A diretoria tem de ver que no Brasileiro a dificuldade é maior, e não tem como formar equipe sem ter gastos se você quer buscar título. Não adianta cobrar só dos jogadores. Temos de colocar de forma transparente, precisamos de equipe mais forte se a gente quer ser campeão. A gente olha os outros grupos e vê que eles precisam se reforçar e nós também”, afirma.

Um dos poucos a ter motivos para comemorar no Cruzeiro é o zagueiro Maurício Victorino, convocado pelo técnico Oscar Tabárez para defender a Seleção do Uruguai no amistoso com a Rússia, em 25 de maio, e dois confrontos válidos pelas Eliminatórias da Copa do Mundo de 2014, contra Venezuela e Peru, em 2 e 10 de junho, respectivamente.