Cruzeiro

Fabrício lamenta corte de sexta-feira e mostra insatisfação por falta de chances

Jogador queria ter viajado para o Rio para enfrentar o Fluminense

postado em 06/06/2011 19:04 / atualizado em 07/06/2011 09:11

 Jorge Gontijo/EM/D.A Press

O volante Fabrício pensou muito em sua entrevista coletiva desta segunda-feira, escolheu as palavras no intuito de não polemizar, mas foi inevitável. Desde o início, ele expôs a sua insatisfação por ter sido cortado da viagem ao Rio de Janeiro, onde o Cruzeiro enfrentou o Fluminense no sábado, e por estar na reserva do time de Cuca.

Na semana passada, Fabrício era apontado como substituto natural de Henrique, que está servindo à Seleção Brasileira. Cuca e assessoria de imprensa chegaram a incluir o nome dele na viagem ao Rio. Mas, só no sábado, horas antes da partida, o clube revelou que Fabrício tinha ficado em Belo Horizonte para se submeter a exames de imagem, consequência de dores musculares.

Fabrício considerou a medida errada. Seu desejo era viajar com o grupo e atuar contra o Fluminense. “Eu estava com um pouco de dor muscular, mas faz parte para quem está voltando de lesão. O treino é forte, a gente sente um pouquinho, mas o pessoal achou melhor, por precaução, me tirar do jogo. Foi feito um exame, não foi constatado nada, no sábado eu já estava bem melhor, mas é uma opção deles, eu tenho que respeitar. Estou aqui para cumprir ordens, lógico que não todas, mas a maioria a gente tem que acatar”, disse.

Ouça, na íntegra, a entrevista coletiva de Fabrício:




Ao ser indagado se voltaria ao time contra o Santos, Fabrício deixou dúvida no ar. Não por ele, mas por Cuca. ”Vamos ver. Depende do treinador, depende muito do treinador. Assim como eu queria estar nesse jogo de sábado, mas a comissão técnica, junto com o departamento médico, achou melhor eu ficar de fora. Então, só cabe a mim trabalhar, falar pouco, e demonstrar dentro de campo. É lógico que, para mostrar, a gente precisa das oportunidades, mas sempre respeitando o treinador e sendo profissional”.

Em mais de um ponto da entrevista, Fabrício deixou claro que não queria entrar em atrito com Cuca pela imprensa. Apesar disso, suas declarações deixaram escapar algum descontentamento. “A gente tem que tomar cuidado. A gente quer se expor às vezes, demais, mas tem que tomar cuidado. Eu não gosto de ser pivô de polêmica, principalmente dentro do meu grupo. De repente, se eu falar alguma coisa aqui, ir de encontro ao meu treinador, querer jogar através da imprensa, é complicado. O que posso dizer mesmo é que, infelizmente, as oportunidades não estão vindo. Todo mundo sabe, vocês sabem, o torcedor, que não é burro, sabe, que jogador fica melhor quando está jogando. Então, é lógico que eu preciso de uma sequência para voltar a ser o que eu era”, pleiteou.

Mais à frente, Fabrício sugeriu a possibilidade de existir algum mal-estar em sua relação com o comandante. Embora pensasse muito ao usar as palavras e evitasse o choque, o volante deixou escapar que há algo fora de sintonia. “É complicado. Muitas coisas se tratam internamente, infelizmente. Eu sei que é o trabalho de vocês querer saber tudo e seria até legal o torcedor saber também, mas é complicado a gente falar algumas coisas que se passam internamente. Então, a gente fica mesmo quieto, só pensando em trabalhar, ter a oportunidade de jogar. Falando muito, às vezes você expõe algumas coisas que não são legais, e eu não gosto de aparecer dessa forma”.

Futuro

Na semana passada, Fabrício manifestou o desejo de prorrogar o seu contrato com o Cruzeiro por três ou quatro anos e ter a possibilidade de encerrar a carreira no clube, onde é ídolo da torcida.

Mas, nessa entrevista, ele foi evasivo ao tocar no assunto. “Não sei, não sei. O pensamento, é lógico, é sempre estar aqui. Mas, para isso, eu tenho que estar feliz. Mas tem muita coisa para rolar ainda até o final do ano, pode acontecer muita coisa. Como um torcedor me falou ontem, e eu achei legal, tem muita água para passar debaixo da ponte ainda. Temos que ter calma”.

Questionado se o seu momento era feliz, Fabrício pensou alguns segundos e respondeu: “Estou trabalhando, estou com saúde e tenho que estar feliz”. (UAI)

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