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Fruto de muito trabalho

Se hoje Raulzinho é peça certa na Seleção é porque ele aproveitou as oportunidades desde cedo

postado em 14/09/2014 09:16 / atualizado em 14/09/2014 09:29

Renan Damasceno / Estado de Minas

Colégio Arnaldo/divulgação


A ascensão de Raulzinho foi rápida, mas às custas de muito trabalho. Quem conhece o armador desde garoto, quando começou a treinar para valer nas quadras do Colégio Arnaldo, em Belo Horizonte, destaca a seriedade nos treinamentos. “Desde cedo ele foi disciplinado e concentrado. Nunca perdeu treino. Treinava aqui e depois no Minas. Sempre foi muito diferenciado, avançado, com muito fundamento”, afirmou o treinador Emerson Rodrigues, o Boi, primeiro técnico de Raulzinho, de 2006 a 2009.

Se hoje Raulzinho é peça certa na Seleção Brasileira do técnico Rubén Magano é porque ele aproveitou as oportunidades desde cedo. Em 2007, quando disputava o Jogos Escolares Brasileiros pelo Colégio Arnaldo, o técnico José Neto, assistente de Magnano, convidou o jogador para a Seleção Brasileira Sub-17. Desde então, Raulzinho veste a camisa da Seleção. Em 2008, com apenas 16 anos, estreou nos profissionais do Minas, e em 2009 foi eleito MVP do Mundial Escolar, na Turquia. No ano seguinte, foi o caçula na lista de Magnano para o Mundial da Turquia.

“Uma coisa que aprendi é que nada na vida é dado de presente”, explicou Raulzinho ao Estado de Minas, dias depois de ajudar a Seleção Brasileira a terminar em sexto lugar na Copa do Mundo da Espanha. “Sempre fui um cara que gostei muito de treinar. Tudo que consegui foi por causa do trabalho”

Reserva de Marcelinho Huertas, Raulzinho teve atuação decisiva na vitória sobre a Argentina, por 85 a 65, domingo passado, pelas oitavas de final. Ele fez 21 pontos, terminando o jogo como cestinha. No entanto, a alegria pela vitória foi interrompida dois dias depois, quando o Brasil sofreu um apagão e saiu derrotado pela Sérvia por acachapantes 84 a 56, que acabou com o sonho de medalha. “Não dá para explciar o que aconteceu. No vestiário, todo mundo estava insatisfeito. O Magnano tentou nos motivar, falando que a gente tinha ido mais longe, que o resultado não foi ruim. O momento foi de tristeza, pois sabíamos que poderíamos ir mais longe”, explicou.

Raulzinho sabe que terá de trabalhar muito para realizar mais um sonho: disputar a segunda Olimpíada, desta vez em casa. E Jogos Olímpicos têm um significado diferente para a família Togni Filho. No início de 1992, o ex-armador Raul abriu mão de uma pré-convocação para a Seleção Brasileira – que naquele ano disputaria a Olimpíada de Barcelona –, para ficar ao lado da esposa, Cláudia, que estava grávida de Raulzinho. Em 2012, o filho realizou o sonho da família de vestir a camisa do Brasil.

(Juarez Rodrigues/EM/D.A Press


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Uma das revelações do Minas, Raulzinho trocou Belo Horizonte pelo basquetebol espanhol em 2011 para defender o Lagun Aro. No ano passado, foi escolhido na 47ª colocação do draft da NBA pelo Atlanta Hawks, que o repassou para o Utah Jazz, equipe do lendário armador John Stockton. A equipe preferiu manter Raulzinho na Espanha, onde ele defenderá o Múrcia na próxima temporada. “Amadureci bastante na Espanha. Antes me cobrava muito, até por isso era muito compenetrado. Ficava bravo com quem não levava o jogo na mesma seriedade que eu. Hoje, tenho que tentar relaxar, dar o máximo, aceitar mais o erro. Continuo um cara compenetrado, mas sei separar melhor as coisas”, explica.

Com apenas 22 anos, Raulzinho hoje é uma inspiração para os mais novos. “A gente vê aonde ele chegou e fica com mais vontade de treinar. Ver que a gente pode chegar lá é um sonho possível. Inspiro-me na visão de jogo, controle, tempo de quadra”, explicou o jovem armador Augusto Flávio, de 17 anos, que hoje veste a mesma camisa do ídolo no Colégio Arnaldo. (RD)


TRÊS PERGUNTAS PARA
...
RAULZINHO, armador

1) O que faltou para o Brasil vencer a Sérvia e brigar por medalha?
Nem a gente sabe falar exatamente. Contra a Sérvia, com as faltas técnicas, uma em cima da outra, perdemos a cabeça. Jogo em nível de Mundial, o psicológico pesa muito. Não foi um jogo que vai apagar nossa boa campanha. Faz parte.

2) É um grupo pronto para a Olimpíada?
Não dá para saber quem vai estar. Uma coisa que o Rubén Magnano fala é que ele não dá nada de presente para ninguém. Tem que merecer. Quase todos (que estiveram no Mundial) estão em condição de jogar. Vai depender muito do desempenho nos próximos dois anos.

3) O que o segundo Mundial acrescentou na sua carreira?
A experiência de jogar e disputar minutos. No outro Mundial quase não joguei. Contra a Argentina, tive uma atuação boa. Tive ótimos momentos, mas a gente tem que fazer cada dia melhor. Não me considero nesse grupo por presente de ninguém, desde a minha convocação. Fiz bons treinos, sempre dando o máximo. Soube aproveitar bem as oportunidades e a confiança do Magnano, que é um grande técnico. Aprendi muito.

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